Fórum Nacional de Educação e desafios da luta sindical pautam última mesa do primeiro dia do 1º Encontro da Regional SP do ANDES-SN na ADunicamp


A última mesa do primeiro dia do 1º Encontro da Regional São Paulo do ANDES-SN debateu o papel do Fórum Nacional de Educação (FNE) e a possível participação do ANDES-SN nesse espaço institucional. A atividade reuniu o professor Marcos de Oliveira Soares, da Adunifesp -1º VPR Regional SP do ANDES-SN, e a professora Jacqueline Magalhães Alves, Presidenta da ADufla – 1a. VPR Regional Leste  (coordenação GTPE -ANDES-SN), em uma discussão marcada por reflexões históricas, políticas e estratégicas sobre os rumos da luta em defesa da educação pública.

O professor Marcos de Oliveira Soares iniciou sua exposição apresentando o acúmulo recente do debate realizado no âmbito do GTPE (Grupo de Trabalho de Política Educacional) do ANDES-SN. Ele relembrou que a discussão sobre a participação no Fórum Nacional de Educação vem sendo construída nos congressos e CONADs (Conselho do Sindicato Nacional) da entidade e destacou que “o GTPE não tem uma posição fechada” e que o debate segue em aberto para deliberação no próximo CONAD, previsto para julho. A partir de relatos de representantes da Fasubra, Sinasefe e CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Marcos buscou apresentar diferentes interpretações sobre o papel do FNE e suas possibilidades de incidência política.

Ao recuperar as posições das entidades que atualmente participam do FNE, Marcos destacou que a Fasubra avalia o espaço como importante para o diálogo com outros setores da educação e para a disputa de políticas públicas. Segundo relatou, a entidade defende que “quando a gente se ausenta, quem a gente não gosta se senta”, enfatizando a necessidade de ocupação política dos espaços institucionais. O professor também destacou a avaliação do Sinasefe sobre o avanço da privatização e da lógica empresarial nas instituições federais de ensino, alertando para processos de “descaracterização dos campi e do projeto dos institutos federais”.

Em sua análise política, Marcos ponderou que o debate sobre integrar ou não o FNE não deve ser tratado como uma questão “principista”, mas como uma discussão tática. Para ele, o ANDES-SN possui histórico consolidado de mobilização e articulação com entidades da educação, independentemente da participação no Fórum. “Se a participação no Fórum for entendida como o local da disputa, isso pode ser um problema para nós”, afirmou. Ao mesmo tempo, ressaltou que não vê impedimento na participação desde que isso não comprometa “o caráter combativo de unidade com entidades da educação para além do Fórum Nacional de Educação”.

PERSPECTIVA HISTÓRICA E POLÍTICA

A professora Jacqueline Magalhães Alves aprofundou o debate a partir de uma perspectiva histórica e política das lutas do ANDES-SN em defesa da educação pública. Logo no início, relacionou a discussão do FNE às mesas anteriores do encontro e à necessidade de compreender a conjuntura brasileira a partir da história. Utilizando referências culturais e documentos históricos da entidade, Jacqueline afirmou que é preciso compreender “qual é o significado” da ocupação desses espaços institucionais e “de que formas” eles podem contribuir para a luta coletiva.

A docente retomou a trajetória do ANDES-SN desde o período da ditadura militar até os debates mais recentes sobre o Fórum Nacional de Educação, destacando momentos de participação e ruptura da entidade com o FNE. Ela relembrou que, após mudanças promovidas durante o governo Temer, o sindicato passou a construir espaços alternativos, como o Fórum Nacional Popular de Educação e a CONAPE (Conferência Nacional Popular de Educação). Ao analisar a recomposição do FNE no atual governo, alertou para as contradições existentes no espaço e para a presença crescente de interesses privatistas. “Vamos vendo quantas contradições se aprofundam e se explicitam no âmbito do Fórum Nacional de Educação”, afirmou.

Jacqueline também destacou que a discussão sobre participar ou não do FNE precisa estar vinculada à construção coletiva das lutas e ao fortalecimento das bases sindicais e populares. Para ela, o fundamental é compreender “a partir de onde falamos” e quais sujeitos sociais o sindicato representa. Em sua avaliação, a disputa pela educação pública exige articulação permanente com movimentos sociais, entidades da educação e espaços de mobilização popular. Ao final, ressaltou que o grande desafio é impedir que os espaços institucionais sejam capturados pela lógica da mercantilização da educação e reafirmou a necessidade de “anunciar um projeto de sociedade, de educação e de ciência”.

O bloco de manifestações do público evidenciou a complexidade e a diversidade de posições existentes no interior da categoria. As intervenções abordaram os desafios de construir simultaneamente espaços próprios de articulação da classe trabalhadora, como a Conedep (Coordenação Nacional de Entidades em Defesa da Educação Pública e Gratuita) e o Encontro Nacional de Educação, e atuar em instâncias institucionais como o FNE. Participantes questionaram se a entrada no Fórum poderia fortalecer a disputa política em defesa da educação pública ou representar riscos de adaptação às dinâmicas institucionais e governamentais.

As falas também trouxeram reflexões sobre a trajetória histórica do ANDES-SN, sua autonomia política e sua capacidade de dialogar com movimentos sociais e outras entidades da classe trabalhadora. Entre preocupações sobre possíveis hegemonias no interior do Fórum e avaliações sobre a necessidade de disputar concepções de educação em todos os espaços, o debate reafirmou o caráter aberto da discussão. Ao final da mesa, ficou evidente que a decisão sobre a participação ou não do sindicato no Fórum Nacional de Educação seguirá sendo construída coletivamente nas instâncias do ANDES-SN ao longo dos próximos meses.


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