Durante a cerimônia de posse da nova Diretoria da ADunicamp para o biênio 2026/2028, realizada em 29 de maio, dirigentes que assumem a condução da associação apresentaram algumas das prioridades da nova gestão e refletiram sobre os desafios colocados para a universidade pública nos próximos anos. As intervenções destacaram temas como renovação geracional, ampliação da representatividade interna, fortalecimento da atuação nos campi de Limeira, defesa dos direitos docentes, sustentabilidade, cultura, democracia universitária e mobilização em defesa da educação pública.
Ao abrir as manifestações da nova diretoria, a presidenta reeleita Silvia Gatti ressaltou o esforço realizado para ampliar a diversidade de experiências representadas na gestão. Segundo ela, a composição da nova diretoria reúne docentes de diferentes gerações da Universidade, incluindo professores contratados após 2013, além de fortalecer a presença de representantes dos campi de Limeira.
“Nós temos agora docentes de diferentes gerações, que vivem situações distintas dentro da universidade. Hoje a gente precisa cuidar de todos e todas e entender melhor pelo que passam os nossos docentes”, afirmou. Silvia também destacou a importância do Conselho de Representantes, instância que definiu como fundamental para as decisões e debates da associação, e ressaltou que a Diretoria mantém maioria feminina, com seis mulheres entre os dez integrantes.
A 1ª vice-presidenta, Emília Wanda Rutkowski, defendeu que a questão ambiental ocupe papel central nas reflexões do movimento sindical docente. Para ela, a crise ecológica e os desafios da transição ambiental exigem maior envolvimento das entidades representativas, especialmente em uma universidade com tradição de pesquisa e formação na área, como é a Unicamp.
Emilia lembrou a participação histórica da ADunicamp em debates ambientais nacionais e destacou o protagonismo recente da associação em conselhos municipais e espaços de formulação de políticas públicas. “A gente tem um histórico muito importante e fundamental nesta pauta”, afirmou.
A professora Renata Barros (FCM), 2ª vice-presidenta, destacou a importância de ampliar a presença de pautas relacionadas às mulheres docentes e pesquisadoras, especialmente diante dos desafios enfrentados por quem concilia atividades acadêmicas, pesquisa, maternidade e responsabilidades familiares. Segundo ela, a atuação sindical deve contribuir para transformar experiências individuais em pautas coletivas, fortalecendo condições mais justas de trabalho e permanência na carreira universitária. “Precisamos fazer desse lugar um lugar cada vez melhor e mais tranquilo para seguir atuando fortemente em defesa da universidade pública”, afirmou.
A primeira secretária, Maria Cristina Bahia Wutke (Cotuca), ressaltou a necessidade de dar maior visibilidade às realidades dos colégios técnicos e dos campi fora de Barão Geraldo. Docente do Cotuca e integrante de antigas gestões da entidade, ela destacou que as especificidades dessas unidades muitas vezes permanecem pouco conhecidas dentro da própria Universidade. Segundo ela, fortalecer a presença da ADunicamp nessas bases é uma das tarefas da nova gestão. “A luta continua a mesma”, resumiu, ao relacionar os desafios atuais à trajetória histórica de defesa da democracia, da autonomia universitária e da liberdade de expressão.
Representando a Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), também de Limeira, o segundo secretário Paulo Van Noije afirmou que aceitou integrar a diretoria motivado pelas conquistas recentes da associação e pela forma de atuação adotada pela gestão anterior. Para ele, a ADunicamp tem conseguido manter uma relação de diálogo com a administração universitária sem abrir mão da autonomia necessária para defender os interesses da categoria. Paulo destacou ainda o compromisso de ampliar os serviços e a presença da associação nos campi externos, além de contribuir para debates sobre creches, sustentabilidade e mediação de conflitos. “Acredito que a gente tem um papel a desempenhar nisso, até pela formação da chapa, que expressa diferentes experiências e visões presentes dentro da Universidade”, afirmou.
SOB ATAQUES
A primeira tesoureira, Regina Célia da Silva (CEL), situou a posse da nova diretoria em um contexto marcado por importantes mobilizações sociais e sindicais. Ao mencionar a greve das universidades estaduais paulistas e os debates nacionais sobre direitos trabalhistas, ela afirmou que assumir uma direção sindical representa uma responsabilidade política diante dos desafios enfrentados pela educação pública.
“A ADunicamp não é pouca coisa. É uma das maiores seções sindicais docentes do país”, afirmou. Para Regina, sindicatos devem atuar como instrumentos de organização coletiva e defesa de direitos, preservando sua autonomia financeira e política para enfrentar processos de precarização e mercantilização da educação. Ela também manifestou preocupação com episódios recentes de repressão e criminalização de movimentos estudantis em universidades públicas, defendendo que conflitos e reivindicações sejam enfrentados por meio do diálogo e não por medidas repressivas.
O diretor administrativo Marcelo Alexandre Prado reforçou o compromisso da nova gestão com a defesa dos direitos docentes, tanto dos profissionais da ativa quanto dos aposentados. “É nosso dever como sindicato e como associação defender os nossos direitos frente a quem quer que seja”, afirmou, destacando a continuidade do trabalho desenvolvido pela diretoria anterior.
Já o diretor cultural Wanderley Martins destacou a importância da valorização das atividades artísticas e culturais produzidas dentro da Universidade. Docente do Instituto de Artes, ele chamou atenção para a necessidade de preservar e fortalecer carreiras específicas da área artística, que considera parte importante da identidade da Unicamp.
Entre as propostas apresentadas, está a ampliação do projeto “Prata da Casa”, com maior espaço para artistas formados pela Universidade e para docentes que desenvolvem atividades artísticas. “Todos os artistas formados por aqui têm a porta da ADunicamp aberta”, afirmou.
As falas dos novos dirigentes convergiram em torno da defesa da universidade pública, da valorização da diversidade presente na comunidade acadêmica e da necessidade de fortalecer a atuação coletiva diante dos desafios que se colocam para a educação superior pública nos próximos anos.
Desafios da greve, realização de pesquisa docentes e os 50 anos da ADunicamp
Ao encerrar a cerimônia de posse da nova Diretoria da ADunicamp, a presidenta reeleita Silvia Gatti destacou os principais desafios que deverão mobilizar a associação nos próximos meses e apresentou algumas das iniciativas estratégicas já em andamento. A dirigente também lançou oficialmente as comemorações dos 50 anos da entidade, que serão celebrados em 2027 com uma ampla programação de atividades.
Silvia iniciou sua fala com um relato sobre a atual greve unificada das universidades estaduais paulistas, que reúne docentes, estudantes e servidores(as) técnico-administrativos em torno das reivindicações por recomposição salarial e ampliação das políticas de permanência estudantil. Segundo ela, a prioridade neste momento é a retomada imediata das negociações entre o Fórum das Seis e o Cruesp.
“A gente quer uma mesa de negociação já”, afirmou. Para a presidenta, é fundamental que os reitores retomem o diálogo com as categorias para buscar uma solução para os conflitos que atravessam as universidades paulistas. Ela também criticou episódios de repressão a mobilizações estudantis e defendeu que as reivindicações da comunidade universitária sejam tratadas por meio da negociação e do diálogo.
Entre os projetos prioritários da nova gestão, Silvia destacou a pesquisa que será realizada junto aos trabalhadores da Universidade para mapear as atuais condições de trabalho na Unicamp. O levantamento deverá envolver docentes, técnico-administrativos e também trabalhadores(as) da Funcamp, abordando temas como sobrecarga laboral, assédio, condições de saúde, trabalho remoto e impactos das transformações recentes no ambiente universitário. “Nossos trabalhadores(as) estão expostos hoje a um trabalho, por vezes, exaustivo, a condições laborais inadequadas, assédios e violências que não podem mais acontecer em nossos espaços”, afirmou.
Ao final da cerimônia, Silvia apresentou o logotipo comemorativo dos 50 anos da ADunicamp e anunciou o início das celebrações que marcarão o cinquentenário da entidade, fundada em 12 de maio de 1977. “A partir do dia 1º de junho, essa associação estará festivamente comemorando os seus 50 anos”, anunciou.
As comemorações deverão se estender ao longo de 2027, reunindo atividades culturais, debates, ações de memória institucional e iniciativas voltadas à participação da comunidade universitária. A proposta é celebrar a trajetória da associação e, ao mesmo tempo, reafirmar seu papel histórico na defesa da universidade pública, da democracia e dos direitos da categoria docente.
Composição da nova Diretoria e do novo Conselho de Representantes
Chapa Trabalho Docente, Direitos Sociais e Democracia – ADunicamp Unida e Combativa:
Presidente – Maria Silvia Viccari Gatti (IB)
1ª Vice-Presidente – Emilia Wanda Rutkowski (FECFAU)
2ª Vice-Presidente – Renata Barros (FCM)
1ª Secretária – Maria Cristina Bahia Wutke (Cotuca)
2º Secretário – Paulo Van Noije (FCA)
1ª Tesoureira – Regina Célia da Silva (CEL)
2º Tesoureiro – Roberto Andreani (IMECC)
Diretor Administrativo – Marcelo Alexandre Prado (FEA)
Diretora de Imprensa – Ana Maria Reis de Góes Monteiro (FECFAU)
Diretor Cultural – Wanderley Martins (IA)
Conselho de Representantes
Alfredo Suppia (IA)
Aline Marcondes Miglioli (IE)
Danielle Satie Kassada (FENF)
David Jozef Cornelius Debruyne (IG)
Maria José Mesquita (IG)
Diama Bhadra Andrade Peixoto do Vale (FCM)
Diego Muraca (IFGW)
Patrícia Camargo Magalhães (IFGW)
Pedro Cunha de Holanda (IFGW)
Edivaldo Góis Junior (FEF)
Elaine Prodócimo (FEF)
Mariana Simões Pimentel Gomes (FEF)
Olívia Cristina Ferreira Ribeiro (FEF)
Eleonore Zulnara Freire Setz (IB)
João Batista Fogagnolo (FEM)
João Ernesto de Carvalho (FCF)
Mary Ann Foglio (FCF)
Lalo Watanabe Minto (FE)
Luciano Pereira (FE)
Lehilton Lelis Chaves Pedrosa (IC)
Marco Antônio Garcia de Carvalho (FT)
Milton Shoiti Misuta (FCA)
Stella Zagatto Paterniani (IFCH)









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