Saúde docente volta ao centro do debate em meio à data-base. Pesquisa revela dados alarmantes

Em meio ao período de data-base, a discussão sobre as condições de trabalho e os impactos na saúde docente volta ao centro do debate. Dados da enquete realizada pelo ANDES-SN ao longo de 2024 sobre as Condições de Trabalho e Saúde dos(as) Docentes que atuam nas Universidades Públicas revelam que o excesso de trabalho, a falta de tempo para a execução das demandas e a necessidade de dedicar finais de semana ao serviço profissional afetam a maioria das(os) docentes da Unicamp que participaram do levantamento.

Os resultados gerais da pesquisa foram apresentados pelo ANDES-SN no primeiro semestre de 2025. No caso da Unicamp, os números foram detalhados pela presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti, em encontro aberto realizado durante a reunião do CR (Conselho de Representantes), ocorrida em 27 de maio de 2025. Embora a pesquisa tenha sido realizada em universidades de todo o país, os dados divulgados são exclusivos da Unicamp e refletem as respostas encaminhadas por 184 docentes da Universidade.

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Na ocasião, a professora destacou que os resultados evidenciam a presença constante da multiplicidade de tarefas na rotina docente, com impactos diretos sobre a saúde e a vida pessoal. “Os números mostrados aqui evidenciam essa presença constante na vida de vocês docentes, que é a multiplicidade do trabalho, com o comprometimento da saúde e da vida pessoal e privada”, afirmou.

De acordo com os resultados, 76% das(os) respondentes indicaram que o trabalho excede a carga horária prevista. Além disso, 85% afirmaram que, com frequência (37%) ou sempre (47%), o tempo disponível não é suficiente para o cumprimento de todas as demandas. Diante desse cenário, 86% relataram trabalhar aos finais de semana frequentemente (43,5%), algumas vezes (25%) ou sempre (18%). Outro dado relevante aponta que 58,7% afirmaram que a carga de trabalho aumentou após a pandemia da Covid-19.

Esse quadro é agravado pela pressão constante pelo cumprimento de prazos, mencionada por quase 94% das(os) docentes entrevistadas(os). Para 47%, essa pressão é permanente; para 30,4%, ocorre com frequência; e para 15,2%, acontece eventualmente.

A questão da saúde também aparece como um ponto de grande preocupação. Segundo a enquete, 46% das(os) docentes relataram sofrer de problemas diretamente ligados às tensões no trabalho, como enxaqueca, transtornos de ansiedade e alterações de humor, entre outros sintomas.

Durante a apresentação dos resultados, a professora Silvia Gatti ressaltou a necessidade de aprofundar o debate institucional sobre o tema. Segundo ela, a ADunicamp tem solicitado à Reitoria a realização de uma pesquisa mais ampla e representativa sobre a saúde mental do corpo docente, sem que, até o momento, haja respostas concretas. “A saúde mental na Universidade precisa ser analisada e investigada”, destacou.

Os resultados exclusivos da enquete do ANDES-SN referentes à Unicamp estão organizados em gráficos que abrangem mais de 70 páginas e analisam diversos aspectos relacionados à vida, ao trabalho e à saúde das(os) docentes.

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