De 2014 a 2017, o valor destinado ao investimento e manutenção das universidades federais do Brasil passou de R$ 10,72 bilhões para R$ 7,34 bilhões, uma redução de R$ 3,38 bilhões. Os dados, divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que 44 das 64 universidades federais (70%) tiveram cortes de orçamento no último ano. Na prática, o resultado é percebido em cortes no setor de limpeza, na manutenção de equipamentos e no número de bolsas-auxílio oferecidas aos estudantes.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, representantes de dez universidades informaram que a redução na verba não acompanhou o crescimento das instituições. De 2006 a 2015, o número de estudantes das unidades passou de 589 mil para 1,1 milhão. “O ano de 2014 foi o último em que houve correção do custeio pela inflação do ano anterior e pela taxa de expansão do sistema”, declara Emmanyel Zagury, reitor da Universidade Federal do Pará e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.

Questionado, o governo federal afirma que a comparação com o ano de 2014 não é adequada por se tratar de um ano eleitoral. As autoridades apontam ainda que o orçamento deste ano é mais realista, previsto em R$ 1,44 bilhão. Até agora, no entanto, só foram investidos R$ 281 milhões.

“O problema começa em 2015, mas em 2017 está mais difícil. Tudo aumentou – contratos, dissídios das categorias dos terceirizados, etc, mas nosso recurso não cresceu. Começa, então, a haver uma diminuição na qualidade dos serviços”, explica Soraya Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo.

Para Zagury, a crise afeta todos os setores. “Não teríamos o sucesso que temos na produção de alimentos, na exploração de petróleo em regiões profundas e em outras áreas, por exemplo, sem a pesquisa na universidade federal”, aponta.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, prometeu liberar toda a verba para custeio, mas não garantiu o investimento total.