A Pauta Unificada de Reivindicações proposta pelo Fórum das Seis para a Data-base 2026 foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Geral de docentes reunida nesta terça-feira, 17 de abril, no auditório da ADunicamp. As reivindicações da Pauta estão organizadas em oito eixos (veja abaixo), sendo o primeiro dedicado à recomposição salarial. A proposta prevê um reajuste de 14,6%, calculado a partir das perdas salariais acumuladas desde 2012, somadas à inflação medida pelo IPCA até janeiro de 2026. Ainda não foram incorporados ao cálculo os índices inflacionários de fevereiro, março e abril deste ano.
“No momento, é impossível fazer uma projeção das inflações de março e abril, diante da incerta conjuntura nacional e mundial, inclusive por causa da guerra em curso no Irã. Mas, já levando em conta a inflação de fevereiro, o índice pode chegar ao entorno de 17%”, explicou a presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB) que presidiu a assembleia.
A professora Silvia lembrou que, como faz todos os anos, o índice reivindicado chega a esse patamar porque inclui as perdas acumuladas desde maio de 2012, ano que registrou o maior poder aquisitivo das carreiras nas universidades estaduais nas últimas décadas. Mas ela apontou também que, diante da perda de arrecadação do ICMS, de onde sai a quota-parte destinada às Universidades Paulista, as condições para a negociação com o Cruesp “não são muito favoráveis” neste momento.
Afinal, além da baixa expectativa na arrecadação do ICMS, o alto comprometimento da folha no orçamento das Universidades Paulistas, que chega a 94% na Unicamp e 84% na USP e Unesp, também implica em negociações difíceis. “Temos que ser realistas, mas o nosso papel é nos sentarmos com o Cruesp e negociar. Temos que trabalhar para termos recuperação. Daí é importante colocar os números reais e negociar para recuperarmos o que for possível neste momento”, ponderou ela.
A data final para a realização de todas as assembleias da base foi estabelecida pelo Fórum das Seis para esta terça-feira, 17. Já na quarta, 18 de abril, o Fórum avaliará os resultados das assembleias e finalizará a Pauta Unificada. “Caso surjam discordâncias importantes, vindas dessas assembleias, serão marcadas novas assembleias, ainda em março. O prazo final para a entrega da pauta ao Cruesp é o próximo 15 de abril.”
OITO EIXOS
Os oito eixos que integram a Pauta Unificada proposta pelo Fórum das Seis e aprovada pela assembleia são os seguintes: Recomposição salarial e isonomia; Valorização dos níveis iniciais das carreiras; Financiamento e reforma tributária; Previdência; Acesso e permanência estudantil/gratuidade ativa; Condições de trabalho e estudo; Defesa da saúde pública, dos Hospitais Universitários (HU) e Centros de Saúde; Centro Paula Souza.
As principais reivindicações apresentadas nos oito eixos (leia o detalhamento deles aqui), fazem parte de lutas permanentes que têm sido travadas pelos sindicatos e associações representativas da comunidade acadêmica das Universidades Paulistas. “No caso, por exemplo, da valorização dos níveis iniciais das carreiras, já ocorreram movimentos significativos aqui na Unicamp e também na USP, mas nenhuma das propostas que chegaram até nós conseguiram avançar no Cruesp. Então temos que persistir e seguir na luta por ela”, afirmou a professora Silvia.
Na questão do financiamento das Universidades Paulistas e dos impactos da reforma tributária, Silvia afirmou que as ações têm sido permanentes. “Continuamos pedindo mais financiamento. Temos ido a Alesp anualmente, apresentando números aos deputados colocando a pauta de aumentar o financiamento no orçamento destinado às universidades. Trabalhamos por isso e temos participado ativamente. No caso da reforma tributária também já apresentamos emendas na Alesp e temos acompanhado os movimentos e propostas que têm sido feitos ali.” (leia mais no boletim ADunicamp/março)
O debate sobre permanência estudantil tem sido colocado em todas as pautas de reivindicações do Fórum das Seis. “Graças a isso, conseguimos estruturar o GT permanência com o Cruesp. E os trabalhos seguem em curso. Já recebemos relatórios das três universidades e eles estão sob análise do GT. De certa forma, na Unicamp, temos que ter uma satisfação sobre isso, pois fazemos muito. E mesmo assim ainda não é o suficiente. A luta hoje é também por isonomia, para que os benefícios concedidos sejam o mais próximo entre as três universidades”, ponderou.
Assembleia aprova novo ponto de pauta: ‘Docência não é maquinaria’
A assembleia aprovou por unanimidade a proposta de que a ADunicamp leve uma nova reivindicação a ser inserida na Pauta Unificada do Fórum das Seis. A pauta trata do excesso de mensagens de trabalho que docentes recebem diariamente por meios eletrônicos, com desrespeito à jornada e inclusive aos sábados e domingos. “É uma verdadeira violência que sofremos. O relatório sobre saúde docente, realizado pelo ANDES-SN, evidencia impactos provocados pela chegada dessas mensagens. Em média, são de 15 a 20 mensagens diárias, com informações e cobranças excessivas de trabalho”, apontou a professora Silvia Gatti.
Abaixo, a integra da proposta aprovada, encaminhada pela Profa. Josianne Cerasoli (IFCH /Unicamp):
“Docência não é maquinaria
– Cotidiano digno para o trabalho docente (livre de assédio tecnológico e gestão desumanizada dos processos acadêmicos e de carreira).
– Direito à desconexão (respeito ao período de descanso diário, semanal, de férias, de licenças, de afastamentos, com suspensão de rotinas automatizadas que ferem o tempo de trabalho contratual).
– Valorização das diferenças geracionais na abordagem das novas tecnologias de informação e comunicação do cotidiano docente.”
INFORMES
Antes do início dos debates, a professora Silvia e a professora Regina Celia de Sousa (diretora da ADunicamp e vice-secretária da Regional São Paulo do ANDES-SN) apresentaram ações em curso nas duas agremiações.
A ADunicamp, lembrou Silvia está dando apoio e disponibilizará transporte para docentes interessados em participar de três manifestações programadas para os próximos dias. No dia 7 de abril a ADunicamp vai participar de manifestação organizada por sindicatos e associações ligados ao segmento da saúde pública em Campinas. A marcha, programada para iniciar em frente à Catedral de Campinas e marchar até a Prefeitura, tem como principais palavras de ordem a defesa do SUS (Serviço Único de Saúde) e a urgência de maiores investimentos municipais para os serviços públicos de saúde no município. “Ontem realizamos reunião com vários segmentos da área em Campinas. As condições da saúde em Campinas estão péssimas. E esse é um movimento importante para nós”, defendeu Silvia.
Já nos dias 26 a 29 de março, em parceria com STU, a ADunicamp participará e disponibilizará transporte para interessados(as) em acompanhar 1ª Conferência Internacional Antifascista Pela Soberania dos Povos, que será realizada em Porto Alegre (leia aqui). O transporte sairá de Campinas no dia 25 de março (quarta-feira), com retorno previsto para o dia 30 de março (segunda-feira). Organizada por forças antifascistas de diversos países, a conferência contará com uma programação que inclui debates, painéis temáticos e atividades participativas voltadas ao fortalecimento dos movimentos sociais, sindicais e da juventude. O objetivo é fomentar a construção de alternativas concretas de solidariedade internacional e de enfrentamento ao fascismo.
A ADunicamp também disponibilizará transporte para docentes interessados(as) em participar da manifestação em defesa da educação pública, convocada pela Apeoesp, programada para ocorrer em São Paulo, em 20 de março.
A professora Regina informou que o ANDES-SN realizará, em 8 e 9 de maio, o seu encontro regional em Campinas. “O tema central será o financiamento, ou melhor, o desfinanciamento das universidades. O ANDES-SN tem preparado uma pesquisa robusta sobre o desfinanciamento das universidades públicas brasileiras. A pesquisa será lançada em Brasília, entres 6 e 12 de abril, com a apresentação de todos os resultados. O objetivo é subsidiar, fornecer elementos, para a unidade das lutas das estaduais no país”, avaliou.
Regina fez também um breve relato do 44° Congresso Nacional do ANDES-SN, ocorrido no início deste mês em Salvador. Uma das principais questões apresentadas, para a agenda 2026, foi a questão da necessidade de mudanças na organização central e da necessidade de mudanças no sindicato nacional. “Temos uma base muito ativa querendo mudanças na organização do nosso sindicato. É consenso que teremos que ter muitas mudanças para poder avançar”, afirmou. Essas mudanças, que já têm sido profundamente discutidas, envolvem desde o formato das eleições até a relação e a participação das bases na organização.









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