ADunicamp publica manifesto e convoca comunidade acadêmica a assinar documento sobre internacionalização, autonomia científica e cooperação internacional

A Diretoria da ADunicamp publicou um manifesto (leia aqui) em defesa de uma reflexão crítica sobre os rumos da política de internacionalização da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e conclama docentes, pesquisadoras(es), estudantes e demais integrantes da comunidade universitária a assinarem o documento. O manifesto está disponível para adesão no link: https://forms.gle/WGHoRSe25Sgeb8uSA.

O texto foi elaborado após a divulgação, pela Diretoria Executiva de Relações Internacionais (DERI) da Unicamp, de um webinar promovido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, voltado à apresentação de oportunidades de financiamento para pesquisadoras(es) das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

A questão central não está na rejeição à cooperação científica internacional, considerada fundamental para o desenvolvimento da ciência brasileira, mas na necessidade de ampliar o debate sobre os critérios políticos, científicos, institucionais e éticos que orientam os processos de internacionalização universitária.

O manifesto destaca que a internacionalização não é um processo neutro e argumenta que iniciativas de cooperação envolvendo instituições diretamente vinculadas a estratégias militares e geopolíticas devem ser objeto de reflexão e discussão por parte da comunidade acadêmica. O documento também levanta questionamentos sobre autonomia científica, soberania tecnológica, propriedade intelectual, proteção de dados e definição das agendas de pesquisa.

Outro ponto abordado é a ausência, até o momento, de resposta institucional às propostas encaminhadas pelo Comitê Palestina Livre da Unicamp em abril de 2026. As propostas incluíam ações de acolhimento a estudantes, pesquisadoras(es) e docentes palestinos em situação de refúgio ou deslocamento forçado, além do fortalecimento de parcerias acadêmicas com instituições palestinas.

O contraste entre a divulgação ativa de determinadas oportunidades internacionais e a falta de resposta a iniciativas voltadas à solidariedade acadêmica e aos direitos humanos levanta questões sobre os critérios que orientam a política de internacionalização da Universidade.

O manifesto também propõe o debate sobre temas como a autonomia das agendas de pesquisa brasileiras, a transparência institucional na divulgação de oportunidades vinculadas a instituições militares, a construção de uma internacionalização crítica e solidária e a defesa da soberania científica e tecnológica nacional.

Ao final, a Diretoria da ADunicamp reafirma a necessidade de que a comunidade universitária participe da discussão sobre qual modelo de internacionalização pretende construir para a Unicamp diante das transformações geopolíticas contemporâneas. A Diretoria convida toda a comunidade acadêmica a ler, debater e assinar o manifesto, disponível neste link.

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