A ADunicamp vai apoiar abertamente a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste segundo turno das eleições e fazer mobilizações nas ruas e nas redes sociais para angariar votos. A decisão foi tomada em Assembleia geral de docentes que se reuniu nesta terça-feira, 6 de outubro, no auditório da entidade.
A presidenta da ADunicamp, professora Silvia Gatti (IB), e docentes que se pronunciaram em defesa da decisão avaliaram que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o opositor de Lula, traria graves riscos não só para as universidades públicas, mas também para a educação de qualidade, para o SUS, para os sindicatos e para todos os programas sociais que existem hoje.
“A extrema direita já se coloca claramente contra as universidades públicas. Contra programas sociais. Contra o SUS e contra os sindicatos. Caso o Bolsonaro ganhe, os ataques contra essas instituições serão violentos. Já temos o Tarcísio em São Paulo que tem nos atacado, se ele tiver o apoio de Brasília podemos prever o corte radical de verbas para a Universidade, para a pesquisa e uma ameaça direta aos empregos de todos nós”, afirmou Silvia.
Para a presidenta da ADunicamp, o momento exige que docentes e entidades representativas ultrapassem os limites do debate interno da Universidade e ampliem o diálogo com outros trabalhadores e com a população.
“Temos que sair dos nossos gabinetes e ir conversar com as pessoas. Temos na Unicamp três mil terceirizados, temos que conversar também com essas pessoas. Mostrar que a Universidade e muito mais está em risco”, defendeu.
A professora Silvia informou que não há, no Regimento da ADunicamp, nenhuma restrição ao apoio aberto da entidade a candidatos em campanhas políticas. Mas que a entidade sempre se absteve de apoios declarados devido à diversidade de posições políticas de sua base sindical. “Mas o que é muito claro para nós é que, neste momento, não devemos ficar na neutralidade. Não é possível a neutralidade. Não é momento de apenas dizer ‘não’ a uma candidatura. Essa é a nossa realidade. Até porque já existe no projeto do Flávio Bolsonaro a destruição dos sindicatos. O país está em risco e temos que ir além de só tomar posição: temos também que apoiar”, defendeu Silvia.
Pauta de ações
A necessidade de ampliar a mobilização para além da comunidade acadêmica apareceu de forma recorrente nas manifestações de docentes durante a Assembleia. Entre as propostas apresentadas estão a realização de panfletagens, aulas públicas e atividades no centro da cidade, além da formação de pequenos grupos para conversar diretamente com a população.
Foi sugerida defendida tambem a aproximação com coletivos existentes na própria Universidade e a articulação com sindicatos, movimentos sociais e outras organizações dispostas a participar da campanha.
Uma das preocupações manifestadas foi localizar e dialogar com setores que não participaram do primeiro turno e ampliar a conversa com pessoas que ainda não definiram seu voto. Para isso, a avaliação predominante foi de que será necessário combinar a atuação nas redes sociais com o contato direto nas ruas.
Nas intervenções, docentes defenderam que esse diálogo seja feito a partir de questões concretas que afetam a vida cotidiana da população. Entre os temas apontados estão a defesa do SUS, da educação e da universidade pública, dos programas sociais, do funcionalismo público, das políticas para as mulheres, da aposentadoria e dos direitos trabalhistas.
Também foram propostas campanhas que discutam salário-mínimo, jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, além de materiais específicos sobre os impactos que um governo de extrema-direita poderia produzir sobre os serviços públicos e os direitos sociais.
A avaliação apresentada por diferentes participantes foi de que a disputa eleitoral não pode ser tratada apenas como uma escolha entre candidatos. Para docentes que defenderam o posicionamento da entidade, estão em jogo projetos profundamente distintos para o país e conquistas sociais construídas ao longo de décadas.
Também nas redes
Embora a defesa da presença nas ruas tenha ocupado espaço importante no debate, os docentes também ressaltaram que a campanha precisa ter forte atuação nas redes sociais.
A proposta é produzir conteúdos mais diretos, objetivos e de fácil circulação, capazes de relacionar o resultado das eleições a temas presentes na vida das pessoas e, ao mesmo tempo, enfrentar informações falsas e discursos que, segundo os participantes da Assembleia, procuram ocultar as consequências das propostas defendidas pela extrema direita.
Para os(as) docentes, a atuação nas redes e o corpo a corpo devem ser complementares. A ideia é que materiais digitais possam alcançar públicos mais amplos, enquanto as atividades presenciais permitam conversar, esclarecer dúvidas e disputar diretamente posições políticas.
Também houve a defesa de que a ADunicamp disponibilize estrutura e recursos para fortalecer as ações e, quando necessário, contribuir com iniciativas construídas conjuntamente com outras organizações.
ADunicamp, STU e DCE
As propostas apresentadas na Assembleia começaram a ser encaminhadas logo após o encerramento da reunião. A professora Silvia e representantes da ADunicamp levaram as sugestões para uma reunião conjunta com o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE). As três entidades vão discutir e organizar ações conjuntas de mobilização dentro e fora da Universidade durante o segundo turno.
A intenção é transformar a decisão aprovada pela Assembleia em uma campanha efetiva, combinando comunicação, atividades no campus, presença nas ruas e diálogo direto com diferentes setores da sociedade.
A orientação aprovada pelos docentes é clara: a ADunicamp estará nas próximas semanas abertamente engajada na defesa da reeleição de Lula e buscará ampliar a mobilização em defesa da universidade pública, da ciência, do SUS, dos direitos sociais e trabalhistas e da democracia.
ANDES-SN, ELEIÇÕES E O CONAD
Durante a Assembleia, a professora Regina Célia da Silva, diretora da ADunicamp e vice-presidenta do ANDES-SN – Regional São Paulo, apresentou informes sobre as deliberações da Diretoria Nacional do Sindicato para o segundo turno das eleições presidenciais. Ela informou que, em reunião extraordinária realizada no dia 5 de outubro, a direção do ANDES-SN aprovou por unanimidade o apoio à candidatura de Lula, reafirmando deliberação do 69º Conad de atuar para “garantir a derrota eleitoral da direita e extrema direita” e convocar a categoria à participação não apenas pelo voto, mas também pela mobilização em defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Regina também destacou os encaminhamentos aprovados para o período, entre eles a mobilização das seções sindicais e secretarias regionais, a produção de materiais para a campanha, a realização de ações em conjunto com outras entidades da educação e movimentos sociais e a participação em comitês e atividades unitárias de apoio a Lula. Entre os temas indicados pelo ANDES-SN para o diálogo com a sociedade estão a defesa da democracia e da soberania, o financiamento da educação, a valorização das carreiras, a defesa do SUS e das cotas e o enfrentamento a novos ataques à Previdência e aos direitos da classe trabalhadora.
O relatório completo da reunião extraordinária da Diretoria do ANDES-SN, com todas as deliberações e encaminhamentos aprovados para o segundo turno das eleições, está disponível neste link.
A assembleia também elegeu quatro docentes que vão representar a ADunicamp no 16º Conad Extraordinário do ANDES-SN, que acontecerá na UnB, em Brasília, entre os dias 13 e 15 de novembro, com o tema central “Fortalecer o ANDES-SN: questões organizativas, administrativas, políticas e financeiras em debate”.
A professora Silvia foi a primeira a se candidatar e justificou: “Como serão tratadas basicamente questões organizativas, financeiras e administrativas, avaliamos que a ADunicamp tem muito a contribuir. Somos um sindicato que realmente trabalha as questões administrativas, com normas e que avançam para as questões financeiras. E a nossa experiência pode ser levada, por meio desse Conad, para muitos outros sindicatos da base do ANDES-SN”.
Além da professora Silvia Gatti, eleita delegada, foram eleitas três observadoras para representar a ADunicamp: Emília Wanda Rutkowski, também como suplente da delegada; Silvia Cristina Franco Amaral; e Maria Cristina Bahia Wutke.









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