Um conjunto de entidades da sociedade civil e movimentos socioambientais, com apoio da ADunicamp, acaba de lançar uma petição pública pela suspensão definitiva do leilão da Fazenda Remonta – Coudelaria, considerada a maior área verde pública localizada entre Campinas e Valinhos.
No documento, as organizações alertam que o leilão da área, promovido pela Fundação Habitacional do Exército (FHE) e remarcado para 31 de julho, representa “muito mais do que a venda de um imóvel público”. Segundo o manifesto, trata-se da possível privatização de “um patrimônio ambiental estratégico, cuja preservação é indispensável para garantir água, biodiversidade, equilíbrio climático e qualidade de vida para Campinas, Valinhos e toda a Região Metropolitana”.
O texto destaca que a recente declaração da Fazenda Remonta como Patrimônio Material Ambiental pelo município de Valinhos representa uma conquista importante da mobilização popular, mas lembra que a medida não impede a venda nem o parcelamento da área. “A ameaça permanece. Por isso, a mobilização precisa crescer!”, afirma o texto.
Assine a petição e ajude a fortalecer essa mobilização. Acesse: https://c.org/FV9HVBy4y8
A petição ressalta que a Fazenda Remonta não pode ser tratada como um terreno disponível para expansão imobiliária. “Ela constitui um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica da região”, formando um corredor ecológico entre a Floresta Estadual Serra D’Água e a Estação Ecológica de Valinhos. Além de abrigar espécies da fauna e da flora, a área protege nascentes, contribui para a recarga de aquíferos, regula o microclima, reduz ilhas de calor, melhora a qualidade do ar e auxilia no controle de enchentes e na segurança hídrica.
Para as entidades, preservar a área tornou-se ainda mais urgente diante da intensificação da crise climática. O documento afirma que “defender a Fazenda Remonta – Coudelaria é uma questão de justiça climática”, argumentando que os impactos da destruição de áreas naturais atingem toda a população, mas recaem de forma mais severa sobre os grupos socialmente mais vulneráveis.
Outro ponto destacado é o papel social do patrimônio público. Segundo o manifesto, “o patrimônio público deve servir ao bem comum. Não pode ser reduzido a ativo financeiro quando desempenha funções ambientais insubstituíveis”. O texto sustenta ainda que a venda da área contraria princípios constitucionais de proteção ambiental e alerta que “não existe compensação financeira capaz de substituir uma nascente destruída” e que “não existe empreendimento imobiliário capaz de produzir chuva, armazenar carbono, reduzir temperaturas ou preservar a biodiversidade”.
DEFESA DA CONSERVAÇÃO
Entre as reivindicações apresentadas pelas entidades estão a suspensão definitiva do leilão, a interrupção de qualquer iniciativa de parcelamento ou ocupação imobiliária da Fazenda Remonta e a destinação da área à conservação ambiental, à pesquisa científica, à educação ambiental, ao lazer público e à proteção permanente da biodiversidade.
O documento também propõe a abertura de um amplo processo de diálogo envolvendo União, Exército, Governo do Estado, municípios, universidades, comunidade científica, movimentos socioambientais e sociedade civil para definir uma solução que preserve integralmente o patrimônio público.
Ao final, o manifesto faz um chamado à sociedade para ampliar a mobilização em defesa da Fazenda Remonta. “A defesa da Fazenda Remonta – Coudelaria transcende interesses locais. Ela representa uma escolha entre dois projetos de futuro: de um lado, a expansão ilimitada da especulação imobiliária; de outro, a defesa da vida, da água, do clima, da biodiversidade e do patrimônio público como bens comuns da sociedade.”
Nas últimas semanas, a mobilização em defesa da área ganhou força. A Câmara Municipal de Valinhos aprovou, em regime de urgência, lei que declarou parte da fazenda patrimônio material ambiental, posteriormente sancionada pela prefeitura. Também foram aprovadas manifestações de apoio à preservação da área por parte do Conselho Municipal do Meio Ambiente.
Fazenda Remonta reúne patrimônio histórico e ambiental estratégico
A Fazenda Remonta possui mais de 400 hectares e é considerada uma das últimas grandes áreas verdes contínuas da região entre Campinas e Valinhos. O leilão promovido pela Fundação Habitacional do Exército prevê a venda do imóvel por aproximadamente R$ 90 milhões.
Fundada em 1938 para abrigar a Coudelaria de Campinas, unidade do Exército Brasileiro dedicada à criação e fornecimento de cavalos para as Forças Armadas, a Fazenda Remonta tornou-se, ao longo das décadas, um dos mais importantes refúgios ecológicos da Região Metropolitana de Campinas.
Com mais de 400 hectares, a área preserva fragmentos de Mata Atlântica, nascentes e áreas de drenagem, funcionando como corredor ecológico entre a Estação Ecológica de Valinhos e a Floresta Estadual Serra D’Água. A fazenda abriga dezenas de espécies da fauna e da flora, incluindo árvores como peroba e jacarandá, entre outras, além de animais como jaguatirica, cutia, cachorro-do-mato, seriema e diversas espécies de aves.
Inserida na Bacia Hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a Fazenda Remonta desempenha papel fundamental na proteção da sub-bacia do Córrego Invernada e de sistemas de drenagem que influenciam também o município de Campinas. Seu solo permeável favorece a recarga de aquíferos, a manutenção de nascentes, o controle de enchentes e a conservação da biodiversidade.
Estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo identificou na área pelo menos 50 espécies vegetais nativas, incluindo espécies ameaçadas, reforçando a importância da fazenda como patrimônio ambiental estratégico em uma região marcada pela intensa expansão urbana.
Assine a petição e ajude a fortalecer essa mobilização. Acesse: https://c.org/FV9HVBy4y8









ADunicamp
[…] Assine a petição em defesa da Fazenda Remonta! ADunicamp apoia e convida a comunidade a fortalecer… […]