O 69º CONAD do ANDES-SN, realizado em São Luís (MA), teve início na sexta-feira, 3 de julho, e reuniu mais de 300 docentes de diversas regiões do país para debater e deliberar sobre os principais temas de interesse da categoria. Com o tema “Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”, o encontro constitui uma das principais instâncias deliberativas do Sindicato Nacional, responsável por avaliar a conjuntura e definir encaminhamentos para a atuação da entidade.
Foi nesse contexto que os Coletivos de Negras e Negros e de Docentes LGBTI+ do ANDES-SN realizaram manifestações reafirmando a importância do enfrentamento às diferentes formas de discriminação presentes na sociedade, nas instituições de ensino e também no movimento sindical.
As intervenções ocorreram antes do início da Plenária II, realizada no sábado, 4 de julho. Abrindo as atividades, o Coletivo de Negras e Negros do ANDES-SN apresentou uma carta política reafirmando o compromisso da entidade com a luta antirracista e destacando os avanços conquistados pelo Sindicato Nacional nessa agenda.
O documento afirma que o coletivo nasceu da compreensão de que “não basta abrir as portas de um sindicato se o racismo continua atravessando os corredores” e reforça que “a luta de classes no Brasil não existe sem enfrentamento ao racismo”.
A carta também destaca conquistas importantes da entidade, como a campanha “Sou Docente Antirracista”, o crescimento da participação de docentes negras e negros nos congressos e CONADs e o fato de o ANDES-SN contar atualmente com um presidente negro, considerado pelo coletivo um marco de profundo significado político e histórico.
Ao mesmo tempo, o texto ressalta que esses avanços não eliminam os desafios ainda enfrentados pela categoria. Entre eles, denuncia que docentes negras e negros continuam sendo perseguidos por denunciarem práticas racistas, convivem com processos cotidianos de desumanização nas universidades e enfrentam o epistemicídio, que insiste em negar a legitimidade de suas produções intelectuais.
Outro ponto enfatizado é a sub-representação de pessoas negras nos espaços de decisão. Conforme a carta, “ainda somos minoria nos espaços de decisão” e “ainda somos muitas vezes chamados apenas para compor a fotografia da diversidade, enquanto as decisões continuam sendo tomadas sem nós”.
Um dos momentos mais marcantes da leitura ocorreu quando o coletivo ecoou a pergunta: “E nós, não somos docentes?” A provocação reafirma que docentes negras e negros pesquisam, ensinam, produzem conhecimento e também exercem um papel fundamental ao denunciar o racismo que atravessa as instituições de ensino.
Ao encerrar a manifestação, a carta reforçou que o enfrentamento ao racismo não pode ser responsabilidade exclusiva da população negra. Segundo o documento, trata-se de um compromisso que deve ser assumido por todo sindicato que pretenda ser efetivamente democrático. “A luta é pela democracia, pela universidade pública e pela classe trabalhadora”, afirma o texto, que conclui com um chamado para que toda a categoria caminhe unida, reconhecendo que ainda há muito a ser conquistado.
Docentes LGBTI+ defendem fortalecimento das pautas da categoria
Na sequência, o Coletivo de Docentes LGBTI+ do ANDES-SN realizou uma manifestação no plenário em defesa do fortalecimento das pautas relacionadas à população LGBTI+ na atuação do Sindicato Nacional.
Durante o ato, o coletivo ressaltou que o combate à LGBTI+fobia deve ocupar um espaço permanente nas discussões sobre a carreira docente e nas ações políticas desenvolvidas pelo ANDES-SN. Também defendeu que esse enfrentamento precisa ocorrer nas próprias instâncias sindicais, garantindo o respeito aos direitos da população LGBTI+ e fortalecendo sua participação nos espaços de construção política da entidade.
A manifestação reafirmou que a defesa da diversidade, do respeito às identidades e dos direitos da população LGBTI+ integra a luta mais ampla pela universidade pública, pela democracia e pelos direitos humanos, reforçando que o Sindicato Nacional deve seguir comprometido com o enfrentamento a todas as formas de discriminação.









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