A ADunicamp divulgou nesta terça-feira, 31 de março, uma nota à comunidade docente da Unicamp e à Reitoria em que se posiciona sobre os recentes acontecimentos no Instituto de Biologia e na Faculdade de Engenharia de Alimentos. No documento, a entidade afirma que o episódio ocorre em um contexto de “intensificação de ataques às universidades públicas e aos serviços públicos”, e defende que a universidade e suas instâncias atuem com responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a defesa das instituições públicas e democráticas.
Ao mesmo tempo em que reafirma que “não há qualquer espaço para conivência ou indulgência diante de irregularidades”, a ADunicamp sustenta que a condução do caso deve respeitar os princípios do Estado de Direito, com garantia de ampla defesa, contraditório e preservação da imagem das pessoas envolvidas. A nota também alerta para os riscos de exposição pública indevida, julgamentos precipitados e da disseminação de narrativas que possam causar danos irreparáveis à dignidade individual e à própria universidade.
A entidade conclama a Reitoria a agir “com firmeza e equilíbrio”, assegurando o devido processo legal, a proteção dos direitos individuais e uma comunicação institucional responsável, além de reforçar a necessidade de preservar a imagem da Unicamp diante de episódios isolados. A carta será lida pela presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti, na reunião do CONSU da Unicamp desta terça-feira, dia 31 de março. Leia a nota completa abaixo.
Nota à comunidade docente da Unicamp e à Reitoria
Vivemos um momento de intensificação de ataques às universidades públicas e aos serviços públicos, em um cenário que exige de todas e todos nós responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a defesa das instituições públicas e democráticas.
É nesse contexto que os recentes acontecimentos no Instituto de Biologia e na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp nos consternam e nos preocupam profundamente.
Reafirmamos, de forma inequívoca, que não há qualquer espaço para conivência ou indulgência diante de irregularidades, incluindo o fato ocorrido, que deve ser tratado com o devido rigor, nos marcos do Estado de Direito e das instâncias competentes de apuração.
Ao mesmo tempo, é igualmente fundamental destacar que a condução desses episódios deve respeitar princípios basilares, entre eles o direito à ampla defesa, ao contraditório e à preservação da imagem das pessoas envolvidas. A exposição pública de uma docente, em especial nos termos em que ocorreu, suscita preocupações legítimas quanto à violação de direitos individuais, agravadas pelo fato de se tratar de uma mulher, historicamente mais vulnerável a julgamentos e estigmatizações públicas desproporcionais.
Os elementos já apurados pela Polícia Federal devem orientar o tratamento institucional do caso, evitando especulações, julgamentos precipitados e a amplificação de narrativas que possam produzir danos irreparáveis à dignidade das pessoas e à integridade da própria Universidade.
Da mesma forma, é imprescindível preservar a imagem institucional da Unicamp, que não pode ser reduzida a episódios isolados nem exposta de maneira sensacionalista. A universidade pública é patrimônio da sociedade e deve ser defendida com responsabilidade, inclusive na forma como lida com suas próprias crises.
Diante disso, conclamamos a Reitoria a atuar com firmeza e equilíbrio, assegurando:
● o devido processo legal;
● a proteção dos direitos individuais;
● e a condução responsável da comunicação institucional.
À comunidade docente, reafirmamos a importância de uma postura crítica, mas também ética e solidária, que contribua para o fortalecimento da universidade pública, e não para sua fragilização em um momento de intensos ataques externos.
Campinas, 31 de março de 2026
Diretoria da ADunicamp









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