Colegas docentes,
Vivemos um tempo em que as questões socioambientais deixaram de ser um tema especializado para se tornarem uma das dimensões centrais da defesa da universidade pública, da democracia e da própria vida.
A emergência climática já não é uma previsão para o futuro. Ela se manifesta cotidianamente em Campinas e em toda a região: no aumento das temperaturas, na intensificação dos eventos extremos, na piora da qualidade do ar, na perda da cobertura arbórea, na pressão sobre os recursos hídricos, na expansão urbana desordenada, na crise da mobilidade e no avanço de projetos que subordinam o território aos interesses da especulação imobiliária.
Nesse contexto, convidamos as professoras e os professores da Unicamp para ampliarmos o Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) da ADunicamp.
Mais do que retomar um GT, trata-se de construir um espaço permanente de reflexão, formulação política e intervenção sobre uma agenda que se torna, a cada dia, mais ampla, urgente e complexa. A universidade reúne enorme capacidade científica e técnica para contribuir com essas questões, mas esse conhecimento precisa dialogar mais intensamente com a ação sindical, com os movimentos sociais e com as políticas públicas.
Temos desafios importantes dentro da própria ADunicamp.
Queremos apresentar e avaliar coletivamente os resultados do nosso Programa Lixo Zero , discutir a gestão ambiental da sede e de suas áreas externas, acompanhar a implantação das células fotovoltaicas e iniciar a construção daquele que pretendemos que seja um marco para o movimento docente: a realização, em julho de 2027, do 70º CONAD do ANDES-SN , organizado pela ADunicamp, com o compromisso de ser o primeiro CONAD Lixo Zero da história da entidade .
Mas os desafios extrapolam nossos muros.
A própria Unicamp precisa avançar em políticas institucionais de sustentabilidade e adaptação climática. Podemos contribuir para a discussão sobre a destinação dos resíduos recicláveis secos por meio de cooperativas, bem como sobre o tratamento dos resíduos úmidos (orgânicos) produzidos no campus e a eliminação progressiva do uso desnecessário de plásticos descartáveis; sobre medidas para melhorar o conforto ambiental das salas de aula e dos ambientes de trabalho, protegendo estudantes e trabalhadores dos efeitos cada vez mais frequentes das ondas de calor associadas ao Super El Niño e às mudanças climáticas; sobre alternativas para reduzir a dependência do automóvel individual e fortalecer o transporte coletivo interno, a mobilidade ativa e a acessibilidade; e sobre iniciativas voltadas ao uso responsável de recursos, reduzindo o desperdício de produtos e de água, além de ampliar os programas de limpeza digital.
Também precisamos refletir sobre como transversalizar a questão socioambiental nos processos de formação profissional, incorporando os desafios da emergência climática, da transição ecológica justa e da sustentabilidade crítica aos currículos dos diferentes cursos da universidade.
Nossa atuação, entretanto, não pode limitar-se ao campus.
Campinas e sua região vivem um momento decisivo em relação ao futuro do território. São muitas as pautas que exigem acompanhamento qualificado e intervenção pública da universidade e da ADunicamp.
Entre elas destacam-se a ameaça representada pelo leilão de parte da Fazenda Remonta , um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica da região; o projeto do Ecoparque da Guardinha ; a política de implantação de chamadas “miniflorestas” sem critérios ecológicos consistentes; o contrato da Prefeitura de Campinas com as cooperativas de materiais recicláveis , alvo de críticas por suas condições de funcionamento; a construção da Barragem de Pedreira e seus impactos socioambientais; a persistência do lançamento de esgoto e do mau cheiro em córregos urbanos ; o projeto regional Recicla SP, que poderá resultar na instalação de incinerador de resíduos em Nova Odessa; a preservação do corredor ecológico associado ao HIDS; e a atualização do Plano Diretor de Campinas, que definirá os rumos da expansão urbana nas próximas décadas.
Todas essas questões dialogam entre si. Falam de justiça climática, direito à cidade, preservação dos bens comuns, planejamento territorial, soberania alimentar, proteção das águas, biodiversidade, saúde pública e democracia.
Ao mesmo tempo, inserem-se em um contexto geopolítico mais amplo, marcado pelas disputas em torno da terra, da água, da energia, dos minerais estratégicos e das tecnologias necessárias para a chamada transição energética. Defender os territórios, os bens comuns e o patrimônio ambiental também significa defender a produção pública do conhecimento e o papel social da universidade.
A Unicamp reúne especialistas em arquitetura e urbanismo, engenharias, ciências ambientais, geociências, biologia, saúde coletiva, economia, planejamento, educação, ciências sociais, direito, artes e tantas outras áreas capazes de oferecer contribuições fundamentais para esses debates.
O GTPAUA pode ser o espaço de encontro dessas diferentes competências, articulando ensino, pesquisa, extensão e ação sindical. Pode fortalecer o diálogo com o Fórum Socioambiental de Campinas, os Conselhos Municipais de Meio Ambiente, movimentos populares, coletivos, associações de moradores e demais organizações comprometidas com a defesa dos territórios e da justiça socioambiental.
Pensar globalmente e atuar localmente nunca foi tão necessário!
As grandes questões ambientais do nosso tempo se materializam exatamente onde vivemos e trabalhamos: nos rios, nas áreas verdes, nos bairros, nas periferias, nos campi universitários e nos espaços públicos. A universidade pública não pode permanecer à margem dessas disputas.
Convidamos, portanto, todas e todos os docentes interessados, independentemente de sua unidade ou área de atuação, a participar do GTPAUA da ADunicamp.
Queremos construir um grupo plural, interdisciplinar e comprometido com a produção de conhecimento crítico e com a intervenção concreta nas questões socioambientais que desafiam nossa universidade, nossa cidade e nossa região.
Participe da ampliação do GTPAUA da ADunicamp! Acesse o nosso grupo https://chat.whatsapp.com/FCHQm9JPkR3KoPIofUE8yW
Fortaleça a presença da ADunicamp na defesa do território, da universidade pública, dos bens comuns e da vida.








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