Roda de conversa debate ataques à universidade e à pesquisa pública no Estado de São Paulo

A defesa da universidade pública passa não apenas pela garantia de seu financiamento e de sua autonomia, mas também pela capacidade de mostrar à sociedade a importância do conhecimento produzido dentro dessas instituições. Essa foi uma das questões destacadas pela presidenta da ADunicamp, Silvia Gatti, durante a primeira roda de conversa do ciclo “Universidade, Ciência e Democracia em Debate”, realizada no último dia 16 de setembro.

“A discussão da universidade não pode ficar restrita aos nossos muros internos. A gente precisa sair desses muros e ir para a sociedade. Contar o que fazemos”, afirmou Silvia. Para ela, é necessário mostrar como o trabalho realizado nas universidades está presente no cotidiano da população, em áreas como saúde, alimentação, meio ambiente e tecnologia. “A sociedade precisa nos enxergar como um lugar de produção de melhores condições de vida para a sociedade.”

Promovida pela ADunicamp, STU e DCE, a roda teve como tema “A universidade e a pesquisa sob ataque no Estado de São Paulo” e contou também com a participação de Helena Dutra Lutgens (APqC) e José Luís Pio Romero (STU). O encontro discutiu o desmonte dos institutos públicos de pesquisa, as ameaças ao financiamento e à autonomia das universidades estaduais paulistas e os desafios para a defesa da ciência e da pesquisa pública.

Institutos públicos de pesquisa
Helena Dutra Lutgens recuperou o processo de enfraquecimento dos institutos públicos de pesquisa no Estado de São Paulo. Entre os exemplos, lembrou a extinção, em 2020, de instituições como o Instituto Florestal, o Instituto de Botânica e o Instituto Geológico.

Ao falar sobre esse processo, Helena destacou a importância da organização coletiva para a defesa da ciência pública. “São lutas constantes, frequentes, e é muito importante que a gente se mantenha militante, atuante, atento e participativo.”

A pesquisadora também defendeu uma aproximação maior entre universidades e institutos públicos de pesquisa. “Quando vocês falam de refletir sobre o modelo de universidade, eu gostaria que vocês pensassem nos institutos públicos de pesquisa também, que a gente pudesse fazer isso junto.”

Financiamento e autonomia
José Luís Pio Romero apresentou um histórico das mobilizações pela autonomia e pelo financiamento das universidades estaduais paulistas, desde a conquista da autonomia universitária no final da década de 1980 até as disputas mais recentes em torno do orçamento das instituições.

Pio chamou atenção especialmente para as incertezas provocadas pela reforma tributária e pela substituição gradual do ICMS pelo IBS. Segundo ele, ainda não há uma definição sobre como será garantido o financiamento das universidades estaduais paulistas nesse novo cenário.

Ao final de sua participação, defendeu a ampliação da mobilização em defesa das instituições públicas. “A gente tem que tentar engajar o máximo de pessoas possível para, nessa luta, conseguir reagir. Temos que nos engajar para defender o patrimônio público que foi constituído ao longo de décadas.”

“Vamos reagir”
Ao encerrar a atividade, Silvia Gatti retomou justamente a necessidade de transformar o debate em mobilização. “Vamos fazer eventos, fazer ações. Vamos reagir. Vamos assumir isso.” A presidenta da ADunicamp também convidou a comunidade a participar das próximas atividades do ciclo.

A primeira roda de conversa integra a programação da campanha “Em defesa da universidade pública, da ciência, da educação e da democracia”, que busca ampliar o debate sobre a importância dessas instituições e valores para a sociedade brasileira e chamar a atenção, neste período eleitoral, para o impacto das escolhas políticas sobre o futuro da educação pública, da pesquisa, da ciência e da própria democracia.

Quer acompanhar a discussão completa? A íntegra da roda de conversa está disponível no canal da ADunicamp no YouTube, acesse aqui.

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