O CR (Conselho de Representantes) da ADunicamp, reunido nesta quinta-feira, 26 de março, aprovou por unanimidade a proposta de aplicação de parte de seus recursos no Banco Crehnor (Cooperativa de Crédito Rural de Pequenos Agricultores e da Reforma Agrária), ligado ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Outra parte dos recursos continuará aplicada onde está hoje, na Caixa Econômica Federal.
Na apresentação detalhada da proposta, a tesoureira da ADunicamp, Eneida de Paula (IB), e o integrante da equipe técnica da Unidade de Finanças da entidade, Márcio Damaceno, mostraram que a cooperativa realiza operações bancárias nos moldes de um banco convencional. “Também aplica no sistema financeiro, não há como fugir, mas investe em cooperativas e agroindústrias, entre outros empreendimentos ligados a assentamentos da Reforma Agrária e pequenos agricultores”, pontuou Eneida. Márcio esclareceu que os rendimentos da aplicação estão nos mesmos patamares, e eventualmente até superam, aqueles dos bancos privados.
Eneida e a presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB), relataram que a proposta já é estudada pela diretoria há alguns anos e que foram realizados diversos estudos e também reuniões com diretores do Banco Crehnor, antes que fosse tomada a decisão de apresentar a proposta para o CR. “Não há risco de perdas. Trata-se de um banco que existe há 30 anos. O que norteou a decisão foi a importância de tirarmos os recursos de um banco privado e colocarmos em investimento que tem um fim social. Uma mudança que está de acordo com os objetivos do sindicato”, afirmou Eneida. “É uma aplicação que tem conteúdo social. E sempre tivemos interesse em ampliar esse tipo de aplicação”, ponderou Silvia.
FUNDO E OUTROS
O CR aprovou, também por unanimidade, a proposta apresentada pela diretoria de criação de um fundo emergencial, a ser constituído junto às aplicações financeiras da ADunicamp. O fundo será constituído a partir da aplicação de 30% das sobras mensais, sempre que houver resultado positivo entre receitas e despesas.
A diretoria argumentou que o mecanismo permitirá responder com mais segurança a despesas extraordinárias, como obras emergenciais, apoio a greves e solidariedade a outras entidades, além de situações excepcionais envolvendo docentes filiados em dificuldade financeira.
Ao defender a medida, Silvia Gatti afirmou que a criação do fundo só se tornou viável em razão do maior equilíbrio das contas da entidade. “Hoje nós estamos com uma situação que nos permite pensar num fundo de reserva”, disse. Ela explicou que o fundo também poderá ser usado, em casos específicos e mediante análise criteriosa, para evitar a desfiliação de docentes que estejam enfrentando dificuldades financeiras e correndo risco de perder convênios, especialmente o atendimento médico. A movimentação e eventual uso desses recursos deverão ser apresentados trimestralmente ao CR.
O Conselho também aprovou a planilha de controle gerencial referente ao quarto trimestre de 2025. O parecer da comissão que analisou a documentação apontou que os dados do período mostram uma situação financeira “equilibrada e coerente com as projeções feitas”, sem irregularidades a relatar. Entre os destaques do trimestre, foram mencionados o aumento das receitas com convênios, em razão de novas adesões e reajustes, e a elevação de despesas com pessoal, decorrente da readequação do quadro de funcionários, já prevista no planejamento.
Outro item de pauta aprovado foi a aquisição de materiais para o auditório da entidade e para a estruturação de um pequeno estúdio de gravação em áudio e vídeo. De acordo com a professora Silvia, os equipamentos serão utilizados tanto na melhoria das condições do auditório quanto na produção de podcasts e outros conteúdos da área de comunicação. Silvia destacou que os setores da entidade participam da elaboração das propostas orçamentárias, mas a realização dos gastos depende sempre da aprovação do CR.
ELEIÇÕES ADUNICAMP
O CR não opôs nenhuma restrição ou sugeriu mudanças no Calendário Eleitoral para as eleições da ADunicamp, já aprovado e apresentado pela Diretoria na reunião. As eleições, previstas para ocorrer nos dias 12 e 13 de maio, vão escolher a nova Diretoria e também o novo CR para o biênio 2026-2028.
O calendário estabelece os prazos para inscrição de chapas, divulgação de candidaturas, realização da votação, apuração dos votos e divulgação do resultado final. A professora Eneida afirmou que a participação das(os) associadas(os) será fundamental para definir os rumos da entidade no próximo período.
A abertura formal do processo eleitoral acontece com a divulgação do edital de convocação no dia 1º de abril. Na sequência, em 7 de abril, será realizada uma Assembleia de Docentes para a eleição da Comissão Eleitoral, responsável por conduzir e acompanhar todas as etapas do processo e garantir o andamento da eleição.
O período de inscrição de chapas para a diretoria e de candidaturas ao Conselho de Representantes será de 2 a 22 de abril, ou seja, 20 dias após a publicação do edital. Após o encerramento das inscrições, a divulgação das chapas inscritas está prevista para 23 de abril.
DATA-BASE 2026
Nos informes finais, Silvia Gatti relatou que acabara de participar de reunião do grupo técnico do Cruesp com o Fórum das Seis sobre a campanha salarial de 2026. Segundo ela, não houve apresentação de índices nem compromisso objetivo por parte dos reitores. A presidenta informou ainda que a pauta unificada foi aprovada nas assembleias das categorias e que a intenção é protocolá-la no Cruesp em 16 de abril. Ela avaliou que o cenário da negociação segue difícil e alertou para a possibilidade de greve. “A análise que está sendo feita no Fórum das Seis é que virá greve”, disse, ao pedir mobilização da categoria para as próximas assembleias.









0 Comentários