Opinião | Um marco histórico na Unicamp: DITADURA NUNCA MAIS!


Por Caio Navarro de Toledo (IFCH)

Passados 60 anos do golpe militar de 1964 – que instaurou, por cerca de 21 anos, um regime ditatorial no país – impõe-se, neste momento, que todos os setores democráticos se manifestem publicamente sobre estes eventos.

Como ex-membro da Comissão da Verdade e Memória “Octavio Ianni” da Unicamp (2013-2015) julgo ser relevante lembrar que, por solicitação desta Comissão, esta universidade, em 2016, mandou erigir, na Praça da Reitoria, uma escultura que homenageia os membros da comunidade acadêmica que sofreram violências físicas e morais durante o período de 1964-1985. De forma veemente, o texto da Placa-Totem repudia as ações da ditadura militar que “causaram profundos danos à economia, à educação, à cultura e ao meio ambiente do país, sendo responsáveis por graves violações dos direitos humanos (prisões, torturas, desaparecimentos e mortes) e pelo sistemático cerceamento das liberdades democráticas”.

A meu ver, trata-se de um marco histórico na vida política da Unicamp, pois nossa comunidade acadêmica manifesta publicamente sua condenação do golpe de 1964 e à ditadura militar. Um fato talvez inédito nos meios universitários brasileiros.

Denominada de “Reconhecimento, Memória e Verdade Histórica”, a Placa-Totem torna público seu reconhecimento e presta homenagem a dois tipos de membros desta comunidade acadêmica:

  • Docentes e ex-estudantes da Unicamp que sofreram sanções do regime militar ou punições por parte da Reitoria da universidade. Esses arbítrios se manifestaram de diferentes formas: prisões, torturas, perseguições e exclusões da universidade.

Foram ele/as: Ademir Gebara, Alberto Pelegrini Filho, Alberto Zeitune (in memoriam), Alcides Mamizuka, Álvaro Caropreso, Anamaria Testa Tambellini, Antônio Sérgio da Silva Arouca (in memoriam), Cristina Possas, Edson Corrêa da Silva, Eduardo Maia de Carvalho Freese, Eleonora Machado Freire (in memoriam), Elisabeth Moreira dos Santos, Francisco Eduardo Campos, Francisco Viacava, Gustavo Zimmermann, Hélio Rodrigues, João Aidar Filho, Joaquim Alberto Cardoso de Melo (in memoriam), José Augusto Cabral de Barros, José Eduardo Passos Jorge, José Rubens de Alcântara Bonfim, José Welmovick, Lais Tolentino, Luiz Antonio Vasconcelos, Luiz Carlos Toledo, Marilia Bernardes Marques, Osvaldo de Oliveira, Raimundo Araujo dos Santos (in memoriam), Rodolpho Caniato, Rosali Ziller de Araújo, Rubens Murillo Marques e Simão Lukowiecki (in memoriam);

  • Docentes da Unicamp que – antes de terem vínculos com esta universidade – sofreram algum tipo de sanção por parte do regime militar.

Foram ele/as: Álvaro Caropreso, Ana Fonseca, Ana Valderez (in memoriam), Ângela Araujo, Ângela Soligo, Antônio Carlos de Oliveira (in memoriam), Benito Damasceno, Bento Prado Ferraz Junior (in memoriam), Bernardino Figueiredo, Carlos Alberto Lobão, Carlos Eduardo Viegas da Silva, Carlos Estevam Martins (in memoriam), Carlos Lessa (in memoriam), Claudio Torres (in memoriam), Clovis Goldemberg (in memoriam), Dilma Rousseff, Elza Berquó, Frederico Mazzucchelli, Helena de Freitas, Izabel Marson, João Quartim de Moraes, Jorge Baptista Filho (in memoriam), Jorge Mattoso, José Serra, Leda Gitahy, Liana Aureliano, Lourdes Sola, Luiz Carlos Freitas, José Luiz Paes Nunes, José Machado, José Tomaselli, Leslie Denise Beloche, Luiz Carlos Cintra, Luiz Werneck Vianna (in memoriam), Lylia Guedes Galetti, Maria Lygia Quartim de Moraes, Marcelo Moreira Ganzarolli, Marco Aurélio Garcia (in memoriam), Maurício Tragtenberg (in memoriam), Nelson Rodrigues dos Santos, Ondina da Silva Pregnolatto, Osvair Vidal Trevisan (in memoriam), Paulo Freire (in memoriam), Paulo Roberto Beskow, Paulo Renato de Souza (in memoriam), Raul Pont, Renato Dagnino, Robêni Baptista da Costa, Roberto Romano da Silva (in memoriam), Roberto Schwarz, Sandra Negraes Brisolla (in memoriam), Sebastião Velasco e Cruz, Sérgio Salazar, Sérgio Silva (in memoriam), Sônia Draibe, Sílvio de Alencastro Pregnolatto, Vilma Barban, Waldir Quadros, Waldir Ribeiro Gallo e Zenaide Machado.

Na sessão pública de 16/3/2016 da inauguração oficial da Placa-Totem*[i], a Unicamp reiterou seu permanente compromisso público com o pensamento crítico, a verdade histórica e os valores da democracia.

Hoje e sempre, todos e todas que circulam pela Praça da Reitoria ficam informados, por meio dessa significativa escultura, que a Unicamp repudia o golpe de 1964 e a ditadura militar!

[i]* Texto da Placa-Totem:

“Por meio desta Placa, a Unicamp presta sua homenagem aos homens e mulheres da comunidade acadêmica que, lutando pela redemocratização, sofreram violências físicas e morais durante o longo período da ditadura militar. O militar Humberto de Alencar Castelo Branco, dignificado no extenso Painel ao lado, teve papel decisivo no golpe de Estado que derrubou o governo democrático de João Goulart (1961-1964) e na implantação da ditadura militar.

Como ficou evidenciado por inúmeras pesquisas históricas e pelos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, os cinco governos militares (1964-1985) causaram profundos danos à economia, à educação, à cultura e ao meio ambiente do país, sendo responsáveis por graves violações dos direitos humanos (prisões, torturas, desaparecimentos e mortes) e pelo sistemático cerceamento das liberdades democráticas.

Esta Placa cumpre, também, a necessária função de repudiar qualquer homenagem prestada a quem apoiou tais crimes.”

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Divulgação realizada por solicitação do Professor Caio N. de Toledo (IFCH), na condição de sindicalizado à ADunicamp. As opiniões expressas nos textos assinados são de total responsabilidade do(a)s autore(a)s e não refletem necessariamente a posição oficial da ADunicamp, nem de qualquer uma de suas instâncias (Assembleia Geral, Conselho de Representantes e Diretoria).

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