GREVE! Plenária unificada debate salários, ICMS e futuro das universidades estaduais paulistas


A plenária unificada realizada nesta quarta-feira, dia 27 de maio, no Ciclo Básico da Unicamp, reuniu docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos em defesa da universidade pública e da retomada das negociações salariais com o Cruesp. Convocada conjuntamente pela ADunicamp, STU e DCE, a atividade integrou o calendário da greve unificada das categorias e teve como eixo central o debate sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas diante do cenário de arrocho salarial e subfinanciamento.

A atividade ocorreu em meio ao impasse da data-base 2026. Enquanto o Cruesp mantém a proposta de reajuste de 3,47%, considerada insuficiente pelas entidades representativas, o Fórum das Seis reivindica 7,52%, índice composto pela reposição da inflação medida pelo IPCA (4,39%) e mais 3% de recomposição das perdas salariais acumuladas nos últimos anos. A defesa de um novo modelo de financiamento para as universidades estaduais paulistas e a garantia da autonomia universitária também marcaram os debates da atividade.

Na abertura da plenária, a diretora da ADunicamp, Regina Célia da Silva, destacou a importância da unidade construída entre as entidades durante a mobilização. “Essa é uma atividade que faz parte do calendário da luta unificada das três entidades. Ontem, no ato, a gente mostrou a força da nossa união”, afirmou. Regina ressaltou ainda o caráter político da discussão sobre financiamento universitário: “Não vai ser uma plenária sobre tabela Excel. A gente vai tentar fazer uma discussão política desses números, que é o que interessa para nós”.

Representando o DCE da Unicamp, a estudante Thaís Roldão celebrou a articulação entre os três setores da universidade e a força da greve estudantil. “Estamos muito orgulhosos de toda essa articulação que a gente vem fazendo entre os três setores”, declarou. Segundo ela, o movimento estudantil alcançou uma mobilização inédita nos últimos anos. “Foi uma greve que conseguiu ter 100% dos cursos saindo em greve, apesar dos descompassos temporais de um curso ou de outro”.

ICMS
A presidenta da ADunicamp, Silvia Gatti, contextualizou historicamente a luta pelo financiamento das universidades estaduais paulistas e explicou a origem do modelo de repasse vinculado ao ICMS. “Tudo que envolve esse processo da campanha salarial tem uma base. A base é o ICMS”, afirmou. Silvia lembrou que a autonomia financeira das universidades foi conquistada em 1989, após um intenso processo de greve. “Até então nós tínhamos que negociar com o governador do estado os nossos reajustes salariais”, explicou.

Durante sua fala, Silvia recuperou o papel histórico do professor Luiz Carlos de Almeida (FECFAU), um dos principais formuladores da proposta de vinculação dos recursos das universidades à arrecadação do ICMS ainda nos anos 1980. À época, a proposta enfrentou resistência, mas posteriormente se consolidou como um dos pilares do financiamento das universidades estaduais paulistas.

Silvia também criticou a atual gestão orçamentária da universidade e alertou para os riscos de aprofundamento do déficit financeiro. “A universidade não é hoje. A universidade é para sempre, é uma instituição”, afirmou. Para ela, o crescimento da universidade sem ampliação proporcional do financiamento compromete o futuro da instituição e sua função social.

ORÇAMENTO
O diretor do STU, José Luiz Pio, destacou o caráter político da greve e a importância da participação coletiva na construção da universidade. “A principal questão que a gente está fazendo aqui, estando em greve, é o momento político, a participação política dentro do nosso processo de construção da universidade”, afirmou. Pio ressaltou ainda a importância da apropriação do debate orçamentário pela comunidade universitária, especialmente pelos estudantes. “Vocês que estão com o celular na mão, entram aí na Aeplan. Procura lá o orçamento de 2026. Você tem o orçamento da universidade na sua mão para estudar, para saber onde vai cada item do orçamento detalhado”.

Ao longo da plenária, Pio também alertou para o processo de estrangulamento orçamentário vivido pelas universidades estaduais paulistas. Segundo ele, a ampliação de cursos, campi e áreas de atuação não foi acompanhada pela ampliação do financiamento público. “O subfinanciamento vem daí, do aumento do atendimento para estudante, para extensão, para área de saúde e também da não ampliação do financiamento dos recursos destinados pelo Estado”, afirmou.

O dirigente chamou atenção ainda para os impactos da reforma tributária sobre o atual modelo de financiamento baseado no ICMS. “O ICMS tem data para acabar. Em 2032, ele vai ser extinto pela reforma tributária”, alertou. Segundo Pio, o Fórum das Seis defende a vinculação de 8,64% da Receita Tributária Líquida (RTL) do estado para garantir a manutenção da autonomia universitária. “Nós não temos garantia nenhuma do financiamento. Nós precisamos lutar para que a universidade tenha financiamento”, disse.

Outro tema abordado foi a defesa da produção científica pública e do caráter social da universidade. Pio criticou convênios que transferem propriedade intelectual produzida na universidade para empresas privadas. “Nós queremos que o conhecimento desenvolvido aqui na universidade fique para a sociedade brasileira”, afirmou.

A plenária reforçou a continuidade da mobilização das três categorias em defesa da recomposição salarial, da autonomia universitária e de um modelo de financiamento público capaz de garantir a expansão e a permanência das universidades estaduais paulistas como referência em ensino, pesquisa e extensão.

 

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