Reitoráveis e seus vices realizam debates às vésperas do 2° turno

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Os professores Mário Saad (FCM) e Tom Zé (FEA), que disputarão o segundo turno da consulta à comunidade da Unicamp para a sucessão do reitor, apresentaram e discutiram suas propostas, nesta segunda-feira, 22 de março, em debate virtual realizado pela ADunicamp em parceria com o STU, DCE e APG. O debate, assistido ao vivo por mais de 300 pessoas, está disponível nos canais de comunicação da ADunicamp e pode ser visto na íntegra em https://www.youtube.com/ADunicamp. A consulta à comunidade ocorrerá nos próximos dias 24 e 25. 

Pela manhã, as quatro entidades promoveram também de forma virtual o debate entre a professora Luiza (FCM) e o professor doutor Zezi (IQ), respectivamente candidatos a vice nas chapas de Tom Zé e Saad. Como pontuou a presidente da ADunicamp, professora Sílvia Gatti (IB), o debate entre essas candidaturas tem uma importância especial, uma vez que o/a futuro/a vice assumirá a direção da CGU (Coordenadoria Geral da Unicamp), órgão fundamental na gestão da universidade.

Os dois debates foram divididos em cinco blocos, seguindo roteiro programado pelas entidades organizadoras e previamente aprovado pelos candidatos. 

O primeiro bloco foi voltado para a apresentação dos reitoráveis e vices e um breve resumo de suas propostas. No segundo bloco, cada entidade formulou uma mesma pergunta para ser respondida pelos/as candidatos/as. 

A ADunicamp questionou os reitoráveis sobre os critérios de avaliação de docentes e as propostas para a valorização de docentes nas Unidades. No debate entre vices, levantou a questão da fragmentação e atomização dos indivíduos, que vêm sendo promovidas pelo atual modelo econômico, e que são profundamente prejudiciais para a pesquisa e o ensino, “atividades fortemente cooperativas”.

O STU historiou as dificuldades de diálogo do Sindicato com a Reitoria e indagou se as propostas dos reitoráveis será a de manter ou mudar a relação repressiva adotada por reitores anteriores. Ao candidato e candidata a vice, questionou os modelos de contratação e precarização do trabalho em curso na Universidade e o deficit de RH e falta de concursos.

A APG questionou os reitoráveis sobre as propostas para as políticas de cotas na gradução e na pós-graduação e ao candidato e à candidata a vice sobre ações a serem adotadas para realizar um trabalho consequente de comunicação pela Universidade, inclusive com a utilização ampla de redes sociais.

O DCE interrogou os reitoráveis sobre o papel da Universidade diante da Covid-19, num momento em que a pandemia já está próxima de causar 300 mil mortes no país. O candidato e a candidata a vice foram questionados/as sobre a relação que pretendem manter com as entidades dos movimentos sociais (leia, abaixo, a integra das perguntas formuladas pelas entidades).

ÚLTIMOS BLOCOS

O terceiro bloco, em ambos os debates, foi destinado às perguntas formuladas pelo público. A participação do público, em decorrência das limitações impostas pela pandemia, foi garantida a partir de um sorteio prévio que selecionou perguntas de três integrantes de cada uma das categorias ligadas às entidades organizadoras. 

Cada pergunta, das três sorteadas pelas entidades, foi feita a um dos/as candidatos/as também definidos/as por sorteio prévio. O sorteio das perguntas formuladas pelo público foi realizado na manhã do dia do debate. As pessoas interessadas em formular as perguntas fizeram o encaminhamento delas também de forma virtual, por meio de formulário disponibilizado nas redes sociais das entidades.

O quarto bloco foi de troca de perguntas entre os/as candidatos/as, com direito à réplica e, por fim, no último bloco foram feitas as considerações finais. 

A ÍNTEGRA DAS PERGUNTAS FORMULADAS PELAS ENTIDADES

ADunicamp

Reitoráveis:Os processos de avaliação docente tornaram-se sistematizados a partir de meados da década de 1990, quando da implementação do projeto qualidade. Uma de suas consequências foi, sem dúvida alguma, a busca por mais publicações, sem avaliação de sua qualidade, já que os número delas se tornou a meta dos docentes. Seguindo na mesma métrica foram as agências de fomento. Por outro lado, ela se tornou, em muitas Unidades, uma forma de separar e estigmatizar docentes que se dedicavam mais ao ensino de graduação e à extensão. No interior de muitas Unidades esse ainda é o parâmetro que efetivamente é avaliado. Você, como candidato explicita que quer mais ensino e mais extensão na Unicamp. Modificará os processos de avaliação docente nesse sentido? Como atuará junto às Unidades para a valorização de todos os docentes?

Vices: “A construção do conhecimento, da pesquisa e do ensino, é uma atividade fortemente cooperativa. No entanto, existe uma tendência, produzida até mesmo pelo modelo econômico atual, de isolar e atomizar as pessoas, em busca de metas e parâmetros definidos arbitrariamente, como se fossem todos ‘empresários de si mesmos’. Entendemos que dentro da Universidade esta dinâmica pode hipertrofiar a competição, em detrimento da cooperação. Também, ela leva à fragmentações desnecessárias do conhecimento, à desvalorização de projetos interdisciplinares e a danos à saúde mental. Como candidatas e candidato a vice-reitora e vice-reitor da Unicamp, como vêem esta temática na relação com os sistemas de gestão, avaliação e critérios para a alocação de recursos?

STU

Reitoráveis: “Na greve dos estudantes em 2016, por falta de diálogo com o então Reitor Tadeu, os estudantes se mobilizaram em um ato no bandejão cuja responsabilidade foi atribuída ao STU com a aplicação de uma multa judicial. O STU vem solicitando a revogação dessa multa que foi um ataque ao sindicato atingindo seu financeiro.  Na sua gestão o senhor pretende reconhecer e reparar o dano causado restituindo o valor ao sindicato? Em caso de greve na universidade, a sua gestão pretende utilizar as metodologias de reitores anteriores: desconto de salário, ações jurídicas contra entidade e falta de diálogo com o sindicato?”

Vices: “É preciso retomar as contratações com valorização dos servidores. Sabemos que a contratação via fundações, como é o caso da Funcamp, com salários inferiores aos pagos aos funcionários estatutários, é uma forma de desvalorização do trabalhador e cria desigualdades, como o ocorrido na Assembleia Geral convocada pela Unicamp onde os terceirizados sequer tiveram voz e quando um deles ousou falar foi demitido. A Funcamp respondeu com mais truculência quando acionou a polícia para dispersar os manifestantes no ato em frente à sua sede pela recontratação do servidor demitido Sidney. Como CGU e principal responsável pela recomposição dos quadros de servidores como o senhor e a senhora se posicionam diante do déficit atual de RH e a abertura de concursos?”

APG

Reitoráveis: “Já existem muitas pesquisas sobre o bom desempenho de estudantes cotistas, que contradizem um senso comum racista que algumas pessoas ainda têm de que as cotas fariam o nível da universidade cair. Qual é o seu acúmulo de estudos sobre as políticas de cotas na graduação e na pós-graduação, não apenas cotas étnico-raciais mas destinadas a outros grupos minoritários? Você sabe dizer o que diferencia a sua chapa da outra no que se refere à atitude em relação às cotas?”

Vices: “Hoje em dia as redes sociais têm papel fundamental na divulgação de informações e também de desinformações. Em 2019 a vice-reitora disse no Conselho Universitário que ‘não comentaria fofocas de redes sociais’, referindo-se a preocupações legítimas de estudantes e funcionários com relação às bibliotecas, que foram expressadas no facebook e levadas ao Consu pela representação discente. Como você lidará com os posts em redes sociais? Qual será a estratégia para evitar falhas de comunicação que podem causar atritos desnecessários na universidade?”

DCE

Reitoráveis: “Em um momento onde o país sofre com mais de 3.000 mortes por dia, decorrentes da pandemia de coronavírus, como você acredita que a universidade pode se posicionar e atuar na luta pela vacina?”

Vices: “Tendo em vista que as relações cooperativas e de diálogo entre a instituição e as entidades do movimento social são essenciais para se pensar e debater alternativas para o crescimento e para a defesa da universidade, como sua gestão pretende lidar com essas relações?” 

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