Plenária Unificada propõe frente de entidades para a Data-base/2026 e defesa das Universidades Públicas


A Plenária Unificada realizada nesta terça-feira, 31 de março, no auditório da ADunicamp, decidiu criar uma frente unificada que reunirá as entidades representativas de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes para atuar no contexto da Data-base/2026 e também em defesa das Universidades Públicas paulistas, alvos de ataques sistemáticos por parte do governo estadual e de setores retrógrados da sociedade.

A frente propõe unificar a ADunicamp, STU, DCE e APG em ações conjuntas de mobilização para atingir todas as bases da Universidade a partir de um conjunto de, pelo menos, nove atuações sugeridas por dirigentes das entidades e participantes da plenária. Entre elas, a construção de materiais conjuntos, como boletins, faixas, cartazes e camisetas; a elaboração de vídeos e lives para lançar amplamente nas redes sociais e canais da internet.

A frente unificada e as mobilizações conjuntas será, na avaliação das direções das entidades participantes da plenária, um primeiro passo para ampliar a articulação entre os diferentes segmentos da comunidade universitária, tanto em torno da Data-base 2026 quanto de pautas mais amplas relacionadas ao financiamento público, às condições de trabalho, à permanência estudantil, à contratação de servidores e docentes e ao enfrentamento político da extrema-direita.

A presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB), abriu a plenária com uma análise da conjuntura e um relato das dificuldades que se desenham nas negociações da Data-base 2026. Na avaliação dela, a união da comunidade acadêmica e uma estratégia objetiva de ações e mobilizações é essencial este ano, diante das diversas questões e dos obstáculos e que já estão interpostos na conjuntura de 2026 (Leia na sequência do texto o relato detalhado da professora).

O diretor do STU, Antônio Alves Neto afirmou que a proposta da plenária unificada e da construção da frente nasceu com a intenção de construir um espaço político mais abrangente que vá além da discussão imediata da campanha salarial. “A ideia dessa proposta é não ficarmos apenas na campanha salarial, mas iniciar um debate e ações sobre o papel da Universidade, sobre esse momento da conjuntura que a gente vive.”

Antônio também defendeu que a articulação entre as entidades ultrapasse o calendário da Data-base e se consolide como ação política permanente. “A luta não vai acabar com a campanha salarial”, afirmou. Para ele, abril deve ser um mês de preparação e mobilização, com debates, materiais conjuntos, vídeos, boletins e novas plenárias, de forma a criar uma base mais ampla de engajamento. “É fundamental que a gente construa um calendário no mês de abril que agite e mobilize a categoria. E que em maio a campanha de fato seja conjunta”, ressaltou.

Na mesma linha, Regina Célia da Silva, diretora da ADunicamp, destacou a importância de revitalizar o espaço das plenárias conjuntas e fortalecer a unidade entre os segmentos da Universidade. “A plenária é um instrumento que a gente precisa realmente revitalizar, a gente vai precisar muito desses espaços”, afirmou. Para Regina, o momento exige coesão política e capacidade de leitura do cenário mais amplo. “Vai ser um ano, um período em que a gente precisa muito estar junto”, disse.

Ao situar a plenária na conjuntura política nacional, Regina, que também é dirigente da seção paulista do ANDES-SN, lembrou que o encontro ocorreu na véspera do aniversário do golpe militar de 1964 e associou a necessidade de mobilização à defesa da memória democrática e ao combate, extremamente necessário hoje, à extrema direita. “Memória, verdade, justiça e reparação! Mais uma vez, juntos, para enfrentar essa extrema-direita que tomou o Estado.”

A dirigente da ADunicamp também chamou atenção para os riscos que pairam sobre o financiamento das universidades paulistas e para a necessidade de aprofundar os estudos sobre orçamento público e reforma tributária. Segundo ela, um dos grandes desafios é compreender o novo cenário de instabilidade. “São Paulo, em particular, o modelo de negociação, de autonomia que o Fórum das Seis fez com o Cruesp, sempre foi tido como uma referência nacional. Com a reforma tributária já não sabemos como se estabelecerá a autonomia universitária”, avaliou.

 AMPLIAR A RESISTÊNCIA

Durante a plenária, as opiniões dos participantes também convergiram para a decisão de que a mobilização unificada precisa combinar a pauta salarial com a resistência a medidas internas e externas que afetam a Universidade Pública. Entre elas, foram mencionadas a autarquização na área da saúde, o crescimento do assédio moral, a sobrecarga de trabalho, o congelamento de contratações e a adoção de práticas de gestão consideradas empresariais e autoritárias.

A proposta é realizar debates sobre conjuntura, universidade e mundo do trabalho; produzir materiais conjuntos; fortalecer a presença digital das entidades; organizar uma atividade unificada em 10 de abril e convocar uma nova plenária ampliada na segunda quinzena de abril, antecedendo uma plenária aberta prevista para maio.

Antônio Alves voltou a insistir na necessidade de dar organicidade ao processo. “Pensar um fórum permanente das entidades”, sugeriu, para que ADunicamp, STU, DCE e APG mantenham reuniões regulares e consigam tirar do papel as propostas aprovadas no encontro. A ideia foi acolhida pelos presentes como forma de garantir continuidade à articulação e evitar que a unidade se restrinja aos períodos de campanha salarial.

A plenária aprovou por consenso a construção de um calendário comum e a continuidade das reuniões entre as entidades. A avaliação predominante foi a de que, diante do avanço de políticas de desmonte do serviço público e de ataques às universidades, a unidade entre docentes, servidores e estudantes deixou de ser apenas desejável e passou a ser uma necessidade política imediata.

Data-base, ICMS e cenário político apontam para negociações difíceis

Na abertura da plenária, a presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB), destacou que o encontro foi convocado no contexto da campanha salarial e da construção da pauta unificada das universidades estaduais paulistas, ressaltando o papel das entidades na organização do processo de negociação.

Segundo ela, a plenária tem caráter de debate e acúmulo político, e não deliberativo. “A plenária não é deliberativa. Ela é um processo de discussão, que pode levar elementos para as entidades representativas e também para as pautas diante da administração central”, afirmou.

Silvia enfatizou que o objetivo central é ampliar o alcance da discussão sobre a campanha salarial e mobilizar a comunidade universitária. “A chamada foi feita fundamentalmente em função de que nós estamos em campanha salarial. A pauta unificada é a pauta de todos nós, é a pauta que levamos para a discussão junto ao CRUESP”, disse.

A presidenta também apresentou o calendário inicial de negociações, que inclui reuniões do Fórum das Seis ao longo de abril e a previsão de abertura da mesa com o Conselho de Reitores no dia 26. A pauta unificada reúne oito eixos, entre eles reajuste salarial, permanência estudantil, condições de trabalho e financiamento das universidades paulistas.

Ao avaliar o cenário econômico, Silvia alertou para as incertezas em torno da arrecadação do ICMS, principal fonte de financiamento das universidades paulistas. Ela apontou que a arrecadação do ICMS, nestes meses iniciais do ano, ficou abaixo das previsões. E que a situação permanece imprevisível, inclusive porque não há como avaliar os possíveis efeitos da guerra no Irã, que já causou um drástico aumento no preço dos combustíveis.

“Os ventos não são favoráveis para nós, mas nós não temos que olhar para esses ventos desfavoráveis. Nós temos que ir para cima e pedir aquilo que está definido pela nossa pauta”, afirmou. A reivindicação central, segundo ela, gira em torno da recomposição salarial. “A nossa pauta está girando em torno de 16% de aumento”, explicou, ao relacionar o índice à inflação acumulada e à recuperação das perdas históricas desde 2012.

Silvia também criticou medidas recentes adotadas pela USP, que anunciou o pagamento de bônus de R$ 4.500 a docentes, “mas não a todos” e também não a servidores(as), numa clara manobra de dividir as categorias, em plena campanha da Data-base. “Isso é muito ruim para nós, das três universidades. Salário é salário. Aumento salarial inclui ativos e aposentados. E o bônus restringe isso e só divide as bases”, destacou.

Outro ponto de preocupação levantado foi a reforma tributária e seus possíveis efeitos sobre o financiamento das instituições. A professora informou que foi criado um grupo de trabalho entre o Fórum das Seis e o CRUESP para acompanhar a reforma, mas fez ressalvas. “O GT foi claramente uma conquista do Fórum das Seis. Mas como é que você define um GT de acompanhamento com a definição de ser extinto em 120 dias, quando a reformas está prevista para ser implantado ao longo de quatro anos? É uma incoerência”, criticou.

Ao final, Silvia reforçou a necessidade de mobilização das categorias para fortalecer a negociação. “Ou movimentamos, ou trazemos as nossas bases, ou essa campanha salarial corre o risco de não ser como as campanhas das quais nós já pudemos nos orgulhar”, afirmou, apontando inclusive a possibilidade de greve a depender do andamento das negociações.


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