1

Especial 18 de Agosto: milhares ocupam as ruas e ADunicamp também vai a atos contra Reforma Administrativa

Milhares de servidores públicos municipais, estaduais e federais, apoiados/as por integrantes de outras categorias profissionais, ocuparam ruas e praças de 19 estados brasileiros e do Distrito Federal para protestar contra a Reforma Administrativa (PEC-32) proposta pelo Governo Federal e que tramita no Congresso Nacional.

Em conjunto com as demais entidades que integram o Fórum das Seis, a ADunicamp participou também do Ato/Plenária virtual, que chegou a ser acompanhado por quase 700 pessoas, de várias cidades brasileiras (assista no player abaixo).

Além de provocar um retrocesso sem precedentes em direitos trabalhistas do funcionalismo, a PEC-32 ameaça provocar um desmonte nos serviços públicos, inclusive em áreas essenciais como educação e saúde. Por isso, centrais sindicais, sindicatos e entidades da sociedade civil organizada convidaram toda a população a participar dos atos.

A ADunicamp, por decisão tomada na assembleia de docentes de 17 agosto, participou das manifestações em frente a Reitoria da Universidade, pela manhã, e no Largo do Rosário, na região central de Campinas, à tarde. 

Os atos da manhã, realizados em parceria com o STU, assim como o Ato/Plenária virtual, seguiram orientação do Fórum das Seis e incluíram também a questão da Data-base/2021, com o objetivo de pressionar o Cruesp a retomar as negociações que estão paralisadas desde julho. Assim, além de faixas, cartazes e palavras de protesto contra a PEC-32, ADunicamp e STU se manifestaram também pela volta imediata das negociações.

Inclusive porque, segundo a presidente da ADunicamp, professora Sílvia Gatti (IB), uma das reivindicações da pauta, a construção de um plano conjunto de retorno às aulas presenciais, exige decisões urgentes.

Em todos os atos nacionais ocorreram também manifestações pela volta imediata do auxílio emergencial de, pelo menos, R$ 600. O uso de máscaras e o respeito às medidas sanitárias para evitar contágios pela Covid-19 foram recomendados para a participação da comunidade nas manifestações.




PEC-32 quer desmonte e privatização de serviços públicos e, se aprovada, vai ampliar a desigualdade social no país

Ao contrário do que se espera de uma reforma, a melhoria daquilo que vai ser reformado, a chamada Reforma Administrativa proposta pelo Governo Federal na PEC-32, que tramita no Congresso Nacional, vai desmontar os serviços públicos, desqualificar a qualidade dos profissionais de atendimento e ampliar a desigualdade social no país, ao dificultar o acesso das populações mais vulneráveis a eles.

Essas avaliações foram feitas pelo diretor Administrativo da ADunicamp, professor Edson Santos (Cotuca) e pelo presidente do SindQuinze (Sindicato dos Servidores Públicos Federais da Justiça do Trabalho da 15° Região), Ivan Bagini, no debate Reforma Administrativa. Quem vai ganhar com isso?”, promovido neste sábado, 13 de agosto, pela Rádio Comunitária Noroeste, de Campinas. O debate foi mediado pelo radialista e diretor da Rádio, Jerry de Oliveira.

“É fato que o serviço público aponta algumas deficiências no Brasil e que certos setores deveriam ser mais eficientes. Isso ocorre principalmente na gestão e o que se espera é que os gestores tenham qualificação técnica, mas vemos muito gestores com baixa qualificação, indicados por governantes por terem feito trabalho de campanha para políticos, candidatos. E essas coisas precisavam ser corrigidas. E com investimentos em qualificação”, afirmou o professor Edson.  

Mas o que a PEC-32 propõe vai na direção exatamente contrária, ou seja, a desqualificação ainda maior de agentes do serviço público, com a redução drástica de concursos. Somada ao fim da estabilidade no emprego, também proposto na PEC, a redução de concursos vai liberar governantes de plantão para demitir quem queira e contratar aliados políticos.

E na opinião de Edson, em vez de propor a melhor qualificação de trabalhadores/as, docentes e profissionais de saúde “que estão nas escolas, postos de saúde, arrumando as ruas”, que é o que se deveria se esperar de uma reforma, a “PEC chega com essa proposta de desqualificação total”. “E, obviamente, a desqualificação de profissionais vai impactar seriamente todos os serviços públicos”.

A VOLTA DOS ‘BARNABÉS’

Edson lembrou que até a promulgação da Constituição Cidadã, de 1988, não existiam concursos para o serviço público no Brasil. Ivan Bagini contou que, exatamente por causa disso, desde o começo do século passado agentes do serviço público eram apelidados de “barnabés”.

O termo, tirado de uma música satírica da época, correspondia, segundo Ivan, ao chamado “puxa-saco”. “Para se manter no emprego, o barnabé era obrigado a ser subserviente e bajular governantes, fossem quem fossem”. Os concursos não só colocaram limites nessa situação, mas democratizaram o acesso ao emprego público.

O critério de seleção no concurso público é a maior capacitação dos/as candidatos/as. “Não importa se é alto ou baixo, branco ou negro, gordo ou magro”, avaliou Ivan. E foi isso que permitiu que pessoas de todas as etnias, opções sexuais e classes sociais pudessem disputar cargos públicos, sem indicações políticas ou de amizades no poder. 

“A forma mais democrática de buscar um emprego é o concurso. Qualquer um que estude e se prepare pode chegar ao cargo. Com a PEC-32 vamos regredir 40, 50 anos”, ponderou o professor Edson.

Ao contrário do que acontecia no passado, a Constituição também estabeleceu regras claras para a atuação no serviço público. “O servidor não atua da forma como ele quer. Não tem um gerente, um diretor, que defina vai fazer assim ou assado. As leis estabelecem como o servidor público deve atuar, sempre com base na impessoalidade e moralidade. Não pode fazer aquilo que quer, mas aquilo que a legislação determina”, apontou Ivan. 

‘ESTRADA DE PRIVATIZAÇÃO’

Para o presidente do SindQuinze, a PEC-32 pretende claramente “abrir uma estrada de privatização” dentro dos serviços públicos, entregando setores essenciais para a iniciativa privada, num processo que já “vem ocorrendo de forma acelerada, desde 2016, com empresas públicas”.

“As pessoas mais antigas, como nós, vão lembrar que antes da Constituição de 1988 não tínhamos leis que regulamentassem o funcionamento do serviço público. O aprimoramento e a fiscalização só vieram depois”, afirmou Ivan.

Os dois debatedores lembraram que, ao contrário daquilo que propalam os defensores da PEC, os gastos com serviços estão na essência da gestão do Estado. Afinal, segundo eles, serviço público é aquilo que a população recebe em troca do imposto que paga, direta ou indiretamente. 

“E quando se faz uma Reforma Administrativa que abre uma avenida para a participação de empresas privadas no setor, temos uma inversão total da lógica. O acesso certamente será mediante pagamento. O acesso à saúde, segurança, terá que ser pago. A condição para ter direito será ter dinheiro. E as pessoas vão pagar de novo por aquilo que já pagaram em impostos. Essa é a perversidade maior dessa reforma. Quer transferir direitos da sociedade para a empresa privada, para mercantilização de serviços”, avaliou Edson.

A partir do momento em que o governo estabeleceu um Teto de Gastos nas despesas públicas engessou investimentos na melhoria da qualidade desses serviços. “Dizem que os governos estão gastando muito. Uai, mas continuam arrecadando. E para onde vai o dinheiro?”, perguntou Ivan, e respondeu: “Vai para pagar a dívida pública, favorecer a iniciativa privada, o mercado”.

Para os debatedores, todo o conjunto de reformas em curso, como o Teto de Gastos e a Reforma Trabalhista, entre outras, fazem parte de uma estratégia política e econômica neoliberal, de tirar dinheiro da iniciativa pública, dinheiro que deveria ser investido na sociedade, e transferi-lo para  iniciativa privada, para bancos e o grande capital. 

“Falam que tem que privatizar para melhorar o serviço. Vamos terceirizar que isso vai funcionar melhor. E aí o dinheiro vai para empresa privada que contrata outra e que contrata outra. No fim, pagam uma miséria para quem está realizando o trabalho em condições cada vez mais precárias. E na hora de investir, investem pouco para poder economizar mais, sempre de olho no lucro e na distribuição de propinas, parte para fulano, parte pra sicrano”, afirmou Ivan.

Os debatedores historiaram uma série de problemas, de casos de corrupção, de acidentes ambientais e queda na qualidade de serviços ocorridos no Brasil após as privatizações, tanto de empresas como de serviços públicos, mesmo em áreas vitais da saúde.

Já, na direção contrária, mesmo com limitações drásticas, o SUS (Sistema Único de Saúde) mostra a eficiência e importância do serviço público para garantir a saúde da população durante a pandemia. “O SUS perdeu 20 bilhões de reais em 2019, por força do Teto de Gastos. Na pandemia, quem está salvando o país é o nosso tão combalido SUS, fazendo das tripas coração para atender o conjunto da população”, lembrou Ivan.

A FARSA DA ECONOMIA

Edson e Ivan apontaram que todas as avaliações feitas por institutos e economistas independentes, até o momento, mostram que a aprovação da PEC-32 não promoveria cortes substanciais nos gastos públicos, como anunciam seus defensores.

Para eles, a economia nos gastos públicos que tem propagada pelos defensores da PEC-32 é “uma mentira”. 

“Sim, existe salário astronômico no serviço público. Parlamentar é um servidor público, as pessoas esquecem isso. Esse deputado, preso esta semana, recebe como salário de aposentado módicos 40 mil reais. Existem altos salários na cúpula militar, no judiciário, para ex-ministros. Esses salários não entram na reforma. Temos que destacar isso. Essa reforma é para 95% dos funcionários que ganham como a maioria da população”, afirmou Ivan

REFORÇAR A LUTA

Os dois debatedores defenderam a importância das mobilizações e da ocupação das ruas, como a Paralisação Nacional que ocorre em 18 de agosto, para pressionar parlamentares e tentar reverter a aprovação da PEC-32 no Congresso, que precisa de 308 votos, dois terços do total de deputados.

“A mobilização é a linguagem que eles conhecem. Com a pandemia, as mobilizações de rua tiveram que ser totalmente reduzidas. Mas começam a retornar. E temos que retornar com os devidos protocolos de máscaras e distanciamento”, avaliou Edson. Ele relatou que dos cinco deputados federais que dizem representar cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) quatro já se manifestaram a favor da PEC-32. “E o quinto está indeciso”.

Para Ivan, temos hoje um “Congresso antipovo” e as mobilizações e pressões da população são essenciais. “A PEC-32 não é problema só de servidores públicos. Vai afetar toda a população. Por isso é importante a participação de todos e todas que puderem”.




18 DE AGOSTO – Fórum das Seis indica adesão à PARALISAÇÃO NACIONAL DO FUNCIONALISMO contra a PEC 32 e em defesa dos serviços públicos

  • 18/8: Fórum indica adesão à paralisação nacional do funcionalismo. Vamos fazer um grande dia de luta nas universidades estaduais e no Ceeteps, em defesa dos serviços públicos, contra a reforma administrativa, fim do arrocho salarial e por melhores condições de trabalho
  • Às 10h: ato/plenária virtual dos três segmentos
  • Fórum cobra debate democrático sobre retorno presencial
  • Apoio à greve sanitária nas ETECs e FATECs
  • PEC 32: A reforma que mantém privilégios e confisca direitos
  • PLC 26: Doria tenta mostrar mais serviço que Bolsonaro

ACESSE AQUI E LEIA O BOLETIM DO FÓRUM DAS SEIS




ADunicamp repudia falas discriminatórias e anacrônicas do ministro da educação

A Diretoria da ADunicamp repudia, com veemência, as declarações discriminatórias e anacrônicas do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que, entre outras coisas, defendeu a elitização do ensino superior, disse que reitores não podem ser “esquerdistas e lulistas”, insinuando que hoje o são, e demonstrou total despreparo para o cargo que exerce.

Em entrevista a programa da emissora pública TV Brasil, o ministro mostrou total desconhecimento do papel das universidades públicas na sociedade, ao afirmar que “a universidade, na verdade, deveria ser para poucos”.

Desconhecendo totalmente o papel que as universidades públicas representam em todos os campos do conhecimento, da ciência e da economia do país, o ministro afirmou que o futuro dos institutos federais deve ser a formação de técnicos.

Dando mostras de total desconhecimento daquilo que realmente ocorre dentro das universidades, disse que elas não podem “se tornar comitês políticos”. “Eu acho que o reitor tem que cuidar da educação e ponto-final, e respeitar quem pensa diferente. As universidades federais não podem se tornar comitê político de um partido A, de direita, e muito menos de esquerda”, disse.

A ADunicamp defende a Universidade pública, gratuita, socialmente referenciada e para todos/as!




Antecipar o que é nosso por direito não ameniza o arrocho, senhores reitores!

Cadê a reunião do GT salarial para discutir a reposição das perdas e a valorização dos níveis iniciais das carreiras?

Até o fechamento deste boletim do Fórum das Seis, na manhã de 5/8/2021, o Conselho de Reitores (Cruesp) ainda não havia cumprido seu compromisso de agendar nova reunião do GT Salarial entre as partes, montado com o objetivo de formular propostas para a recuperação das perdas salariais e para a valorização dos níveis iniciais das carreiras. Na negociação de 15/7, o presidente do Cruesp e reitor da USP, professor Vahan Agopyan, comprometeu-se a realizar a reunião ainda em julho.

Em vez da reunião, o Cruesp anunciou – por meio do Comunicado 8/2021, divulgado na noite de 4/8 – a intenção de antecipar metade do 13º salário para 25 de agosto.

Para o Fórum das Seis, trata-se de uma evidente tentativa de contornar a indignação dos servidores docentes e técnico-administrativos das universidades, frente a um arrocho que já consome um terço do poder aquisitivo que tinham em maio/2012. Ao arrocho salarial, soma-se a sobrecarga de trabalho, fruto de cerca de sete anos com pouquíssimas contratações, e que leva ao adoecimento um número cada vez maior de servidores das universidades.

Antecipar o que já é nosso por direito não resolve. Queremos negociar o reajuste salarial, um plano de recuperação do nosso poder aquisitivo e a valorização dos níveis iniciais das carreiras.

No dia 11/8, as entidades que compõem o Fórum das Seis voltam a se reunir para tabular os resultados das assembleias de base e definir os rumos da mobilização. 

Apoio na LC 173 e decisão política pelo arrocho

Os reitores tomaram a decisão política de manter os salários e benefícios arrochados, embora as universidades estejam em muito boa situação financeira, apesar da pandemia. Ao mesmo tempo em que reconhecem a existência de pesadas perdas salariais, fruto de vários anos sem sequer a reposição da inflação, eles decidiram se apoiar em interpretações jurídicas, a nosso ver questionáveis, para não fazer nada. Propõem zero de reajuste!

O desempenho do ICMS (imposto do qual deriva o financiamento das universidades), apesar da pandemia, está em ótimos níveis. De janeiro a junho deste ano, a arrecadação já chega a R$ 64,4 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões a mais do que igual período do ano passado. Esse resultado aponta para a superação da meta prevista pela Secretaria da Fazenda para 2021 (R$ 118 bilhões), utilizada pelas universidades na confecção de seus orçamentos para este ano. A previsão do Fórum das Seis é de que o ICMS total de 2021 seja de, no mínimo, R$ 127 bilhões. 

Portanto, não há nenhuma justificativa financeira para manter os salários arrochados e não viabilizar as contratações para repor os quadros defasados das universidades. Em confortável situação financeira – o comprometimento dos recursos com folha de pagamento aponta para patamares abaixo de 70% – as universidades devem encerrar o ano com substanciais reservas de caixa. 

Os reitores estão se apoiando na Lei Complementar (LC) 173/2021 para alegar que estão impedidos de negociar qualquer coisa este ano. A LC 173 é a lei que estabeleceu ajuda da União aos estados e municípios por conta da pandemia no ano passado, e que embutiu algumas regras para prejudicar os servidores, como o congelamento de salários e benefícios até dezembro de 2021. Mas os argumentos dos nossos reitores não se sustentam por 3 razões, já demonstradas fartamente pelas assessorias jurídicas dos sindicatos:

1) A LC destina-se aos entes federados (estados, municípios, distrito federal) e não às universidades estaduais, que são autarquias de regime especial e detém autonomia de gestão.

2) Ainda que se aplicasse às universidades – teoria com a qual não concordamos – a LC abre exceções para o pagamento de itens acordados antes de sua criação. E a nossa reivindicação é, justamente, a reposição de inflação anterior à lei.

3) A LC tem um item – comodamente ignorado pelos reitores – que permite a correção de “despesas obrigatórias pelo IPCA (índice que mede a inflação) dos últimos 12 meses. Evidentemente, salários são “despesas obrigatórias”.

Poder aquisitivo em queda acentuada

Há alguns anos, as universidades vêm dando calotes nas reposições inflacionárias, o que faz cair rapidamente o poder aquisitivo dos salários. Por isso, a Pauta Unificada de Reivindicações 2021 tem como pontos centrais três questões: 

1) A recomposição do poder de compra dos servidores (o reajuste necessário para voltar a maio/2012 é 29,81%). Queremos o pagamento de 8% agora e o restante em dois anos.

2) A valorização dos níveis iniciais das carreiras: o Fórum das Seis apresentou propostas concretas. No caso dos técnico-administrativos, a reivindicação é de concessão de R$ 500,00 fixos para todos, de modo a favorecer os níveis iniciais.

3) A discussão de um Plano Sanitário e Educacional com a participação democrática da comunidade, incluindo questões como o retorno presencial.

Situação na Unesp é mais grave: Já são dois meses e meio de trabalho gratuito 

No caso da Unesp, o arrocho é ainda maior. A Universidade deve o reajuste de 3% da data-base de maio/2016, pago na Unicamp e na USP. Evidentemente, configura-se compromisso assumido anteriormente à promulgação da LC 173, e não honrado até agora. 

Já se vão cinco anos de quebra da isonomia de reajustes com as universidades irmãs. Somente por conta deste calote, os servidores docentes e técnico-administrativos da Unesp deixaram de receber, de maio/2016 a junho/2021, cerca de dois salários e meio em valores atualizados pelo IPCA, ou seja, trabalharam dois meses e meio de graça nesse período.

Chega de arrocho! 

Queremos a discussão e a aprovação de um plano para a recuperação das perdas e para a valorização dos níveis iniciais das carreiras! 

Queremos debater o cenário da retomada presencial e um Plano Sanitário e Educacional para as instituições!




Docentes reforçam importância de mobilização para destravar negociações da Data-base

Ampliar as mobilizações, inclusive com paralisações e greve, e ainda reforçar a participação de docentes nas ações, são indispensáveis para pressionar o Cruesp a retomar as negociações da Data-base 2021. Além disso, será encaminhada ao Fórum das Seis a proposta de divulgação ampla de carta aberta destinada ao conjunto da sociedade, em defesa da educação e das universidades públicas e contra a desvalorização da profissão docente, que ocorre hoje em todos os níveis. 

A ADunicamp também deverá desenvolver ações de proteção à saúde mental de docentes, agravada na pandemia, contra o assédio e pela construção de um plano detalhado de retorno às aulas presenciais.

Essas foram algumas das propostas apresentadas na reunião realizada pela ADunicamp com docentes de várias Unidades da Universidade, nesta quarta-feira, 4 de maio. “O objetivo da reunião, que deverá se repetir na primeira semana de todos os próximos meses, é ouvir demandas e expectativas de docentes sobre ações que a ADunicamp possa realizar”, afirmou a presidente da entidade, professora Silvia Gatti. 

A professora lembrou que a reunião será sempre aberta a todos/as docentes, mesmo que não estejam associados à entidade. “O objetivo é que as demandas de docentes cheguem diretamente até a nossa diretoria. Para que possamos encaminhar, discutir, orientar”, disse. 

Sílvia fez um relato sobre a grande quantidade de demandas, internas e externas, que a ADunicamp recebe diariamente, vindas não só de docentes, mas também de entidades da sociedade civil, externas à Universidade. Muitas dessas demandas são atendidas, outras não e algumas geram dúvidas entre membros da diretoria sobre sua eventual aprovação. “Nestas nossas reuniões também será importante ouvir opinião de docentes sobre essas demandas”, sugeriu.

SAÚDE

Na primeira parte da reunião, foi apontada a necessidade da construção de mecanismos de proteção e apoio à saúde física e mental de docentes. No contexto da pandemia, o quadro tem sido agravado, inclusive com o aumento de casos de assédio.

A professora Silvia Gatti afirmou que a ADunicamp está trabalhando, em buscas de alternativas e sugestões para tratar dessas questões. “No caso do assédio, que tem aumentado bastante, já existe um trabalho da Reitoria, mas consideramos que ele é muito tímido”.

Docentes também defenderam a participação da ADunicamp em instituições externas à Universidade, como o Conselho Municipal de Saúde, para fortalecer o SUS e o conjunto da saúde pública, bastante deteriorada em Campinas.

O professor Gustavo Tenório (FCM), 2° vice-presidente da ADunicamp, lembrou que ele, a professora Diama Bhadra do Vale (FCM), também diretora da entidade, e a Professora Helenice Nakamura (FCM) integram o Conselho Municipal de Saúde e têm tido uma atuação ativa, sempre próxima das demandas dos usuários.  

O Conselho é formado por 50% de representantes dos usuários e 50% do poder público. “É o espaço onde a população coloca os problemas. E é também um espaço de fiscalização do poder público. E a atual gestão tem mostrado, desde o começo, a dificuldade de condução no enfrentamento da pandemia, só decidiu pelo lockdown quando a Covid-19 chegou com força na classe média. E não mostra nenhuma ação efetiva para amparar as pessoas, as populações mais afetadas. Nós temos agido sempre na defesa da melhor qualidade possível de atendimento aos usuários e no sentido de auxiliar eles a cobrarem aquilo a que têm direito”, relatou Gustavo.

REMOTO E RETORNO

A questão do ensino remoto e da falta de um projeto claro de retorno às aulas presenciais por parte da Reitoria foi levantada por docentes que participaram da reunião.

O ex-presidente da ADunicamp, professor Wagner Romão (IFCH), avaliou que parece ocorrer, não só na Unicamp mas também nas outras universidades paulistas, uma certa “naturalização” do ensino remoto. No Brasil já existe um movimento antigo nessa direção, inclusive com propostas de transição das universidades para o ensino remoto.

Para ele, essa é uma questão que tem que ser amplamente debatida com a comunidade, pois a pandemia abriu possibilidades de aproveitamento de mídias remotas para auxiliar o ensino e mesmo para conferências com público bem mais amplo. “Mas temos que manter sempre a posição da nossa presença na sala de aula. Temos que reforçar isso”, ponderou.

O professor Mohamed Habib (IB), 1° secretário da ADunicamp, afirmou que a entidade tem que estar aberta ao debate, mas como sindicato sua principal missão é defender o docente, os direitos do/a trabalhador/a.

Segundo ele, as realidades são bem diferentes de alguns cursos para outros e docentes têm que ser ouvidos, detalhadamente, para que se possa mensurar a real possibilidade de cursos híbridos, presenciais e remotos, mas sem abrir mão em nenhuma hipótese da presença de docentes e estudantes na sala de aula. “O contato presencial tem uma importância, até de afetividade, não somos máquinas”, ponderou.

Para o professor Mohamed, o retorno às aulas presenciais tem que ser definido com muito rigor. “Há risco, há medo. A própria Universidade tem que determinar, e com bastante segurança, o método que vai ser empregado para proteger docentes, estudantes e o pessoal que trabalha. A instituição tem que apresentar essa proposta à comunidade universitária”. 

Na opinião do professor, a ADunicamp deve cobrar da Reitoria a formação de um grupo de trabalho, com representantes de todas as unidades, para construir o plano, “antes de falar em retorno”.

A professora Silvia Gatti informou que a ADunicamp já começa a preparar um questionário, como o que foi feito em maio de 2020, no início da pandemia, para ouvir toda a comunidade docente. A proposta é que ele seja distribuído já em setembro. “Com certeza, vai trazer informações muito importantes, uma vez que já temos três semestres de experiência com o ensino remoto e a pandemia”, 

A professora defendeu também a realização de amplos debates nas unidades, para que a questão do ensino remoto e do retorno “não seja decidida por poucos”.

DATA-BASE 2021: maior participação de docentes será decisiva para garantir avanços

A professora Silvia Gatti fez um breve relato das negociações entre Fórum das Seis e Cruesp sobre a Data-base/2021, que culminaram com a que ela chamou de “reunião histórica”, ocorrida em 15 de julho. A reunião, transmitida ao vivo, foi acompanhada por mais de mil pessoas.

“A sensação que tive ao acompanhar a reunião foi que houve um desrespeito. Uma sensação de indignação com a postura dos reitores. Eles ficaram exclusivamente nas supostas limitações da PEC 173. Não fizeram nenhuma proposição, nada sobre valorização dos níveis iniciais de carreira e desprezaram a questão do plano de retorno presencial, dizendo que cada universidade tem que ter o seu plano”, avaliou.

O Fórum das Seis apresentou três reivindicações na negociação: reposição das perdas salariais, valorização das carreiras iniciais e um plano de retorno às aulas presenciais construído conjuntamente para as três universidades. Nenhum foi atendido pelo Cruesp. 

O vice-presidente da ADunicamp e coordenador do Fórum das Seis, Paulo César Centoducatte (IC), que há muito tempo acompanha as mesas de negociação das Data-base, afirmou que a cada ano a situação tem ficado mais difícil, com a acumulação de perdas e a maior intransigência dos reitores.

“Mas também houve um esvaziamento da mobilização de professores e técnico-administrativos. O Cruesp tem ficado cada vez mais intransigente, mas se tivéssemos um movimento forte, certamente os reitores não teriam essa posição”, avaliou. Ele historiou vários momentos, em anos passados, em que os reitores modificaram radicalmente suas propostas, após mobilização ou greve nas entidades.

Centoducatte convidou os/as docentes presentes a se mobilizarem em suas unidades e ampliarem ao máximo possível as discussões sobre as propostas de paralisação e ações, indicadas pelo Fórum das Seis, para este mês de agosto.

Por sugestão de participante da reunião, a ADunicamp levará ao Fórum, em reunião marcada para o próximo dia 11, a proposta de realizar a paralisação nas universidades em 18 de agosto, quando ocorre a greve nacional de servidores públicos contra a PEC 32 (Reforma administrativa).

CARTA ABERTA  

O professor Mohamed Habib sugeriu que a ADunicamp também leve ao Fórum das Seis a proposta de divulgação de uma carta aberta a toda a sociedade, denunciando o ataque às universidades públicas e a desvalorização do ensino em todos os níveis.

A proposta, aceita pela diretoria da ADunicamp, prevê que a carta aberta contenha também um abaixo-assinado de docentes das três universidades e que seja amplamente divulgada e também levada aos reitores e ao Cruesp. A proposta também será levada à reunião do Fórum das Seis, dia 11.




Gestão de Resíduos em Campinas: que futuro queremos?

COMDEMA organiza oficinas para discutir controvertido projeto de resíduos sólidos da Prefeitura

O Grupo de Trabalho de Resíduos Sólidos do COMDEMA Campinas está organizando três oficinas para discutir essa questão. Estas oficinas ocorrem das 18:30 às 21:30, em ambiente virtual. 

Nesta semana, quinta-feira, dia 12 de agosto de 2021, teremos a Segunda Oficina, que contará com entidades do Centro e das Zonas Leste e Oeste da cidade.

Participe e se inscreva no seguinte link: https://www.sympla.com.br/gestao-de-residuos-em-campinas–que-futuro-queremos__1307559

Venha discutir conosco! O futuro que queremos começa agora!




CR aprova contas da ADunicamp e inicia debate sobre temas como retorno presencial e assédio na Universidade

O CR (Conselho de Representantes) da ADunicamp, reunido por meio de videoconferência nesta terça-feira, 27 de julho, aprovou por unanimidade o balancete apresentado pela diretoria da entidade, referente ao trimestre de março, abril e maio de 2021, e também a Súmula da reunião anterior do Conselho, ocorrida em 24 de junho.

Quatro moções apresentadas por integrantes do CR também foram aprovadas e os conselheiros discutiram a urgência de um planejamento e de ações pedagógicas relativas ao retorno presencial das aulas e do trabalho na Universidade. 

O diretor Administrativo da ADunicamp, professor Edson Joaquim dos Santos (Cotuca), um dos responsáveis pela condução das negociações sobre os reajustes anuais com a Unimed, fez um relato sobre as tratativas que resultaram em um acordo que reduziu o valor dos contratos na “Faixa  Etária” e reajuste abaixo da inflação dos “Faixa Única”. O relato das negociações e os novos valores do convênio pode ser ser acessado aqui.

O balancete do trimestre, aprovado na reunião, foi analisado anteriormente pela Comissão de Acompanhamento de Execução Orçamentária, composta por quatro docentes do Conselho, que apresentou um parecer sobre os números, antes da votação pelos/as demais conselheiros/as. 

“Após exposição detalhada do movimento financeiro (…) e análise detalhada dos documentos, conclui-se não haver quaisquer irregularidades ou óbices que impeçam a aprovação”, conclui o parecer.

Detalhamento do balancete e explicações sobre ele podem ser solicitados por associados/as da ADunicamp junto ao setor Administrativo da entidade, a qualquer momento.

RETORNO E ASSÉDIO

O CR discutiu também a necessidade de que sejam tomadas iniciativas pela ADunicamp para pensar e planejar o retorno às aulas presenciais. Foi sugerida também a criação de uma estrutura de apoio a docentes diante do grande número de casos de assédio que tem sido identificado nas diferentes unidades da Universidade.

A presidente da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB), avaliou que o retorno presencial é importante, mesmo como “instrumento pedagógico” diante das novas normas de convivência e segurança que terão que ser estabelecidas após o controle da pandemia.

“As universidades não pararam. Docentes estão trabalhando muito e há muitos alunos e alunas com problemas sérios. Temo que algumas perdas sejam irreparáveis. Mas, com certeza, o retorno tem que acontecer com avaliação contínua e com garantia de que todos os protocolos sejam seguidos”, afirmou.

O professor e conselheiro pelo Instituto de Biologia, André Vieira, considerou que a discussão sobre o retorno presencial ainda é prematura, uma vez que são fortes os indícios de que haverá em breve a ocorrência de uma nova onda de Covid-19 no Brasil, com o aumento do registro de casos no país da variante Delta do coronavírus, muito mais transmissível.

A professora Sílvia lembrou que tanto essa questão, como a das ações de apoio a casos de assédio, assim como outros problemas enfrentados por docentes em suas unidades, serão temas da reunião por teleconferência entre a diretoria da ADunicamp e docentes, agendada para o próximo dia 4 de agosto, a partir das 14h. 

AS MOÇÕES

São as seguintes as moções, aprovadas em conjunto e por unanimidade pelo CR:

Moção 1

A MP (Medida Provisória) 1040 pretenderia melhorar o ambiente de negócios no País, facilitando a abertura de empresas, protegendo investidores e modificando a legislação do comércio exterior. 

O relator na Câmara, deputado Bertaioli (PSD-SP), incluiu nas disposições finais a revogação da lei 4950-A de 1966, que estabelece o piso salarial de engenheiros, químicos, arquitetos, agrônomos e veterinários. A justificativa: “Junto ao Ministério de Economia buscamos revogar legislações que não possuam mais sentido com a realidade”.

O texto foi aprovado pela Câmara em junho, falta ser apreciado pelo Senado.

O CR da ADunicamp manifesta-se contra a extinção dos pisos salariais, apoia a luta das categorias envolvidas e propõe a revogação da MP 1040 pelo Senado.

Moção 2

O estado da Bahia pretende começar nesta segunda-feira (26/07) a volta às aulas semipresenciais num sistema híbrido (combinando presencial e online). 

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado da Bahia defende que os professores não voltem às aulas presenciais até que todos estejam imunizados. Em resposta, o governador Rui Costa (PT) ameaçou com corte de salários aos professores que não voltarem para as aulas e até com a abertura de processos administrativos para demitir os professores com base na lei do abandono do emprego. 

Além disso, os alunos que faltarem às aulas poderão perder o Bolsa Presença, programa que dá ajuda financeira às suas famílias.

O CR da ADunicamp declara seu total apoio ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado da Bahia e repudia veementemente a atitude autoritária do governo do estado da Bahia.

Moção 3

Fora Bolsonaro, fora Guedes, fora Centrão!
Punição rigorosa aos envolvidos nas negociatas com vacinas e aos responsáveis pelo negacionismo genocida.
Prisão para todos eles! Todo apoio à CPI.

Moção 4

O prefeito de Monte Mor, Edivaldo Brischi (PTB), expulsou moradores de rua para cidades vizinhas. Funcionários da prefeitura forçaram os mesmos a entrar em vans que os levaram a outros municípios onde foram literalmente despejados, em flagrante violação aos direitos humanos mais elementares. 

“Não quero ver minha cidade virar lixo”, disse o bípede humanoide que ocupa a prefeitura de Monte Mor, que divulgou sua “façanha” nas redes sociais.

O CR da ADunicamp repudia esta brutal atitude e manifesta-se a favor da prisão do prefeito.




ADunicamp retorna atendimento presencial, de modo parcial, a partir de 02 de agosto

No próximo dia 02 de agosto, segunda-feira, a ADunicamp retomará, de forma parcial, suas atividades presenciais. Neste primeiro momento, os atendimentos da entidade ocorrerão de segunda a sexta-feira, das 11h30 até as 17 horas.

O acesso dos associados(as) nas dependências da ADunicamp – os prédios, incluindo o auditório e as salas multiuso, será limitado para garantir maior proteção dos frequentadores e dos(as) nossos(as) funcionários(as), que seguirão os rigorosos e necessários protocolos de segurança.

Importante lembrar que os atendimentos via telefone, e-mail e video-chamadas (acesse: https://meet.google.com/uuv-tfdg-ozt) seguirão normalmente, das 09h às 17h (ver contatos abaixo)

ATENDIMENTO JURÍDICO
Neste primeiro momento, de retorno parcial das atividades presenciais, o atendimento jurídico da ADunicamp, realizado pelo escritório LBS Advogados, não será realizado de modo presencial. Será mantido a forma atual, que prioriza o atendimento via telefone – (19) 3233 7799 – e via e-mail, a ser solicitado durante o atendimento telefônico ou virtual com a secretaria da ADunicamp.

RESTAURANTE

O restaurante Espaço ADunicamp está aberto ao público na hora do almoço, com capacidade reduzida e com todos os protocolos de seguranças, conforme decretos em vigor. A noite, o restaurante está com o projeto “PizzaADu”, com grande variedade de sabores de pizzas para delivery. As encomendas devem ser feitas pelo ifood (basta procurar por pizza ADu) e/ou pelo telefone 19 994040634.

CONTATOS ADUNICAMP

Secretaria / Convênios

– (19) 3521 2470

– (19) 3521 2471

– (19) 3521 2472

– secretaria@adunicamp.org.br

– convenios@adunicamp.org.br

Comunicação / Imprensa

– (19) 3521 2479

– imprensa@adunicap.org.br

Diretoria

– (19) 3521 2476

– diretoria@adunicamp.org.br