Sobre comunicados relativos ao registro de frequência durante o movimento grevista


O Comando de Greve manifesta preocupação com a divulgação, neste momento, de comunicações relativas ao enquadramento e registro funcional de docentes que aderiram ao movimento grevista dos dias 20 e 26 de maio.

Embora reconheçamos a necessidade de procedimentos administrativos por parte da Universidade, consideramos inadequadas iniciativas que possam ser interpretadas como mecanismos de constrangimento, intimidação ou cerceamento do exercício de um direito constitucional legítimo, especialmente em uma semana decisiva para o desfecho da campanha salarial e das mobilizações em defesa da universidade pública.

É importante recordar que a greve em curso não se restringe a reivindicações corporativas. Trata-se de uma mobilização em defesa da valorização dos salários, das condições de trabalho, da permanência estudantil, da contratação de servidores e da preservação do caráter público, gratuito e socialmente referenciado da Unicamp.

Nesse contexto, o comando de Greve solicita que a Administração Central, as direções de unidades e os órgãos responsáveis pela gestão de pessoal respeitem o calendário democrático das decisões coletivas que serão tomadas nos próximos dias, incluindo a reunião de negociação entre o Fórum das Seis e o CRUESP, a assembleia estudantil e a Assembleia Geral Docente convocada pela ADunicamp para o dia 11 de junho.

Reiteramos também um princípio que temos defendido desde o início desta campanha: somos todos servidores públicos da universidade. Docentes e servidores técnico-administrativos compartilham o mesmo compromisso com a produção do conhecimento, a formação dos estudantes e a defesa da universidade pública. Em momentos como este, mais do que estimular divisões entre categorias, é fundamental fortalecer a unidade daqueles que sustentam cotidianamente a instituição.

A construção de soluções para o atual impasse exige diálogo, respeito às entidades representativas e avanços concretos na mesa de negociação. Não será por meio de pressões administrativas que a universidade encontrará o caminho para a superação do conflito, mas pelo reconhecimento da legitimidade das reivindicações apresentadas pela comunidade universitária.

Comando de Greve dos Docentes da Unicamp

Campinas, de junho de 2026


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