Mortes na Amazônia são retratos da impunidade. ADunicamp se solidariza com as vítimas e com os povos indígenas

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As mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, correspondente do jornal inglês The Guardian, no Vale do Javari, estado do Amazonas, confirmadas nesta quinta-feira, 16 de maio, depois de dez dias do desaparecimento, são mais um marco na explosão de violência e terror que as terras indígenas e o campo brasileiro vivem atualmente, sob o manto da impunidade.

A CPT (Comissão Pastoral da Terra), em seu último relatório, aponta que em 2021 ocorreram 103 assassinatos de indígenas, incluindo crianças, contra apenas nove registrados no ano anterior. A publicação anual da Comissão, Conflitos do Campo do Brasil, registrou 1.768 episódios no país, com 35 assassinatos, 28 deles na Amazônia legal, e o envolvimento de quase 900 mil pessoas.

A invasão de áreas indígenas por garimpeiros ilegais e grandes proprietários de terras tem provocado desmatamento sem precedentes na Amazônia e a contaminação de mananciais pelo mercúrio utilizado nos garimpos.

Desde 2018, a área ocupada por garimpeiros ilegais em terras indígenas mais que dobrou, passando de pouco mais de 1,2 mil hectares para 3,2 mil hectares em 2021. Estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) revelou níveis de mercúrio bem acima do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em indígenas da etnia Yanomami, que vem sendo dizimada pelos invasores.

O aumento da violência no campo vem sendo registrado, segundo a CPT, desde 2016, quando ocorreu a ruptura política no Brasil, e tem como principais operadores os fazendeiros, agromilícias e grupos de pistoleiros que atuam sob encomenda na invasão de áreas já destinadas, como territórios indígenas, unidades de conservação, terras quilombolas e áreas de reforma agrária.

Esse quadro só tem sido possível graças a irresponsabilidade das autoridades, incluindo aí o alto escalão do Governo Federal e o próprio presidente Jair Bolsonaro, que simplesmente abriram mão de seu papel constitucional de fiscalizar, coibir e punir os atos de violência. E mais do que isso, têm executado um desmonte deliberado dos órgãos de vigilância e fiscalização, como a Funai e o Ibama, na estratégia assumida de “deixar passar a boiada”.

Bruno tem uma história de décadas de ações em defesa das Terras Indígenas da Amazônia e de seus povos. Conhecia aquela área e as pessoas que as habitavam e também os invasores, como a palma da mão. Dom era um jornalista reconhecido internacionalmente por suas reportagens e trabalhos sobre a Amazônia e os povos originários. E também navegou inúmeras vezes por aquele curto trajeto onde os dois foram executados.

ADUNICAMP SE SOLIDARIZA COM AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA E, AO MESMO TEMPO, NÃO PODE DEIXAR DE REGISTRAR SEU PROTESTO CONTRA A IMPUNIDADE QUE AGRAVA O DESCONTROLE SOCIAL NO PAÍS!

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