Artigo do professor Caio N. de Toledo (IFCH) analisa relação entre a criação da Unicamp e a ditadura militar


No artigo “A Unicamp e o Golpe de 1964: a tutela que não aconteceu”, o professor aposentado do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) Caio N. de Toledo analisa a trajetória da Universidade desde seus primeiros anos, destacando as relações estabelecidas entre a criação e consolidação da Unicamp e o regime militar. O autor lembra que a Universidade nasceu durante a ditadura e recupera episódios que evidenciam a proximidade de sua administração, naquele período, com representantes do regime.

Ao mesmo tempo, o artigo mostra que integrantes da comunidade acadêmica foram perseguidos, presos e torturados em razão de sua atuação política e de seus vínculos com organizações e movimentos de resistência à ditadura. Toledo também aborda características da gestão do então reitor Zeferino Vaz e as diferentes formas pelas quais as pressões do regime militar se fizeram presentes na vida universitária.

Entre os episódios destacados está o chamado “expurgo na Medicina Preventiva”. Em 1975, em meio à repressão da chamada Operação Jacarta, dezenove profissionais da saúde foram pressionados a deixar a Universidade. Entre eles estavam o médico sanitarista Sérgio Arouca e sua equipe de pesquisadores, que posteriormente tiveram papel fundamental na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na parte final, Toledo destaca iniciativas posteriores de reflexão e reparação promovidas pela Universidade, entre elas a revogação, em 2021, do título de Doutor Honoris Causa concedido a Jarbas Passarinho, a homenagem póstuma a Sérgio Arouca, em 2024, e os trabalhos da Comissão da Verdade e Memória “Octavio Ianni”. Para o autor, a trajetória da Universidade demonstra que a Unicamp não foi uma “ilha tranquila” durante a ditadura e que sua comunidade acadêmica, especialmente nos anos seguintes a 1978, resistiu ao autoritarismo e recusou ser tutelada pelo regime militar.

Para ler o artigo na íntegra, acesse este link


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