Prêmio Mohamed Habib celebra ações que fazem da universidade pública um instrumento de transformação social

Iniciativas reconhecidas pela ADunicamp articulam saúde, direitos humanos, educação, justiça socioambiental, tecnologia e arte; nove trabalhos receberam prêmios e menções honrosas na edição 2025/2026

A universidade pública se constrói também no encontro entre o conhecimento e as lutas por uma sociedade mais justa. É nesse território, onde a pesquisa, a educação e a produção cultural dialogam com os desafios sociais do país, que se situam os nove projetos reconhecidos pelo Prêmio Reconhecimento ADunicamp Professor Mohamed Habib, cuja cerimônia de entrega foi realizada na noite de 15 de outubro, Dia do Professor, no auditório da entidade.

Na edição 2025/2026, a premiação reconheceu iniciativas em cinco categorias, com trabalhos voltados à defesa da vida, à promoção dos direitos humanos, à educação, à justiça social e ambiental, à inovação tecnológica e ao engajamento artístico e político. A cerimônia foi marcada pela emoção e pela esperança, reunindo responsáveis pelos projetos, integrantes da comissão avaliadora, comunidade universitária e convidados.

Em comum, as iniciativas apontam para uma universidade que ultrapassa os limites da sala de aula e dos laboratórios para dialogar com as necessidades da população. São experiências que abordam desde o enfrentamento ao racismo na saúde e a vulnerabilidade social de pacientes até os direitos dos trabalhadores terceirizados, a inclusão de pessoas migrantes e o papel da arte na educação. Diferentes em seus métodos e campos de atuação, elas compartilham o compromisso de colocar o conhecimento a serviço da transformação social.

Conheça as ações premiadas e menção honrosa

Categoria “Defesa da Vida: saúde mental e física”
O projeto Vivência Ubuntu de Educação Antirracista: Diversidade, Equidade e Inclusão na Saúde, de Débora de S. Santos, conquistou o prêmio. A iniciativa traz para o centro do debate a necessidade de enfrentar o racismo e promover equidade no campo da saúde, reconhecendo que o cuidado também passa pelo combate às desigualdades.

Receberam menções honrosas “Neurociências e Saúde Mental em Diálogo com a Sociedade”, de Daniel M. de Souza, e “SURFEF: o direito à praia, à cidadania e ao exercício da diferença”, de Mariana S. P. Gomes. As propostas ampliam o horizonte da defesa da vida ao aproximar o conhecimento científico do diálogo público e ao colocar em discussão o acesso aos espaços sociais e o reconhecimento das diferenças.

Categoria “Democracia e Direitos Humanos”
O vencedor foi “Trote Solidário: Mobilização estudantil no enfrentamento à vulnerabilidade social de pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp”, de Vinícius de S. Braga. O projeto evidencia o potencial da mobilização estudantil para articular solidariedade e compromisso social diante das dificuldades enfrentadas por pacientes em situação de vulnerabilidade.

Categoria “Educação, justiça social e direitos de quem trabalha”
A relação entre formação, juventude e futuro sustentável orienta o projeto “Juventudes em Transição: Projetos de Vida e Bioenergia para a Agenda 2030″, de Roberta Ceriani, vencedor na área de Educação, Justiça Social e Ambiental. 

A iniciativa aproxima os projetos de vida das juventudes dos desafios socioambientais contemporâneos, colocando a educação em diálogo com as transformações necessárias para um futuro mais justo.

A categoria também concedeu menção honrosa ao “Projeto de Integração dos(as) Trabalhadores(as) das Empresas Prestadoras de Serviços à Comunidade Universitária e Grupo de Trabalho sobre Terceirização na Universidade Pública”, de Lara B. Campoli.

O reconhecimento chama atenção para uma questão fundamental no debate sobre a universidade pública, que são as condições de trabalho e o lugar ocupado pelos trabalhadores terceirizados na comunidade universitária. Embora muitas vezes permaneçam à margem da visibilidade institucional, esses profissionais são parte indispensável do funcionamento cotidiano das universidades. Promover sua integração significa também discutir relações de trabalho, reconhecimento e pertencimento em um espaço que deve ser comprometido com a justiça social.

Categoria “Tecnologia pública e direito à saúde”
Na área Ciência, Tecnologia e Direitos Políticos, o prêmio foi concedido a José W. M. Bassani, pelo trabalho “Inovação Tecnológica e o Direito à Saúde: A Trajetória do Sistema GETS e sua Contribuição para Governança e Resiliência da Infraestrutura Hospitalar Pública”.

O projeto articula inovação tecnológica, gestão e infraestrutura hospitalar, destacando a importância de soluções capazes de contribuir para a governança e a resiliência dos serviços públicos de saúde. A iniciativa também reforça uma dimensão estratégica da ciência produzida em instituições públicas: seu potencial de desenvolver ferramentas e conhecimentos voltados às necessidades coletivas.

Categoria “Arte como espaço de encontro e transformação”
A arte também ocupa lugar de destaque entre as iniciativas reconhecidas. Na categoria Arte, Engajamento Social e Político, o vencedor foi “Cartografia dos Afetos Cinematográficos: no Lugar-Escola de Educação Infantil”, de Wenceslao M. de Oliveira Jr. O trabalho aproxima cinema, educação infantil e experiência coletiva, valorizando as possibilidades de criação de sentidos e de construção de vínculos por meio da linguagem audiovisual.

A menção honrosa ficou com o projeto “Rede Arte Refúgio: Processamento curatorial e difusão de produções artístico-culturais de pessoas migrantes e deslocadas no Brasil”, de João F. R. Ferreira.

Ao contribuir para a circulação de produções culturais de pessoas migrantes e deslocadas, a iniciativa coloca em evidência a arte como espaço de expressão, reconhecimento e participação social. Ampliar a visibilidade dessas produções também significa abrir espaço para narrativas, experiências e perspectivas que nem sempre encontram lugar nos circuitos culturais tradicionais.

Avaliação coletiva e compromisso público
Os trabalhos inscritos foram analisados por uma Comissão Avaliadora formada por Ana Maria Reis de Góes Monteiro (ADunicamp/FECFAU), Emília Wanda Rutkowski (ADunicamp/FECFAU), Fernando Roberto Martins (IB), Verónica Andrea González-López (IMECC) e pela advogada Luciana Lucena Baptista Barretto (LBS Advogadas e Advogados). A professora Emília Wanda Rutkowski presidiu a comissão.

Ao longo do processo, foram realizadas reuniões para definir os procedimentos de avaliação, analisar as propostas inscritas e deliberar sobre o resultado final. Ao término, nove trabalhos foram reconhecidos entre vencedores e menções honrosas, distribuídos pelos cinco campos contemplados nesta edição.

A diversidade dos projetos premiados expressa a amplitude das relações entre universidade e sociedade. São iniciativas que tratam de saúde, educação, tecnologia, cultura, direitos humanos e trabalho, mas que compartilham uma preocupação central: fazer do conhecimento uma ferramenta para enfrentar desigualdades, ampliar direitos e fortalecer a vida democrática.

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