Assembleia de Docentes rejeita reajuste de 3,47% proposto pelo Cruesp e aprova paralisação em 11/05


Docentes decidiram também enviar nova proposta de reajuste para o Fórum das Seis, que voltará a se reunir no dia 11 de maio

O índice de reajuste salarial de 3,47% proposto pelo Cruesp para docentes e servidores(as) técnicos-administrativos(as) das universidades públicas paulistas foi rejeitado pela assembleia extraordinária de docentes da Unicamp, realizada nesta quarta-feira, 6 de maio (leia o relato da reunião no boletim do Fórum, acesse aqui). Em contrapartida, a assembleia decidiu encaminhar ao Fórum das Seis, para a próxima rodada de negociações com os reitores, uma nova proposta de reajuste que contemple a inflação acumulada nos últimos 12 meses, acrescida de 3% referentes à reposição das perdas salariais.

A professora Silvia Gatti, presidenta da ADunicamp, relatou que, durante a reunião de negociação, o Cruesp propôs inicialmente um reajuste de 2%, percentual inferior à inflação acumulada entre maio de 2025 e abril de 2026. Após pressão das entidades que compõem o Fórum das Seis, os reitores se reuniram reservadamente e retornaram com uma nova proposta, de 3,6%, índice correspondente à estimativa do IPC-Fipe para o período. A Pauta Unificada do Fórum, no entanto, mantém, como nos últimos anos, a defesa da reposição das perdas salariais acumuladas, que devem atingir 16% em 2026, como forma de recuperar o poder de compra dos salários de 2012.

A assembleia defendeu que o Fórum das Seis deve insistir, junto ao Cruesp, na adoção da projeção inflacionária calculada pelo IPCA, estimada em 4,6%, em vez do IPC-Fipe, de 3,47%, índice defendido pelos reitores. Com isso, a proposta de reajuste aprovada pela assembleia para discussão no Fórum das Seis, antes da próxima rodada de negociação com o Cruesp, é de 7,6%. A professora Silvia Gatti (IB), lembrou que essa exigência é essencial, uma vez que o IPC-Fipe mede apenas a inflação da cidade de São Paulo, enquanto o IPCA faz o cálculo com base nos impactos inflacionários em todo o país.

A assembleia também aprovou a paralisação de docentes com participação no ato público do Fórum das Seis, que ocorrerá na próxima segunda-feira, 11 de maio, em frente ao prédio da Unesp em São Paulo, durante a reunião de negociação com o Cruesp. A ADunicamp disponibilizará ônibus para quem queira participar. Para reserva de vagas, envie e-mail para rose@adunicamp.org.br, com os seguintes dados: nome completo, RG e contato (whatsapp).

As deliberações da assembleia serão levadas pela diretoria da ADunicamp à reunião do Fórum das Seis, marcada para a próxima segunda-feira, 11 de maio, no período da manhã, como preparação para a negociação com o Cruesp, prevista para a tarde do mesmo dia. E, por fim, a professora Silvia antecipou que, a partir dos resultados das negociações, a ADunicamp deverá convocar uma nova assembleia para a quinta-feira seguinte, 14 de maio.

MOBILIZAÇÃO

A diretora da ADunicamp, professora Regina Celia da Silva (CEL), que ao lado da professora Silvia integrou a mesa de negociação do dia 4, fez na assembleia um relato das mobilizações que ocorreram em frente ao prédio da Unesp. O ato público reuniu caravanas das três universidades estaduais, com faixas e cartazes que cobravam valorização salarial, melhores condições de trabalho e ampliação das políticas de permanência estudantil. “A grande maioria era de estudantes”, pontuou ela.

Durante a reunião, representantes do Fórum das Seis criticaram a tentativa do Cruesp de restringir o debate apenas ao índice salarial, excluindo as pautas estudantis. O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner (FEF), chegou a dizer que os estudantes sequer faziam parte do Fórum das Seis, no que foi prontamente corrigido pelo presidente da Adunesp, Antônio Luís de Andrade.

As entidades estudantis foram incorporadas ao Fórum durante a forte greve de 2000, formalizando uma unificação que já vinha ocorrendo na prática. O Fórum das Seis lembra, em seu último Boletim (leia aqui), que “as Pautas Unificadas, como a deste ano, são o produto concreto desta unidade, que vem sendo fundamental para a defesa dos direitos dos três segmentos” da comunidade acadêmica.

A professora Regina afirmou que a participação dos estudantes no GT Permanência, criado no ano passado por iniciativa do Fórum das Seis e do Cruesp, tem sido fundamental nas negociações e mobilizações. Segundo ela, os estudantes estão “extremamente organizados” e têm apresentado pautas relacionadas a temas estruturais, como financiamento das universidades, previdência e condições de trabalho e estudo.

Ao justificar a proposta salarial, técnicos das universidades apresentaram projeções pessimistas para a arrecadação do ICMS em 2026. A presidente do Cruesp e reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, afirmou que seria necessário adotar uma postura “mais conservadora” diante dos déficits previstos nos orçamentos da Unesp e da Unicamp. O Fórum das Seis contestou o argumento e criticou o que classificou como política de arrocho salarial. “Afinal, o que significa a expressão ‘conservador’? Atacar direitos, arrochar salários e precarizar condições de trabalho?”, questiona o Fórum em seu boletim (leia aqui).


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