A Diretoria da ADunicamp repudia com veemência as declarações do presidente argentino Javier Milei que, em solo brasileiro, desferiu insultos do mais baixo nível contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF Alexandre de Moraes, num comportamento inadmissível para um chefe de Estado em visita a outro país. Na convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, o ultradireitista presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e “ladrão” e Moraes de “lixo careca”, desencadeando uma crise diplomática sem precedentes entre os dois países.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, determinou o retorno imediato do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, medida considerada um dos instrumentos diplomáticos mais duros diante de um agravamento das relações entre países. E também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para comunicar oficialmente a rejeição do governo brasileiro às ofensas e ao comportamento de Milei.
Em comunicado oficial, o Itamaraty afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”. E considerou “especialmente lamentável” que o episódio envolva o presidente de um país com o qual o “Brasil mantém mais de dois séculos de relações diplomáticas e cujo principal parceiro comercial é justamente o Brasil”.
A Presidência do STF também deplorou as falas de Milei e as chamou de “manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”. Na Argentina, a dura repercussão negativa às falas do presidente veio não só de políticos de oposição e da mídia, mas também de representantes do alto escalão da Diplomacia.
A ADunicamp avalia que as falas de Milei são mais do que um apoio ao candidato de ultradireita no Brasil, mas se articulam com a estratégia do presidente norte-americano Donald Trump de intervir nas eleições brasileiras e já antecipar um eventual questionamento dos resultados eleitorais, caso o candidato que apoiam seja derrotado em outubro. Não por acaso, os dois repetem permanentemente falsos questionamentos das urnas eletrônicas.
A autodeterminação do Brasil estabelece que o destino do país e de suas instituições deve ser decidido exclusivamente pelo povo brasileiro. O princípio da soberania nacional e a defesa da não-intervenção estrangeira constituem pilares fundamentais da Constituição brasileira e da atuação do país nas relações internacionais.









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