A mobilização em defesa da Fazenda Remonta-Coudelaria ganhou um novo e importante capítulo. A Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (PROESP) ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para suspender o Leilão nº 91062/2026, marcado para o próximo dia 31 de julho, que prevê a alienação da Gleba B da antiga Coudelaria, área de aproximadamente 162 hectares localizada entre Campinas e Valinhos.
Protocolada na 2ª Vara Federal de Campinas, a ação tem como réus a União Federal e a Fundação Habitacional do Exército (FHE). A entidade sustenta que a Fazenda Remonta possui papel estratégico para a proteção ambiental e para o enfrentamento da crise climática, razão pela qual não pode ser tratada apenas como um ativo imobiliário destinado à exploração econômica.
Segundo a petição, a área funciona como uma verdadeira infraestrutura verde para a Região Metropolitana de Campinas. Ela exerce papel fundamental na macrodrenagem do Córrego Invernada, contribuindo para a prevenção de enchentes, para a regulação da temperatura, para a melhoria da qualidade do ar e para a conservação dos recursos hídricos. Também integra um importante corredor ecológico entre a Floresta Estadual Serra d’Água (FESSEDA) e a Estação Ecológica de Valinhos, garantindo a conectividade entre remanescentes de Mata Atlântica e a sobrevivência de diversas espécies da fauna silvestre.
A ação lembra que a Fazenda Remonta foi declarada Patrimônio Material Ambiental pelo Município de Valinhos e está inserida na zona de amortecimento da Estação Ecológica de Valinhos. O Plano Diretor do município também reconhece a área como estratégica para a conservação ambiental e para o combate às enchentes, vedando sua urbanização.
Entre os principais argumentos apresentados pela PROESP está a alegação de que o edital do leilão ignora essas restrições ambientais e cria mecanismos que favorecem a futura exploração imobiliária da área. A entidade sustenta que o laudo de avaliação reduziu artificialmente as Áreas de Preservação Permanente (APPs), ampliando o potencial construtivo do imóvel, e que o próprio modelo de negociação prevê ganhos futuros decorrentes de eventual valorização imobiliária, caracterizando um processo de natureza especulativa incompatível com a finalidade institucional da Fundação Habitacional do Exército.
A petição também aponta que a alienação da área poderá provocar impactos ambientais permanentes, como a fragmentação do corredor ecológico, a impermeabilização do solo, o agravamento das enchentes, o aumento das ilhas de calor, a intensificação das queimadas e prejuízos à biodiversidade e à segurança hídrica da região.
Diante desse cenário, a PROESP pede que a Justiça reconheça a urgência da situação, suspenda imediatamente o leilão e determine que a União adote medidas voltadas à preservação da Fazenda Remonta como infraestrutura ambiental estratégica para o enfrentamento das mudanças climáticas.
A ação ressalta ainda que a defesa da área já conta com amplo respaldo institucional e social. Os Conselhos Municipais de Meio Ambiente de Campinas (COMDEMA) e de Valinhos aprovaram, por unanimidade, moções pela suspensão do leilão, enquanto a mobilização da sociedade civil segue crescendo em defesa da preservação da Fazenda Remonta.
ADunicamp acompanha mobilização
A ADunicamp acompanha de forma permanente a mobilização em defesa da Fazenda Remonta-Coudelaria e participa das discussões por meio de sua representação no COMDEMA de Campinas.
A entidade também apoia a petição pública que defende a suspensão definitiva do leilão da área e sua proteção integral. O abaixo-assinado (acesse aqui para assinar) já ultrapassa 10 mil assinaturas, demonstrando o amplo apoio da sociedade à preservação de um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica da Região Metropolitana de Campinas.
Para a ADunicamp, a defesa da Fazenda Remonta-Coudelaria vai muito além da preservação de uma área verde. Trata-se da proteção de um patrimônio ambiental estratégico para Campinas, Valinhos e toda a região, fundamental para a conservação da biodiversidade, da água, da qualidade do ar e para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas. A entidade defende que a atuação articulada entre poder público, conselhos ambientais e sociedade civil é o caminho para assegurar a preservação definitiva desse importante patrimônio coletivo.









0 Comentários