É com firmeza e profundo senso de responsabilidade coletiva que nos posicionamos frente aos questionamentos feitos recentemente à atuação da atual diretoria da ADunicamp e manifestamos publicamente nosso reconhecimento a seu trabalho consistente, corajoso, comprometido com a dignidade da vida docente e com o papel público da Universidade.
A atual diretoria jamais se furtou ao exercício pleno de sua função sindical. Ao contrário, tem atuado de maneira firme e contínua na defesa dos interesses da categoria docente em suas múltiplas dimensões — carreira, condições de trabalho, auxílios, aposentadoria e negociações salariais — alcançando resultados concretos, como o expressivo reajuste acumulado de 47,74% (incluindo os 20% do período pós-pandemia), entre 2022 e 2025, a ampliação de benefícios como o vale-alimentação e refeição, e a implementação do auxílio saúde.
Compreendemos que a política — tanto no âmbito interno da Universidade quanto externo a ela — é parte indissociável da prática sindical. No exercício dessa função, a diretoria, por meio de sua presidenta, não hesitou em enfrentar a Reitoria quando necessário, inclusive em temas complexos e não consensuais entre os docentes, como a cassação do título honoris causa de Jarbas Passarinho, o posicionamento sobre a Palestina e o debate em torno do convênio com o Technion, Instituto de Tecnologia de Israel. Ao mesmo tempo, tem buscado manter canais institucionais de diálogo, entendendo que a defesa dos interesses da categoria exige tanto firmeza quanto capacidade de interlocução — inclusive na atuação junto à Reitoria em pautas relativas a outras carreiras da Universidade. Portanto, a insinuação de que a diretoria não tem autonomia diante da Reitoria não procede.
A firmeza acima mencionada não é retórica — ela se expressa na prática e pode ser devidamente comprovada. Quando da discussão da autarquização da área de saúde da Universidade, a ADunicamp promoveu reuniões abertas, produziu boletins, participou de audiências públicas na Câmara de Vereadores de Campinas e em outros espaços institucionais, apresentando posicionamento técnico e político contrário à proposta, denunciando seus riscos estruturais e seu vínculo com o subfinanciamento das Universidades Públicas. O texto contrário à autarquização, elaborado pela LBS Advogadas e Advogados, foi utilizado como subsídio em inúmeros debates sobre o tema. Não houve omissão, nem hesitação — houve enfrentamento qualificado, sustentado por análise crítica e compromisso com o caráter público da Universidade.
Da mesma forma, no debate sobre o convênio com o Technion e a situação na Palestina, a diretoria assumiu posição pública, contundente e corajosa. Defendeu o cancelamento do acordo, apoiou moções pelo cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, integrou comitês de solidariedade e promoveu iniciativas políticas, acadêmicas e culturais em defesa do povo palestino. Em um contexto de forte pressão institucional e divergências internas, optou por não se calar diante de uma questão ética e humanitária de grande envergadura. Lançou comunicados diários, acompanhando nossos ativistas na Summit Flotilha.
Além disso, a ADunicamp tem desempenhado papel ativo em espaços como o Fórum das Seis, o ANDES-SN e diversas instâncias institucionais, sempre em defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Assumiu a coordenação do Fórum das Seis por dois períodos, atua conjuntamente com o Andes-SN em congressos e CONADs e tem presença ativa em audiências públicas e debates estratégicos sobre financiamento das Universidades e reformas estruturais, como as reformas administrativa e tributária.
Ressaltamos, também, sua intensa articulação com outras entidades sindicais, movimentos sociais e coletivos. A diretoria se aproximou dos estudantes indígenas e da pauta da permanência estudantil, com destaque para a criação do Grupo de Trabalho de Permanência no âmbito do Fórum das Seis junto ao CRUESP — uma conquista política de grande alcance, que impactará milhares de estudantes ao longo dos próximos anos e que deve ser motivo de orgulho para toda a comunidade universitária.
A ADunicamp tem, ainda, mantido e ampliado, a parceria constante com o MST em diversas atividades — incluindo ações nos assentamentos ativos na região, como o Marielle Vive e o Milton Santos —, apoiando cozinhas solidárias e desenvolvendo ações conjuntas com coletivos de mulheres negras, entre outros. Trata-se de uma atuação que reafirma, na prática, o compromisso com uma universidade pública inclusiva, socialmente referenciada e profundamente conectada às lutas da sociedade. A aproximação com as pautas indígenas, de pessoas pretas e pardas, LGBTQIA+, entre outras, aprofunda e qualifica esse trabalho político, promovendo a intersecção entre as lutas de classe e contra diferentes formas de opressão.
A atual diretoria também atuou de maneira firme com relação ao PIDS (Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável). Realizou reuniões abertas à comunidade acadêmica e à toda comunidade de Barão Geraldo para discutir os impactos do projeto sobre o meio ambiente e as condições de vida da população. Uma moção contrária ao PIDS foi aprovada na Assembleia da ADunicamp e membros da atual diretoria participaram de atos e audiências públicas contra esse projeto.
Mas a atuação da diretoria não se limita ao enfrentamento político. No período pós pandemia, assumiu com responsabilidade e sensibilidade a dimensão do cuidado, promovendo ações solidárias e redes de apoio que foram fundamentais para a comunidade. Manteve a entrega de cestas básicas às famílias de estudantes indígenas, o que perdurou por mais de três anos. Houve iniciativas voltadas à saúde mental de docentes da ativa e aposentados em um período de isolamento e sofrimento. No mesmo período, e ao longo dos últimos anos, essa política se expandiu por meio de atividades culturais, formativas e associativas que reconstruíram vínculos, fortaleceram a convivência e reafirmaram o sindicato como espaço de acolhimento e pertencimento coletivo.
Esse compromisso com a vida concreta e cotidiana da comunidade universitária também se expressa na realização — atualmente em fase de elaboração — de uma ampla pesquisa sobre as condições de trabalho e saúde de docentes e servidores técnico-administrativos, instrumento fundamental para orientar políticas baseadas em evidências. Soma-se a isso a elaboração da cartilha da Maternagem, lançada em 20 de março deste ano, sobre os direitos das pessoas que gestam e cuidam, marco relevante na incorporação de pautas de cuidado, equidade e justiça social na agenda sindical.
Ciente da importância de uma seção sindical combativa prestes a completar 50 anos, a atual diretoria reafirmou seu compromisso com a memória e a história do movimento docente, com a inédita organização e disponibilização de cerca de 2.000 documentos digitalizados no arquivo da ADunicamp — um patrimônio político que fortalece a identidade coletiva, estreita os vínculos históricos da luta sindical no país e sustenta as lutas do presente.
No campo mais amplo da atuação sindical, destacam-se também: a reativação do GT Previdência no âmbito do Fórum das Seis e do CRUESP; a atuação para que pesquisadores e pesquisadoras da Unicamp sejam representados(as) pela ADunicamp; a realização de seminários sobre financiamento das Universidades Públicas e carreira dos pesquisadores e pesquisadoras do Estado de São Paulo e a participação ativa em audiências públicas na ALESP em defesa da Universidade Pública e de suas carreiras.
É preciso reconhecer, ainda, um dado incontornável: o nível de mobilização da base docente tem sido limitado, com baixa participação em assembleias e ações coletivas. Esse cenário impõe à diretoria o desafio de atuar com sensibilidade, atenta à diversidade que nos constitui e zelosa de sua responsabilidade, equilibrando disposição de enfrentamento com as condições reais de engajamento da categoria — sem jamais abdicar de seus princípios.
Diante de tudo isso, não há espaço para leituras superficiais ou críticas levianas. Estamos diante de uma diretoria que atua, que enfrenta, que cuida, que articula e que constrói — com coragem política, sensibilidade social e profundo conhecimento da Universidade.
Reiteramos, portanto, nosso firme apoio à atual diretoria da ADunicamp e repudiamos as tentativas de desqualificação que ignoram, deliberadamente, as diferentes dimensões do trabalho realizado. Defender a ADunicamp é defender uma entidade viva, combativa e comprometida com sua base, com a universidade pública e com uma sociedade inclusiva e solidária.
Adriana Bernardes – IG
Adriana Piscitelli – PAGU
Álvaro Crosta – IG
Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis – FE
Ana Maria Reis de Goes Monteiro – FECFAU
André Kaysel – IFCH
Andréa Freitas – IFCH
Andréia Galvão – IFCH
Angela Soligo – FE
Anna Christina Bentes – IEL
Aparecida Neri de Souza – FE
Artionka Capiberibe – IFCH
Áurea Maria Guimarães – FE
Bárbara Castro – IFCH
César José Bonjuani Pagan – FEEC
Christiane Neme Campos – IC
David Debruyne – IG
Edson Joaquim dos Santos – Cotuca
Edwiges Morato – IEL
Emília Wanda Rutkowski – FECFAU
Eneida de Paula – IB
Evandro Ziggiatti Monteiro – FECFAU
Fernanda Surita – FCM
Francisco da Fonseca Rodrigues – Cotuca
Francisco Hideo Aoki – FCM
Gabriela Castelano – IFGW
Helenice Yemi Nakamura – FCM
Iara Beleli – PAGU
Inês Petrucci – FE
Jefferson Picanço – IG
João Ernesto de Carvalho – FCF
José Dari Krein – IE
Josely Rimoli – FCA
Josianne Francia Cerasoli – IFCH
Lehilton Lelis Chaves Pedrosa – IC
Luiza Nassif Pires – IE
Marcelo Alexandre Prado – FEA
Maria Cristina Bahia Wutke – Cotuca
Maria José Mesquita – IG
Milena Pavan Serafim – FCA
Nashieli Rangel Loera – IFCH
Natália Corazza Padovani – PAGU
Nilson Antonio Modesto Arraes – FEAGRI
Nima Spigolon – FE
Olívia Cristina Ferreira Ribeiro – FEF
Orlando Fontes Lima Jr – FECFAU
Paulo Velho – FCM
Patricia Dalsoglio Garcia – FECFAU
Rachel Meneguello – IFCH
Rafael Crivellari Saliba Schouery – IC
Rafael Straforini – IG
Raul Vinhas Ribeiro – FEEC
Raul Reis – IG
Regina Andrade Tirello – FECFAU
Regina Célia da Silva – CEL
Renata Barros – FCM
Ricardo Dahab – IC
Roberto Andreani – IMECC
Rodrigo Spina de Oliveira Castro – IA
Roberto Teixeira Mendes – FCM
Rozely Ferreira dos Santos – FECFAU
Sávio Machado Cavalcante – IFCH
Silvia Cristina Franco Amaral – FEF
Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina – FECFAU
Sandro Dias – COTIL
Tânia Alckmin – IEL
Verónica Andrea González-López – IMECC
Verônica Fabrini- IA
Wagner Romão – IFCH
Wanderley Martins – IA
ACESSE A VERSÃO EM PDF DA CARTA
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Divulgação realizada por solicitação da professora Emília Wanda Rutkowski (FECFAU), na condição de sindicalizada à ADunicamp. As opiniões expressas nos textos assinados são de total responsabilidade do(a)s autore(a)s e não refletem necessariamente a posição oficial da ADunicamp, nem de qualquer uma de suas instâncias (Assembleia Geral, Conselho de Representantes e Diretoria).









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