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Negação da ciência cresce no Brasil e é uma ameaça em tempos de pandemia

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Profissionais de saúde, cientistas e grande parte da população brasileira assistem com perplexidade as manifestações crescentes da chamada “corrente negacionista”, que se baseia em informações pontuais ou simplesmente falsas para negar a extensão da pandemia da Covid-19 e distribuir notícias sobre supostas “curas milagrosas” que ainda não têm a menor comprovação médica ou científica. Esses negacionistas retomam a ideia da negação da ciência e representam um risco para o controle da expansão da pandemia, ao negar também os mecanismos de proteção, num momento em que o contágio cresce sem controle no Brasil e o isolamento social é a única arma conhecida para contê-lo.
Essas foram algumas das questões abordadas, nesta segunda-feira, 04, durante o oitavo debate on-line sobre a Covid-19, realizado pela ADunicamp, e que teve como tema “Obscurantismo e fragilidade da Ciência em tempos de pandemia”. Participaram do debate a professora Ana Arnt (IB), bióloga e doutora em Educação; e o professor doutor em Ciência Política, Álvaro Bianchi (IFCH). Os debates têm sido coordenados pelo professor doutor Wagner Romão (IFCH), presidente da ADunicamp.
RAÍZES DO NEGACIONISMO
Na avaliação do professor Álvaro, “é evidente que existem interesses econômicos imediatos” na negação da quarentena e defesa do fim do isolamento social, mas a corrente negacionista tem uma forte ancoragem na história brasileira e se fortalece neste momento devido a um conjunto de fatores políticos, culturais e sociais, agravados pela pandemia.
O pensamento, que o professor chama de anti-intelectualista, é encontrado na história brasileira tanto nas ideologias de esquerda como de direita, embora seja nesta última que tenha conquistado adeptos e seguidores mais aguerridos.
Álvaro apontou que o pensamento anti-intelectualista tem origem no próprio passado escravista brasileiro. “Por um lado, o trabalho intelectual ou o título superior eram vistos como acessíveis a poucos. As classes pobres não tinham nenhum acesso a eles”. Por outro lado, para as elites econômicas, o título superior não fazia a menor diferença no papel que representavam na sociedade. “Assim, o capital intelectual nunca foi importante na mobilidade e na ascensão social do brasileiro”.
Para o professor, a corrente anti-intelectualista “se funde agora a outras correntes políticas e ideológicas e cria o negacionismo” contra a ciência. Assim como outras ideologias semelhantes do passado, o negacionismo questiona não apenas a ciência, mas a razão, pois se fundamenta em emoções e paixões.
“Encontramos nos estudos europeus sobre o fascismo esse mesmo princípio irracionalista. Há um denominador comum nesses discursos políticos autoritários. Eles sempre respondem a uma falta de algo. E, frequentemente, é algo do passado, de um tempo passado. Mussolini, falava de recuperar um tempo passado que, na verdade, nunca existiu na Itália. Os argumentos interpelam os afetos e as paixões. E nunca a razão”, afirmou.
E surge daí a grande dificuldade de contrapor com argumentos lógicos e científicos as afirmações dos negacionistas, que hoje se encontram principalmente nas correntes políticas de direita, em especial na extrema-direita. “Como são imunes à razão, só admitem respostas no âmbito das emoções e dos afetos”.
CIÊNCIA E SOCIEDADE
A professora Ana Arnt defendeu a necessidade de mudanças na relação e na comunicação da ciência e da academia com o conjunto da sociedade. Essas mudanças, que já eram mais do que necessárias, adquirem importância renovada neste momento de crescimento dos discursos de negação da ciência.
Para ela, há uma certa “soberba” na forma como algumas vezes a academia se comunica com o conjunto da sociedade. Um dos exemplos, é o tom de deboche que grande parte de cientistas usa para tratar temas como o terraplanismo, movimento antivacinas e o próprio negacionismo.
O deboche, segundo ela, transmite uma suposta “superioridade” que a ciência não pode ter diante do conjunto da sociedade. “Não é porque a ciência diz que é para ficar em casa que você vai ficar. Como se o que a ciência diz, você tem que fazer. Isso também é anti-intelectualísmo, isso não é ciência. Não é porque temos dados robustos sobre determinada questão que temos a verdade”, argumentou.
Ana avalia que a comunicação com a sociedade ainda é feita de “forma fechada” pela ciência. Como se determinada informação, resultado de estudos e pesquisas, fosse definitiva, quando a principal característica da ciência é justamente a construção, a mudança. “Não podemos argumentar como se tivéssemos verdades estabelecidas”.
E esse aspecto da comunicação toma uma nova forma nestes tempos de pandemia. “Ainda não sabemos o que está acontecendo com o vírus. O que a gente está falando, vale para este momento e não para daqui a pouco. E isso é ciência, a gente vai adicionando novas questões de maneira muito rápida. Mas, sem uma comunicação correta, isso também mostra certa fragilidade. A construção desse saber é aos poucos e a forma como se constrói o questionamento científico não é compreendida por grande parte da população”, afirmou.
Assim, para a professora, é indispensável que a ciência encontre novas formas de comunicação com a sociedade para ajudar combater o obscurantismo e o negacionismo.
OUTROS DEBATES
Esse foi o oitavo debate on-line realizado pela ADunicamp, desde o início do isolamento social iniciado em 12 de março. Os debates têm reunido cientistas e especialistas de diversas áreas ligadas com a questão da pandemia.
O primeiro debate, realizado em 16 de março, teve como tema os “Efeitos do coronavírus na sociedade e na economia”. Nas semanas seguintes, foram abordados os temas: “O avanço da pandemia e como viver com ela”, “Isolamento espacial, tensões sociais e violência doméstica”, “Ensino à Distância no contexto da pandemia”, “A contenção do tratamento da Covid-19” e “Subnotificação e os riscos de flexibilização da quarentena”.
Você pode assistir os vídeos completos dos debates acessando o canal da ADunicamp no Youtube.
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Flexibilizar o isolamento social, neste momento, é ‘um crime contra a saúde pública’

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Flexibilizar o isolamento social neste momento, como o prefeito Jonas Donizete (PSB) pretendia que ocorresse em Campinas a partir do dia 4 de maio, é “um crime contra a saúde pública” que pode provocar mortes em massa, não só de pessoas acometidas pela Covid-19, mas também de portadores de outras doenças e que não terão acesso a leitos de UTI se precisarem. Além disso, a proposta de flexibilização apresentada pelos órgãos de saúde de Campinas é “totalmente precipitada e irresponsável” e poderá transformar a cidade na grande propagadora da Covid-19 rumo ao interior paulista.
Esses alertas foram lançados nesta terça-feira, 28, pelos três especialistas que participaram do sétimo debate realizado pela ADunicamp sobre a crise do novo coronavírus e que teve como tema “Subnotificação e os riscos de flexibilização da quarentena”. O encontro, como lembrou o presidente da ADunicamp e coordenador do debate, professor Wagner Romão (IFCH), aconteceu exatamente no dia em que o Brasil registrou mais de cinco mil mortos pela Covid-19 e superou a China, país onde a pandemia teve início.
A flexibilização em Campinas a partir do dia 4 de maio foi proibida pelo Governo do Estado, com base em decreto que determina a quarentena em cidades paulistas até 10 de maio, mas pode ocorrer a partir de então se não houver nova determinação estadual.
Participaram do debate o professor doutor Heleno Rodrigues Corrêa, epidemiologista e especialista em saúde pública (Unicamp/UNB); a professora doutora Verônica González-Lopez (IMECC/Unicamp), especialista em estatística e integrante da diretoria da ADunicamp; e a presidente do Conselho Municipal de Saúde de Campinas e dirigente do Movimento Popular de Saúde, Nayara Lúcia Soares Oliveira, socióloga com especialização em saúde pública.
CRIME CONTRA A VIDA
O professor Heleno, com larga experiência em ações de controle de epidemias, afirmou que a pressão pela flexibilização do isolamento, que tem sido comandada por setores da economia com apoio de grandes veículos da mídia comercial, configura “um crime contra a vida”.
“Sabemos que a volta às ruas de forma desordenada é um crime que vai gerar um grande número de covas”, garantiu ele, com base na análise dos dados da pandemia no Brasil e em outros países. E a escolha de Campinas como cidade teste para acelerar a flexibilização não é aleatória. “Campinas foi o laboratório onde o SUS se desenvolveu muito no Brasil e criou modelos de saúde pública que hoje são usados em todo o país. Toda vez que se quer esfaquear o SUS, como acontece agora, Campinas também é usada como laboratório”.
Os argumentos dos defensores da flexibilização são, segundo Heleno, “totalmente errados do ponto de vista da saúde pública”. Ele advertiu que tem sido propalada a falsa informação de que a epidemia perderá a força quando grande parte da população for contaminada, “alguns falam em 70% ou 80”. “Mas isso é mentira”. Pelo contrário, afirmou ele, quanto mais gente o novo coronavírus contaminar rapidamente, maior a possibilidade de que sejam geradas mutações que criem cepas ainda mais resistentes e agressivas do vírus.
Para Heleno, pessoas ligadas à área de saúde e autoridades informadas que propagam esse tipo de informação estão cometendo um crime. “Não são ignorantes. São criminosas”.
‘ABSURDO’ EM CAMPINAS
Na mesma direção de Heleno, a presidente do Conselho de Saúde Nayara Oliveira, afirmou que o plano de flexibilização divulgado pela Prefeitura de Campinas, e que prevê a liberalização completa em 42 dias, é “um completo absurdo”.
O plano apresentado, e que está disponível nas página da prefeitura na internet, com o nome “Plano de Monitoramento da Pandemia de Covid-19 em Campinas e Flexibilização do Distanciamento Social”, prevê a flexibilização em três etapas, cada uma delas com a duração inicialmente prevista de 14 dias. Em cada uma das etapas é especificada a abertura de um conjunto de estabelecimentos comerciais, igrejas, cinemas, shoppings e assim por diante, com regras de distanciamento, uso de máscaras, limites de ocupação dos espaços e outras medidas para cada caso.
O plano também estabelece critérios a serem verificados no final de cada etapa, para que seja autorizada a passagem para a fase seguinte. Entre eles, a garantia de que não houve crescimento no número de casos, crise de atendimento na saúde ou superlotação de UTIs. O plano também afirma que a prefeitura deverá realizar um “programa robusto” de testagem para a Covid-19.
“O plano prevê então que, se as etapas forem mesmo superadas a cada 14 dias, em 42 dias voltaremos à ‘vida normal’. Mas em qual país da carochinha esse povo pensa que está? Não vai existir ‘vida normal’ após o coronavírus por, pelo menos, um ou dois anos, tempo que se estima para que tenhamos vacina ou tratamentos eficazes”, afirmou.
Nayara destacou que a alta subnotificação de casos em Campinas é muito alta, de acordo com levantamentos feitos pela Conselho Municipal de Saúde. “Estima-se que os casos oficialmente apresentados devam ser multiplicados por 12. Ou seja, às 15 horas deste dia 28 de abril, tivemos 306 casos. Multiplicados por 12, teríamos na verdade mais de três mil casos. E as mortes devem ser multiplicadas por nove. Ou seja, temos 14 óbitos oficialmente anunciados, mas já devem ter chegado a mais de 120”.
O Conselho Municipal de Saúde, relatou Nayara, tem acompanhado de perto e levantado, além dos dados oficialmente divulgados, a situação da pandemia na cidade. “A situação em Campinas ainda não é tétrica, como em São Paulo, graças ao isolamento que tem abaulado a curva de crescimento da doença”.
O SUS em Campinas tem 26 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes, enquanto a rede privada de planos de saúde tem 56 leitos para cada 100 mil. “Numa iminência do sistema entrar em colapso como o poder público vai agir? Vai criar uma fila única? Nada disso está especificado no plano de flexibilização”, afirmou.
De acordo com ela, a prefeitura tem avançado em investimentos para enfrentar a pandemia, como a construção em andamento do hospital de campanha. “Mas ainda estamos muito longe de ter estrutura para enfrentar um crescimento acentuado de casos”.
Com base em estudos e diagnósticos de especialistas, o conselho presidido por Nayara elencou seis pontos que deveriam ser rigorosamente respeitados em qualquer proposta de flexibilização. Entre eles, a baixa incidência de novos casos, ocupação máxima de 70% dos leitos nos hospitais, garantia de proteção aos profissionais da saúde e a testagem maciça e rápida, com critérios científicos, de todos os segmentos da população. E, segundo ela, o plano de flexibilização proposto não toca em quase nenhum dos pontos elencados. O plano fala também na realização de “testes robustos”, mas Campinas ainda não conseguiu chegar perto dos índices de testagem que já são feitos em cidades como Botucatu e Araraquara. “Campinas não está preparada para enfrentar a flexibilização”, garantiu.
Nayara lembrou ainda que Campinas está muito perto de São Paulo, com muitos moradores que trabalham na capital e vão e voltam diariamente. Além disso, é um dos principais eixos rodoviários em direção a cidades do interior paulista. “A expansão da pandemia aqui vai levar coronavírus para todo o interior paulista”.
SUBNOTIFICAÇÃO
A professora Verônica González-Lopez afirmou que ainda estamos longe de ter dados suficientes para construir um modelo científico que ajude as autoridades de saúde a tomarem decisões sobre o momento adequado de flexibilizar o isolamento social.
Com base em estudos de outras epidemias causadas por coronavírus, como a da SARs de 2002 a 2004, Verônica afirmou que foram elaborados modelos estatísticos precisos que permitem acompanhar a evolução da pandemia. Esses modelos têm sido auxiliares importantes nas decisões tomadas por países que tem conseguido controlar a expansão da Covid-19.
Mas, para a construção desses modelos, são fundamentais informações estatísticas seguras, como os índices de expostos assintomáticos, de infectados fortes em quarentena ou fora dela e de infectados sem diagnóstico, entre outros. “Com esses dados temos como reproduzir o modelo da epidemia e a expectativa de evolução dela”.
Hoje, a taxa mundial de transmissão da Covid-19 está em torno de 3,58, ou seja, cada pessoa infectada transmite o vírus para outras 3,58. Na China, em 2003, a taxa de transmissão da SARs, que também foi demolidora, era de 1,74, em março, mas caiu rapidamente para 0,93 em abril e, no mês seguinte, já ficava em 0,43, graças às medidas rigorosas adotadas.
Mas, em todo o Brasil, a subnotificação de casos é altíssima e, portanto, não existem dados minimamente seguros sobre as taxas de transmissão. “E como vamos tomar a decisão de abrir a quarentena, ou o isolamento social, se não temos sequer as variáveis básicas para determinar um modelo epidemiológico? ”
OUTROS DEBATES
A ADunicamp já realizou, nos dias 16, 18 e 25 de março e 1°, 7 e 15 de abril, seis debates para discutir questões relacionadas à Covid-19, todos eles coordenados pelo professor Wagner Romão.
O sexto debate, “CORONAVÍRUS: A contenção do tratamento da Covid-19”, alertou para a falta de uma estratégia nacional para conter a pandemia no país e para as supostas “soluções mágicas” que vêm sendo propaladas como medicamentos capazes de curar a doença. Participaram do debate a professora doutora Wanda Almeida (FCF/Unicamp), com larga experiência no desenvolvimento de fármacos; e o professor doutor Gastão Wagner Campos (FCM/Unicamp), médico sanitarista com atuação nas áreas de Saúde Coletiva e Saúde Pública.
O quinto debate, com o tema “Ensino à Distância no contexto da pandemia”, apontou que a opção ampla pela utilização da EaD tem sido realizada de forma improvisada e imediatista pelas políticas educacionais do governo Federal, de governos estaduais e municipais e por um grande número de instituições de ensino brasileiras. E, por isso, ameaça precarizar todos os níveis do ensino e ampliar as desigualdades já acentuadas no sistema de ensino do país.
Participaram do encontro as professoras Heloísa Lins, da Faculdade de Educação da Unicamp e integrante da Abalf (Associação Brasileira de Alfabetização); Solange Pozzuto, diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e integrante do Fórum de Educação de Campinas; e o professor Salomão Ximenes, da UFAABC (Universidade Federal do ABC), com especialidade nas áreas de Direito e Políticas Públicas.
O quarto debate teve como tema “Coronavírus: isolamento espacial, tensões sociais e violência doméstica”. Para os três debatedores que participaram do encontro, a pandemia tem deixado cada vez mais evidentes algumas das principais contradições sociais e econômicas da sociedade brasileira, e será inevitável que novos pactos sociais sejam construídos assim que ela chegar ao fim.
Participaram do encontro as professoras Silvia Santiago (FCM), com larga experiência na área de Saúde Coletiva; Natália Corazza Padovani, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Antropologia Social (IFCH); e o professor Sávio Cavalcante (IFCH).
No terceiro debate participaram o professor doutor Francisco Aoki e a professora doutora Rosana Onoko Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Na avaliação deles, a sociedade brasileira já está obrigada a repensar profundamente alguns de seus valores diante da pandemia do novo coronavírus. E, ao mesmo tempo, terá que se preparar para enfrentar com equilíbrio o longo período de reclusão que ainda teremos que atravessar para conter a expansão da doença.
O segundo debate, além de apresentar questões específicas da Covid-19, mostrou os reflexos imediatos e de médio e longo prazos que a “crise do coronavírus” provocará na sociedade e na economia brasileiras, que também exigem ações profundas e imediatas do poder público.
Participaram do segundo debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
No primeiro debate, os participantes alertaram para a necessidade urgente das autoridades brasileiras adotarem medidas rigorosas de controle para impedir uma explosão da pandemia no país. E apontaram, a partir dos dados que já se tinha naquele momento, que o Estados Unidos e, depois, a América Latina seriam os novos epicentros da pandemia.
Participaram do primeiro debate a especialista em estudos sobre vírus, professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp; a professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva; e o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
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Brasil está sem estratégia eficaz para enfrentar a Covid-19 e uso da cloroquina não tem nenhuma comprovação científica

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Instituições científicas e médicas do mundo inteiro correm hoje em busca de uma vacina e de medicamentos para a cura da Covid-19, mas ainda não existe nenhum medicamento comprovadamente eficaz, embora vários deles venham sendo testados. Por isso, a apresentação da cloroquina como um medicamento capaz de eliminar o novo coronavírus é uma “solução mágica” sem base nenhuma nas ciências médicas e farmacológicas. E a propagação dessas “curas milagrosas” ainda sem comprovação científica, como têm sido feitas até pelo presidente da República Jair Bolsonaro, aliada à forma precária como o Brasil têm enfrentado a pandemia, impedem qualquer prognóstico sobre o resultado final da “crise do coronavírus” no Brasil. Estas foram algumas das conclusões apresentada no debate: CORONAVÍRUS: A contenção do tratamento da Covid-19 em debate”, o sexto da série sobre o tema promovido pela ADunicamp.
Participaram do debate a professora doutora Wanda Almeida (FCF/Unicamp), com larga experiência no desenvolvimento de fármacos; e o professor doutor Gastão Wagner Campos (FCM/Unicamp), médico sanitarista com atuação nas áreas de Saúde Coletiva e Saúde Pública. O debate foi mediado pelo presidente da ADunicamp, professor doutor Wagner Romão (IFCH) e transmitido ao vivo. A integra do encontro pode ser vista Facebook, acessando a página www.facebook.com/ADunicamp
A professora Wanda relatou que existem vários medicamentos já utilizados para a cura de outras doenças e que têm sido receitados por médicos no mundo inteiro para debelar alguns sintomas secundários que ocorrem na Covid-19. Entre eles, têm sido utilizados antivirais e medicamentos utilizados em pacientes com Aids. “Mas não existe nenhum medicamento específico e eficaz para a Covid-19”.
Até chegar ao ponto de poder ser usado clinicamente, um novo medicamento passa por um longo processo de testes que pode demorar alguns anos, relatou ela. Primeiro, é testado in vitro, com enzimas, células; depois com animais e, mesmo quando passa a ser testado em humanos, nos ensaios clínicos, pode apresentar diferentes resultados de acordo com as faixas etárias, gênero ou grupos étnicos. “E não é nada disso que temos visto com a cloroquina”.
“Não estou dizendo que a cloroquina nunca vai ser útil”, avaliou. Mas todos os resultados apresentados até agora são pontuais e ainda muito controversos. Para ela, ninguém “é contra” a cloroquina. “Mas não existem estudos publicados hoje que permitam o seu uso clínico em larga escala”. Até porque, advertiu, mesmo os resultados positivos apresentados em alguns casos isolados não podem ser atribuídos apenas ao medicamento, mas também às condições do paciente. “Pode funcionar para alguns, mas não necessariamente para outros”. E até o momento só foram apresentados resultados do medicamento em grupos pequenos. “E ninguém conseguiu associar diretamente os casos em que houve curas com a cloroquina”.
A cloroquina pode provocar efeitos colaterais graves, como arritmia cardíaca. E alguns medicamentos antivirais, quando administrados em conjunto, potencializam esses efeitos. Na França, informou Wanda, a associação da cloroquina com alguns medicamentos foi suspensa, após a ocorrência de mortes e problemas cardíacos graves em pacientes.
A professora criticou duramente a forma como figuras públicas, entre elas o presidente Bolsonaro, têm apresentado a cloroquina como “solução mágica”. “Quem prescreve é o médico, que não vai ouvir políticos ou economistas. Prescrever ou não é uma decisão do médico, que foi qualificado para isso”.
Wanda se disse alarmada com as informações de que alguns pacientes têm discutido com médicos/as exigindo o uso da cloroquina. E lançou um alerta: “Não saiam por aí ouvindo pessoas que não têm nenhuma formação clínica ou acadêmica, pedindo para usar o medicamento ou pedindo para o médico usar”.
INCERTEZA
“A grande dificuldade no combate ao coronavírus é que trabalhamos com um grau de incerteza muito grande. E ainda não temos vacina, talvez só no próximo ano. Ou nem isso: temos que lembrar que dengue e Aids também são vírus, e ainda não temos vacinas para elas”, afirmou o professor Gastão.
A quantidade de casos e de casos graves também é muito grande, devido à alta capacidade de transmissão do novo vírus. Embora estime-se que cerca de 80% dos infectados não apresentem sintomas, a metade dos 20% que apresentam acabam precisando de UTI e, destes, metade morre. “O índice de letalidade é muito alto”, afirmou.
Para Gastão, trata-se de uma epidemia muito mais grave do que as dos vírus H1N1 e da influenza, e “tem que ser enfrentada com o uso de várias estratégias”. E as estratégias devem ser somadas. Assim, tanto o isolamento horizontal como o vertical podem ser utilizados. Só que o isolamento vertical, para ser eficiente, exige uma grande quantidade de testes. “Você isola alguns setores de uma fábrica, por exemplo, caso tenha ocorrido ali algum caso de infecção”. Mas essa estratégia só pode ser empregada de houver uma campanha sistemática de testes. Daí o risco de aplica-la em larga escala no Brasil, país que tem um dos mais baixos índices de testes do mundo.
Gastão alertou que o Brasil já deveria ter iniciado, há semanas, o isolamento regional. “Mas temos um problema. O Ministério da saúde trabalha pelo isolamento, mas o presidente da República e auxiliares são contra o isolamento”.
Grave também, apontou o professor, é a falta de alternativas sociais para enfrentar os efeitos causados na economia pelo isolamento e pela Covid-19. “Essa proteção tem que acontecer. As pessoas têm que comer, têm que viver”. Além disso, no conjunto das estratégias, é indispensável que sejam feitos investimentos em ciência, em vacinas e medicamentos. “E temos que pensar que parte importante dos infectados vai precisar do SUS, de respiradores, de equipamentos”.
A maioria dos países que têm conseguido conter a expansão descontrolada da pandemia, lembrou Gastão, utilizou esse conjunto de medidas em menor ou maior proporção. Mas o Brasil ainda não apresentou uma estratégia coordenada para enfrentar a pandemia.
De acordo com Gastão, o quadro só não está ainda mais grave no Brasil, graças ao SUS. “Países que têm um sistema único de saúde, como o SUS, têm se mostrado muito mais capazes de enfrentar a pandemia”.
“E isso ocorre mesmo com o SUS subfinanciado. Temos que lembrar que, nos últimos três anos, foram retirados 20 bilhões de reais do SUS”. E investimentos no SUS terão que ser feitos com urgência, até para garantir equipamentos de proteção individual para as equipes. “Infelizmente, temos um presidente da República que faz um negacionismo, num momento em que a Covid-19 está obrigando o mundo inteiro a colocar o ser humano na frente da economia”.
Esse quadro, avaliou Gastão, torna impossível que se faça qualquer previsão sobre o futuro e sobre os efeitos da pandemia no Brasil.

OUTROS DEBATES
A ADunicamp já realizou, nos dias 16, 18 e 25 de março e 1° e 7 de abril, cinco debates para discutir questões relacionadas à Covid-19, todos eles coordenados pelo professor Wagner Romão.
O quinto debate, com o tema “Ensino à Distância no contexto da pandemia”, apontou que a opção ampla pela utilização da EaD tem sido realizada de forma improvisada e imediatista pelas políticas educacionais do governo Federal, de governos estaduais e municipais e por um grande número de instituições de ensino brasileiras. E, por isso, ameaça precarizar todos os níveis do ensino e ampliar as desigualdades já acentuadas no sistema de ensino do país.
Participaram do encontro as professoras Heloísa Lins, da Faculdade de Educação da Unicamp e integrante da Abalf (Associação Brasileira de Alfabetização); Solange Pozzuto, diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e integrante do Fórum de Educação de Campinas; e o professor Salomão Ximenes, da UFAABC (Universidade Federal do ABC), com especialidade nas áreas de Direito e Políticas Públicas.
quarto debate teve como tema “Coronavírus: isolamento espacial, tensões sociais e violência doméstica”. Para os três debatedores que participaram do encontro, a pandemia tem deixado cada vez mais evidentes algumas das principais contradições sociais e econômicas da sociedade brasileira, e será inevitável que novos pactos sociais sejam construídos assim que ela chegar ao fim. Participaram do encontro as professoras Silvia Santiago (FCM), com larga experiência na área de Saúde Coletiva; Natália Corazza Padovani, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Antropologia Social (IFCH); e o professor Sávio Cavalcante (IFCH).
No terceiro debate participaram o professor doutor Francisco Aoki e a professora doutora Rosana Onoko Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Na avaliação deles, a sociedade brasileira já está obrigada a repensar profundamente alguns de seus valores diante da pandemia do novo coronavírus. E, ao mesmo tempo, terá que se preparar para enfrentar com equilíbrio o longo período de reclusão que ainda teremos que atravessar para conter a expansão da doença.
segundo debate, além de apresentar questões específicas da Covid-19, mostrou os reflexos imediatos e de médio e longo prazos que a “crise do coronavírus” provocará na sociedade e na economia brasileiras, que também exigem ações profundas e imediatas do poder público.
Participaram do segundo debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
No primeiro debate, os participantes alertaram para a necessidade urgente das autoridades brasileiras adotarem medidas rigorosas de controle para impedir uma explosão da pandemia no país. E apontaram, a partir dos dados que já se tinha naquele momento, que o Estados Unidos e, depois, a América Latina seriam os novos epicentros da pandemia.
Participaram do primeiro debate a especialista em estudos sobre vírus, professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp; a professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva; e o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
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Ensino à distância no contexto da pandemia ameaça aprofundar desigualdades

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A opção ampla pela utilização da EaD (Educação a Distância), que vem sendo feito de forma improvisada e imediatista pelas políticas educacionais do governo Federal, de governos estaduais e municipais e por um grande número de instituições de ensino brasileiras, ameaça produzir uma precarização em todos os níveis do ensino e vai ampliar as desigualdades já acentuadas no sistema de ensino do país.
Estas foram algumas das conclusões apresentadas, nesta terça-feira, 07, por docentes que participaram do quinto debate da série sobre os impactos do novo coronavírus (Covid-19), realizados pela ADunicamp, e que teve como tema “Ensino à Distância no contexto da pandemia”. De acordo com os debatedores, a massificação da EaD no atual cenário de crise não é a alternativa adequada, e nem a única, para enfrentar o fechamento das instituições de ensino durante a quarentena.
Participaram do encontro as professoras Heloísa Lins, da Faculdade de Educação da Unicamp e integrante da Abalf (Associação Brasileira de Alfabetização); Solange Pozzuto, diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e integrante do Fórum de Educação de Campinas; e o professor Salomão Ximenes, da UFAABC (Universidade Federal do ABC), com especialidade nas áreas de Direito e Políticas Públicas.
Para a professora Heloísa, a questão da EaD “nestes tempos de pandemia” leva a um debate “complexo e pantanoso”, uma vez que a questão da sobrevivência das pessoas se coloca em primeiro lugar.
“Seria um escândalo colocar a educação a distância, como está ocorrendo hoje, em condições normais de temperatura e pressão. Só estamos lidando com isso agora porque atravessamos um contexto extremo, em a que proteção da vida está colocada”. E é neste contexto, avaliou ela, que educadores têm que pensar hoje a questão da escola. E o que está em questão, além da precarização e exclusão social propostas nos atuais modelos de EaD, é encontrar formas de ação para enfrentar a pandemia e a quarentena de docentes e estudantes.
A professora lembrou as mudanças recentes ocorridas na legislação sobre EaD, desde a derrubada da presidente Dilma Roussef, durante os governos de Michel Temer e o atual. “Então o germe desse modelo perverso já estava lá na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). O que se propõe é uma precarização clara e a desconstrução do ensino público”.
A EaD, da forma como está colocada agora, apontou ela, abre “brechas imensas” para setores empresariais que já vêm se preparado para vender seus produtos e ocupar os espaços do ensino público.
E esse debate se dá em um momento de ataques sistemáticos à educação e à ciência. “Nós (educadores/as) estamos sendo intimidados e coagidos até com a redução de salários. Mas a gente vai ter que enfrentar esse tsunami”.
Para a professora, a EaD está sendo colocada, neste momento, também como a alternativa para garantir o cumprimento do ano letivo. “As escolas particulares estão ensandecidas”, descarregando conteúdos pela internet, mas para a maioria dos estudantes mais pobres, das escolas públicas, esse tipo de ação não é possível.
Na avaliação de Heloísa, este não é ainda o momento de definir como se dará o fechamento do ano letivo e o cumprimento dos currículos. “Mas essa é uma questão que terá que ser enfrentada, uma vez que os efeitos da pandemia poderão se alongar ainda por muito tempo”. E, para estudantes de famílias com boas condições financeiras, perder seis meses do ano letivo não significa muito, mas para os que vêm de famílias empobrecidas essa perda pode ser decisiva.
Os sindicatos e entidades ligadas à educação, avaliou Heloísa, passam a ter um papel fundamental neste momento, uma vez que governo Federal e MEC não estão empenhados em oferecer respostas claras para essas questões. “Não podemos suspender nossas intervenções, mas MEC e governo não estão nesta direção”.
A professora defendeu a adoção de algumas medidas emergenciais para enfrentar o que chamou de “tsunami”. Primeiro, a flexibilização de todos os currículos para garantir uma avaliação democrática, caso se decida pelo fechamento do ano letivo em situação de quarentena. Afinal, avaliou, se a quarentena for por pouco tempo, será possível prorrogar o fechamento do ano letivo, mas se ela se prolongar “teremos que enfrentar a questão”.
A professora propôs a criação de mesas de diálogo permanentes de educadores e instituições ligadas ao ensino e de uma Comissão de Avaliação de Impactos, para acompanhar diariamente a evolução da crise. “Ninguém sabe o que vem e quando voltaremos ao ensino presencial. Quando voltarmos, vamos ter que lidar com perdas. Mas professores e estudantes não podem ser prejudicados. Vamos ter que lidar com perdas de estudantes assim como de professores que não conseguiram acompanhar”. Para ela, uma Comissão de Avaliação de Impactos também deverá estar capacitada para avaliar esses casos.
NOVAS RESPOSTAS
Para o professor Salomão Ximenes, o Brasil está completamente despreparado para enfrentar a implantação em massa da EaD. “Precisamos levar em conta que vivenciamos uma situação inédita. E qualquer esforço de prognóstico é difícil. Todos os prognósticos, aliás, são aterradores. Temos que cuidar de nós mesmos e de nossos estudantes, principalmente os das classes mais empobrecidas”, disse.
Dentro deste contexto, para ele, o tema da educação passa a ser secundário. “Não no sentido de minimizar a educação, mas de saber como as instituições educacionais devem se posicionar”. O que tem sido feito por educadores e instituições de ensino, com produção de conteúdos e aulas online, é importante. “Temos que seguir o contato com os alunos, não perder este vínculo. Levar algum grau de normalidade nesse cenário de crise. Mas as instituições já perceberam que essa é uma situação que não pode ser enfrentada de forma imediata”.
A massificação da EaD, no contexto da crise, vai levar inevitavelmente a um aprofundamento da desigualdade no sistema de ensino. Salomão mostrou que estudantes da Classe C, em sua quase totalidade, só têm acesso a internet pelo telefone celular. E os das classes D e E, também só com celulares, dependem de planos muito limitados e pré-pagos para acessar a rede.
Só essa questão do acesso à internet, na avaliação de Salomão, já coloca um grave desafio à massificação da EaD. “Do ponto de vista do Direito na educação, é inadmissível que as perdas recaiam especialmente sobre a população mais pobre”.
Para o professor, a emergência, pelo menos até este momento, não justifica nenhuma proposta de massificação da EaD. “Se a estratégia produzir esse tipo de desigualdade, temos que colocar o pé no freio”.
Salomão apontou outras prioridades que também se impõem diante da pandemia. “Temos que mobilizar as escolas para se comunicar com as famílias, ver a situação em que se encontram, inclusive a situação alimentar. Isso é primordial neste momento. Garantia de condições básicas e de alimentação é até mais importante que a elaboração de conteúdos”. E, avaliou, devem ser pensadas também as formas de minimizar as inevitáveis perdas de conteúdo.
Para ele, a flexibilização da EaD, permitida pelas mudanças na legislação desde o governo Temer, e que atingem até a educação básica, sequer foi discutida com profundidade no país e tem sido implantada de forma vertical, sem ouvir educadores. “Mesmo assim, nenhuma dessas legislações prevê a flexibilização como estamos vendo hoje”.
Salomão afirmou que utilização de mídias eletrônica para a comunicação entre docentes e alunos/as e a disponibilização de plataformas e conteúdos não pode ser descartada. “Mas ser considerada como continuação formal do ensino é uma banalização maior até do que a destas legislações recentes”.
De acordo com o professor, é urgente a realização de um planejamento pedagógico que inclua estudantes e que possa garantir inclusão e qualidade do ensino, e também lutar por uma legislação que permita acesso amplo aos meios de comunicação. “E não é o caso de reproduzirmos agora alguns dos nossos conceitos tradicionais de avaliação e punição”. Para ele, enfrentamos uma situação nova e emergencial que exige novas respostas.
MODELO IMPOSTO*
“A Apeoesp é contra a educação à distância e esse é um dos nossos consensos. EaD é um instrumento adicional e não pode substituir a educação presencial”, afirmou a professora Solange Pozzutto. Para ela, o modelo de EaD, da forma como vem sendo implantado no Brasil desde o governo Temer, tem a intenção clara de favorecer interesses privados com a produção em massa de apostilas e outros conteúdos pedagógicos.
Segundo a professora, são muitos os alunos dentro das escolas públicas que não têm sequer um celular. E, por isso, trabalhos que demandam acesso à internet sempre são realizados em grupos. Além disso, apontou ela, a EaD não pode ser discutida sem levar em conta a situação do país. “Famílias de alunos passando dificuldades até alimentares, não têm conseguido sequer pagar as contas e isso agravado ainda mais pela pandemia”. Enquanto isso, têm sido disponibilizadas plataformas de EaD até para estudantes em fase de alfabetização e que exigem a participação da mãe ou do pai para o aprendizado dos conteúdos.
“O mais grave é que está tudo sendo imposto de cima para baixo. Nós, educadores, não estamos sendo ouvidos”. Ao mesmo tempo, para ela, a EaD investe pesado apenas na produção de conteúdos, num país em que “há escolas sem computadores, sem álcool gel e até sem papel higiênico”. “Então como fornecer um celular a esses alunos? Em Campinas, a prefeitura disse que vai fornecer equipamentos a estudantes, mas muitas famílias com filhos em alfabetização não sabem trabalhar com eles. E teremos problemas de mortes e situações de trabalho agravadas pela pandemia. E isso vai ser priorizado. Então como ficarmos preocupados com avaliação, com currículo, conteúdos? Ficarmos preocupados se o aluno fez ou não a lição?”, ponderou ela.
A professora relatou que são muitas as famílias que procuram e pedem orientação sobre conteúdos e atividades. “E nós temos que oferecer a elas”, mas isso não pode ser parâmetro para nenhum tipo de avaliação, pois simplesmente excluiria as famílias que não têm acesso.
Assim, afirmou, com o prolongamento da crise será indispensável pensar em outras maneiras de agir, além da virtual. Entre as propostas, que já vêm sendo amplamente debatidas pela Apeoesp, Solange apontou a continuidade de manutenção dos vínculos com as famílias de estudantes e garantir o amparo para elas. E também a criação de uma mesa permanente de diálogo para que os docentes sejam ouvidos na criação de alternativas diante da crise.
FORMAS DEMOCRÁTICAS
O coordenador do debate e presidente da ADunicamp, professor Wagner Romão (IFCH), afirmou que a relação dos professores com alunos nos meios digitais é importante, mas desde que não traga a obrigatoriedade, pois isso “aprofundaria as desigualdades”.
“E temos que lidar com isso da forma mais democrática possível, neste momento de ataque a educação que estamos vivendo”, avaliou
MAIS DEBATES
A ADunicamp realizou, nos dias 16, 18 e 25 de março e 1° de abril, quatro debates para discutir questões relacionadas à Covid-19, todos eles coordenados pelo professor Wagner Romão.
O quarto debate teve como tema “Coronavírus: isolamento espacial, tensões sociais e violência doméstica”. Para os três debatedores que participaram do encontro, a pandemia tem deixado cada vez mais evidentes algumas das principais contradições sociais e econômicas da sociedade brasileira, e será inevitável que novos pactos sociais sejam construídos assim que ela chegar ao fim. Participaram do encontro as professoras Silvia Santiago (FCM), com larga experiência na área de Saúde Coletiva; Natália Corazza Padovani, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Antropologia Social (IFCH); e o professor Sávio Cavalcante (IFCH).
No terceiro debate participaram o professor doutor Francisco Aoki e a professora doutora Rosana Onoko Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Na avaliação deles, a sociedade brasileira já está obrigada a repensar profundamente alguns de seus valores diante da pandemia do novo coronavírus. E, ao mesmo tempo, terá que se preparar para enfrentar com equilíbrio o longo período de reclusão que ainda teremos que atravessar para conter a expansão da doença.
O segundo debate, além de apresentar questões específicas da Covid-19, mostrou os reflexos imediatos e de médio e longo prazos que a “crise do coronavírus” provocará na sociedade e na economia brasileiras, que também exigem ações profundas e imediatas do poder público.
Participaram do segundo debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
No primeiro debate, os participantes alertaram para a necessidade urgente das autoridades brasileiras adotarem medidas rigorosas de controle para impedir uma explosão da pandemia no país. E apontaram, a partir dos dados que já se tinha naquele momento, que o Estados Unidos e, depois, a América Latina seriam os novos epicentros da pandemia.
Participaram do primeiro debate a especialista em estudos sobre vírus, professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp; a professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva; e o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
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Debate na ADunicamp: Brasil não será o mesmo após a pandemia do coronavírus

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O quarto debate da série sobre a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), realizado pela ADunicamp, ocorreu nesta quarta-feira, 1° de abril, e teve como tema “Coronavírus: isolamento espacial, tensões sociais e violência doméstica”.

Na visão dos três debatedores que participaram do encontro, a pandemia tem deixado cada vez mais evidentes algumas das principais contradições sociais e econômicas da sociedade brasileira, e será inevitável que novos pactos sociais sejam construídos assim que ela chegar ao fim.

“A conclusão do que vimos aqui é que estamos passando por mudanças profundas, mas ainda não temos como saber o resultado destas mudanças. Mas teremos que discutir novas legislações, novos pactos sociais”, concluiu, ao final, o coordenador do debate e presidente da ADunicamp, professor Wagner Romão (IFCH).  

Participaram do encontro as professoras Silvia Santiago (FCM), com larga experiência na área de Saúde Coletiva; Natália Corazza Padovani, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Antropologia Social (IFCH); e o professor Sávio Cavalcante (IFCH).

‘PRINCIPAIS DESAFIOS’

A professora Sílvia apontou alguns dos que considera “principais desafios” que a questão do isolamento coloca hoje não só para a saúde pública mas para os governos e o conjunto da sociedade. A começar pelas profundas diferenças sociais, condições de moradia, trabalho e acesso ao sistema de saúde que marcam a sociedade brasileira.

O isolamento, afirmou ela, “é uma perda do espaço privado”, que passa a ser também um espaço de trabalho e que passa a ser dirigido por decisões do Estado. “O Estado entra no espaço privado das pessoas”. Alguns segmentos que têm boas condições de vida acabam enfrentando em boas condições o isolamento. “Mas para a grande maioria da população as tensões geradas são muito profundas. E não estamos vendo medidas efetivas do Estado para atender a essas novas tensões. As comunidades empobrecidas estão se virando sozinhas, encontrando, com criatividade, maneiras de enfrentar a situação”, afirmou.

Para Silvia, mesmo do ponto de vista sanitário, o Estado ainda não mostrou que medidas serão tomadas para agir diante das diferenças. “O isolamento espacial nas periferias adensadas é quase uma bobagem e que vai não dar certo da forma como vem sendo feito”.

O correto, avaliou Sílvia, seria uma parceria entre as comunidades e os serviços de saúde e conseguir a realização de testes de contaminação em massa nessas populações. “E aí montar estruturas específicas de isolamento para os que dessem positivo”, defendeu ela, entre outras medidas que considera essenciais para conter a pandemia no país, como o fortalecimento urgente do SUS (Sistema Único de Saúde).

O isolamento deve ser administrado a partir das condições de cada cidade e comunidade, dos diferentes adensamentos e formas de convivência e cultura. Wuhan, onde a pandemia começou, tem uma densidade demográfica de 5.600ha/km² (5.600 habitantes por quilômetro quadrado), mostrou a professora. E, antes do isolamento, estimasse que cada pessoa contaminada transmitia o vírus para outras quatro pessoas. “Após as medidas adotadas, a transmissibilidade passou para 0,7”.

A densidade demográfica de São Paulo é de 6.000ha/km², a de Nova Iorque de 10.500ha/km² e a de Paris de 20.200ha/km². “Em Campinas, temos 1.360ha/km². Mas se você pega o bairro Oziel, por exemplo, tem uma densidade muito maior que Joaquim Egídio”, comparou. Portanto, os modelos de isolamento têm que ser diferentes.

Para a professora, a pandemia também coloca em questão os nossos modelos de sustentabilidade nas relações sociais e com a natureza.  

A ‘NORMALIDADE’

O professor Sávio questionou um outroponto de tensões que a pandemia e o isolamento têm provocado na sociedade brasileira. A proposta, colocada pelo próprio presidente Bolsonaro e por agentes de seu governo, de romper com o isolamento “para salvar a economia”, fez disparar o debate – que segundo Sávio hoje prolifera nas redes sociais – de vivermos ou não em uma sociedade solidária.

“Vejo pessoas que dizem não acreditar que ‘possa ter tanta desumanidade’, que até em sua família ou no círculo de amigos próximos, possa ter gente tão distante do suposto ideal de solidariedade que existiria em nossa sociedade”, descreveu.  Porém, na análise de Sávio, essa “desumanidade” já existe na sociedade, antes da pandemia, e essa é a “normalidade” das relações econômicas, sociais e de trabalho estabelecidas. “Então temos que ir para o real. A economia colocada não solidária, é desumana”.

O professor mostrou como a degradação das condições de trabalho, fruto do modelo neoliberal em franco processo de implantação no Brasil, já vinha tornando a sociedade brasileira cada vez “menos solidária e mais desumana”. “Essa é a ‘normalidade’ que estava estabelecida e a ‘normalidade’ que é questionada hoje no processo da pandemia”.

Para Sávio, questões como a uberização, a degradação das condições de trabalho, a regulação do acesso aos bens sociais pelo “mercado”, serão inevitavelmente discutidas e terão que gerar novos pactos sociais, após a pandemia. O capitalismo, diz Sávio, e de forma incisiva o neoliberalismo colocaram o “mercado” como o mecanismo que seria capaz de ajuizar o valor do cidadão, a “eficiência das pessoas”. “Cada um teria direito de retirar desse ‘mercado’ aquilo com o que contribuiu”.

Mas como, na análise de Sávio, não existe sociedade que tenha se colocado assim na história, uma vez que “você tem direito a existir mesmo que não tenha ação econômica”, sempre existiram salvaguardas e mecanismos de proteção para o conjunto da sociedade, garantidos pelo Estado.

Para ele, são tensões como essa que se exacerbam agora com a pandemia. “Se um hospital público tem 100 leitos e sabe que em vez de receber 80 pacientes vai receber 500, então do ponto de vista neoliberal, que é também desumano, vai ser internado quem tiver mais dinheiro para comprar a vaga. Mas do ponto de vista do Estado não dá para pensar assim. O papel do Estado é salvar as pessoas”.

VIOLÊCIA E GÊNERO

O isolamento espacial que vivemos hoje evidencia fortes tensões relacionadas à questão de gênero e já é apontado como responsável pelo crescimento recente das denúncias de violência doméstica, avaliou a professora e pesquisadora Natália.

De acordo com ela, diversos canais têm mostrado dados sobre o aumento da violência doméstica, mas o isolamento espacial tem revelado de forma mais profunda a questão da desigualdade de gênero, gênese da violência.

“Vejo a rua do meu bairro, no meu entorno: estão ocupadas por homens, têm a total prevalência de homens. Os bares estão abertos e os homens ali fazem piadas sobre o isolamento”, relatou ela.

Para Natália, o desrespeito ao isolamento e a ocupação das ruas têm sido acentuados como um “papel de masculinidade”, reforçado pelo que chamou de “discurso grotesco” do presidente Bolsonaro sobre o tema.

“Os bairros periféricos vivem as ruas como uma extensão de suas vidas privadas. Então o isolamento espacial é muito estranho nos bairros periféricos, com residências onde vivem pais, mães, avós e filhos”. Porém, na contramão desta ampla convivência nas ruas, só uma grande maioria de homens as têm ocupado nestes tempos de isolamento.

O fechamento de igrejas, espaços com alta participação de mulheres, e o aumento do trabalho doméstico certamente fortalecem a ausência das mulheres nas ruas, avaliou Natália. Mas certamente essas não são as questões principais para uma análise mais detalhada sobre o que está em curso. Para ela, ainda é muito cedo para estudos mais aprofundados sobre o que tem acontecido e o que virá, após a pandemia.

A professora Natália tratou também da questão dos presídios, objetos de alguns de seus estudos. “A prisão sempre foi pensada como isolamento da sociedade, mas pesquisas têm demonstrado que são permeáveis” e que os presidiários mantêm relações com familiares e com a sociedade. Com o isolamento, essa permeabilidade foi totalmente interrompida. “Por meio da prisão, também colocamos agora a questão: que vidas vão ser salvas e quais as que não”.      

MAIS DEBATES

A ADunicamp realizou, nos dias 16, 18 e 25 de março, logo após o início da quarentena estabelecida na Unicamp, três debates para discutir questões relacionadas à Covid-19.  

No primeiro debate, os participantes alertaram para a necessidade urgente das autoridades brasileiras adotarem medidas rigorosas de controle para impedir uma explosão da pandemia no país. E apontaram, a partir dos dados que já se tinha naquele momento, que o Estados Unidos e, depois, a América Latina seriam os novos epicentros da pandemia.

Participaram do primeiro debate a especialista em estudos sobre vírus, professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp; a professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva; e o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.

O segundo debate, além de apresentar questões específicas da Covid-19, mostrou os reflexos imediatos e de médio e longo prazos que a “crise do coronavírus” provocará na sociedade e na economia brasileiras, que também exigem ações profundas e imediatas do poder público.  

Participaram do segundo debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

No terceiro debate participaram o professor doutor Francisco Aoki e a professora doutora Rosana Onoko Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Na avaliação deles, a sociedade brasileira já está obrigada a repensar profundamente alguns de seus valores diante da pandemia do novo coronavírus. E, ao mesmo tempo, terá que se preparar para enfrentar com equilíbrio o longo período de reclusão que ainda teremos que atravessar para conter a expansão da doença.

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Terceiro debate da ADunicamp sobre coronavírus: o avanço da pandemia e como conviver com ela

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A sociedade brasileira já está obrigada a repensar profundamente alguns de seus valores diante da pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19. E, ao mesmo tempo, terá que se preparar para enfrentar com equilíbrio o longo período de reclusão que ainda teremos que atravessar para conter a expansão da doença.
Estes dois temas foram amplamente discutidos no terceiro encontro, desta vez virtual, da série de debates sobre a Covid-19 que a ADunicamp vem promovendo. Participaram desse terceiro debates o professor doutor Francisco Aoki e a professora doutora Rosana Onoko Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Para o professor Aoki, a revisão de valores imposta pela pandemia exige um novo olhar sobre a importância da solidariedade social e sobre o papel do sistema público de saúde e da ciência e da universidade públicas. “O SUS (Sistema único de Saúde), que hoje está combalido, vai ser o nosso principal instrumento para enfrentar a pandemia no país. Será o único que nos salvará”, afirmou.
Aoki lembrou as graves dificuldades pelas quais passa o sistema de saúde público brasileiro, em decorrência dos sucessivos cortes recentes de recursos. “E juntamos isso à grande dificuldade do país, que é a distribuição de renda”. A grande maioria da população brasileira, apontou ele, não têm acesso aos sistemas privados de saúde e só têm “nos serviços públicos a possibilidade de ser atendida”.
Para o professor, sem uma injeção imediata de recursos, “de uma economia de guerra”, o país enfrentará graves problemas com a pandemia. Até porque parcelas imensas da população vivem em periferias de grandes cidades em condições muito difíceis para sobreviver ao isolamento social. “Famílias grandes obrigadas a se acomodar em dois ou três cômodos da casa”.
Aoki defendeu a necessidade de investimentos tanto nos equipamentos de saúde pública como para garantir a sobrevivência em isolamento dos setores mais pobres da população.
AÇÕES NO ISOLAMENTO
A professora Rosana, que atua na formação de grupo de entreajuda de professores para enfrentar o isolamento social durante a pandemia, fez um relato de 10 pontos que já são consenso na comunidade científica e que têm ajudado pessoas a manterem o equilíbrio emocional durante o confinamento.
“Vivemos um momento dramático da nossa história. Há imagens que vêm para nós com cenas que achamos que nunca veríamos”, relatou. Por isso, para ela, o “fique em casa” é atitude indispensável. “E estamos todos nós isolados agora nessa reclusão necessária”.
O isolamento exige uma mudança radical de hábitos. E os 10 pontos apontados por ela, “e que são resultado de vários estudos científicos”, têm ajudado comunidades de vários países a enfrentar essas mudanças diante da pandemia.

  1. Estamos vivendo um momento incerto. Todo mundo já está vivendo ou viverá essa incerteza. “Então acolha que a incerteza que acontece com você acontece com todo mundo”.
  2. É muito importante criar uma rotina. Uma nova rotina, com horário de trabalho, horário de lazer. “A rotina é organizadora da subjetividade e da capacidade de cada um para enfrentar as questões diárias”.
  3. Procurar formas de combater o sedentarismo, estabelecendo um horário para realizar exercícios físicos e até “realizando as tarefas de casa com outra energia”.
  4. Manter boa alimentação e boa hidratação saudáveis. Com mudança na rotina costuma-se descuidar desses pontos.
  5. “Normalmente, as pessoas costumam se cobrar por ter mais alegria e mais prazer. Só que a situação é tão grave, incerta e ameaçadora que sentimentos novos virão”, disse ela. Assim, a ansiedade será natural, como a tristeza que decorre em toda a situação de perda. Ou a raiva, que sempre aparece quando nos confrontamos com uma injustiça. “Temos que saber que esses sentimentos são naturais e vão aparecer em todos nós. Então, quando os tivermos, temos que saber que estamos sãos”.
  6. Como resistir? “Nos mantenhamos conectados nas redes, falando com as pessoas. E é importante que os mais jovens ajudem os mais velhos, ensinem coisas práticas, para que todos se mantenham”.
  7. Os mais jovens não devem ficar conectados o tempo todo. “Eles têm essa tendência, mas devem definir a hora de dormir, a hora de se informar, a hora de manterem o seu espaço privado. O excesso de conexão exacerba os sentimentos (tratados acima)”.
  8. “Planeje pequenos eventos prazerosos”. Um “café pelo Skype” com uma amiga. Uma conversa à distância, pelo muro, com uma vizinha. “Chamamos isso de ‘inventar pequenos futuros’. Coisas pequenas que ajudam a construir uma esperança para amanhã”.
  9. Alguns exercícios milenares de respiração, como ioga ou meditação, podem ajudar a controlar emoções como ansiedade. É fácil encontrá-los em aulas pela internet.
  10. “Os trabalhos científicos têm falado muito na gentileza. Em épocas de crise social a gentileza contribui para criar boas atmosferas ao redor”. E o comportamento nas redes sociais muitas vezes vai na contramão deste caminho.

MAIS DEBATES
A ADunicamp realizou, nos dias 16 e 18 de março, na semana seguinte ao início da quarentena estabelecida na Unicamp a partir do dia 13, dois debates para discutir questões relacionadas ao novo corona vírus e à Covid-19.
No primeiro debate, os participantes alertaram para a necessidade urgente das autoridades brasileiras adotarem medidas rigorosas de controle para impedir uma explosão da pandemia no país. E apontaram, a partir dos dados que já se tinha naquele momento, que o Estados Unidos e, depois, a América Latina seriam os novos epicentros da pandemia.
Participaram do primeiro debate a especialista em estudos sobre vírus, professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp; a professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva; e o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
O segundo debate, além de apresentar questões específicas da Covid-19, mostrou os reflexos imediatos e de médio e longo prazos que a “crise do coronavírus” provocará na sociedade e na economia brasileiras, que também exigem ações profundas e imediatas do poder público.
Participaram do segundo debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
“A informação sobre essas questões que discutimos aqui devem ser ampliadas com urgência, pois ainda temos muita gente desinformada sobre a verdadeira extensão da pandemia e também autoridades que não tem dado o exemplo”, afirmou o presidente da ADunicamp e mediador dos debates, professor Wagner Romão, do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da universidade.
Wagner lembrou que o Brasil vive hoje um conflito, “forte neste momento”, que coloca a ciência em confronto com análises e opiniões do senso-comum. “Há quem questione se é a ciência ou Deus que vai definir se a doença vai chegar ou não”.
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Debate na ADunicamp aponta que ‘crise do coronavírus’ vai afetar economia e sociedade brasileira por longo tempo

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O Brasil ainda não tomou as medidas sanitárias e econômicas necessárias para enfrentar a situação atual e aquela prevista para futuros próximos e distantes em decorrência da “crise do novo coronavírus”. E a crise já exige medidas urgentes e profundas. Esse quadro foi apresentado nesta quinta-feira, 19, durante a segunda rodada dos debates promovidos pela ADunicamp sobre a pandemia causadora da chamada Covid-19.
Participaram do debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O debate foi coordenado pelo presidente da ADunicamp, professor doutor Wagner Romão, do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp.
O professor Guilherme afirmou que a crise da Covid-19, do ponto de vista econômico e social, é uma crise como jamais foi vista na história, “pelo menos pelas novas gerações”. E os efeitos dela se prolongarão ainda por muito tempo e exigirão uma intervenção pesada do Estado para recuperar a economia, coisa que alguns países, como o próprio Estados Unidos já perceberam, mas que parece longe das decisões do governo brasileiro.
“Alguns, como o próprio presidente da França, Emmanuel Macron, costumam dizer que ‘estamos numa situação’ de guerra. Mas a questão é que numa economia de guerra está todo mundo produzindo. Produzindo para a guerra, mas com pleno emprego. Hoje é justamente o contrário. A crise econômica acontece pela falta de produção, pela falta de trabalho e de consumo”, afirmou. Outros analistas, apontou Guilherme, também tentam comparar de forma a atual crise com a de 2008. “Mas a crise de 2008 foi uma crise de crédito, que se expandiu para o mercado financeiro”. Foi o excesso de crédito que garantiu a aceleração da economia. “Mas veja como essa crise é diferente. Temos a paralisação na economia real, que está chegando numa crise de crédito e pode quebrar todo o sistema financeiro”.
Guilherme lembrou que o governo dos Estado Unidos está jogando trilhões de dólares na tentativa de manter o mercado de crédito ativo. “Mas podemos jogar quanto dinheiro for, que não adianta. Não dá para produzir. Está todo mundo em casa”.
Para Guilherme, assim que a pandemia acabar, a crise na economia ainda se arrastará por muito tempo e a intervenção dos Estados, tanto na recuperação do sistema financeiro, como em investimentos na produção, será o único fator capaz de acelerar novamente a economia. “As empresas estarão quebradas, o desemprego será enorme”.
Neste momento, como já perceberam alguns governos, como o norte-americano, os tesouros nacionais terão que gastar “o que tiver que gastar” para conter a pandemia e impedir a quebradeira de empresas e o desemprego em massa. “Mas não vemos nenhum posicionamento neste sentido por parte do governo brasileiro”. Ele lembrou que passamos anos criminalizando as intervenções do Estado na economia e que agora essa intervenção será indispensável.
JAMAIS SABEREMOS
A verdadeira dimensão da pandemia no Brasil jamais será conhecida. Isso porque, como informaram e analisaram a professora Mônica e o vereador Tourinho, o Brasil não conseguirá realizar testes em larga escala, modelo apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para controlar a pandemia.
Esse novo coronavírus apresenta uma ampla variedade de respostas clínicas, mostrou Mônica com base nos resultados obtidos em todos os países que vivem a pandemia.




Debate sobre coronavírus realizado na ADunicamp aponta para a necessidade imediata de medidas rigorosas no Brasil

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O quadro da pandemia do coronavírus (Covid-19) tem se alterado rapidamente no Brasil e países vizinhos, o que aponta a América Latina como o próximo epicentro, depois da Europa, de expansão das contaminações. Por isso, são necessárias medidas urgentes de para a contenção das infecções no Brasil e a adoção imediata de políticas de defesa das populações mais vulneráveis e suscetíveis a apresentarem quadros graves de saúde, caso contraiam Covid-19.
Essas foram algumas das informações apresentadas no debate sobre a crise do Covid-19 realizado nesta segunda-feira, 16, pela ADunicamp e que reuniu especialistas na área de saúde e microbiologia. Ao longo do debate, foram apresentadas não só as medidas que devem ser tomadas individualmente, mas também as ações coletivas e governamentais – em todos os níveis – que precisam ser adotadas com urgência.
Os debatedores informaram também que o pico da pandemia no Brasil deverá demorar cerca de 40 dias para ocorrer e que isso poderá permitir uma forte contenção da pandemia, caso sejam tomadas imediatamente medidas rigorosas em escala nacional.
ORIGEM E PREVENÇÃO
Especialista em estudos sobre vírus, a professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), reafirmou a necessidade de conter ao máximo a circulação das pessoas.
Silvia relatou que os países que conseguiram realizar o isolamento social do maior número de pessoas, desde o início da pandemia, foram os únicos que conseguiram limitar uma expansão rápida e devastadora do coronavírus.
Em caso de necessidade de deslocamentos, ela reafirmou a importância de sistematização dos métodos já amplamente divulgados de prevenção, como a lavagem das mãos e do rosto e arejamento das casas, entre outros. “Álcool gel só deve ser utilizado quando não for possível lavar as mãos, pois ele não remove a sujeira. O método mais eficaz é a lavagem das mãos com sabão ou sabonete com esfregação por quarenta segundos”, disse.
A professora fez também um relato das mutações que permitiram que o novo coronavírus saltasse de outra espécie para a espécie humana. “Ele é novo para nós porque veio de outra espécie animal. Há apontamentos que veio do morcego, mas ainda há controvérsias sobre isso”. O vírus infecta todas as células do sistema respiratório e já aparecem indícios de que pode afetar também as células intestinais, informou Sílvia.
NOVA FASE DA INFECÇÃO
A professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva, alertou que já “estamos no Brasil em uma nova fase da infecção”.
A transmissão já ocorre dentro do Brasil, sem que as pessoas infectadas tenham tido contato com quem veio de fora do país, portanto é urgente iniciar a “adoção de medidas restritivas e também cuidar das pessoas e grupos mais suscetíveis”.
Filomena também alertou para os fortes indícios de que o novo epicentro da pandemia, que já está em 180 países, será a América Latina. “O cenário no Brasil está mudando rapidamente, mas o país ainda tem condições de impedir o crescimento muito rápido de infecções”.
Mas, para isso, medidas restritivas e sanitárias têm que ser tomadas em escala nacional, uma vez que os serviços de saúde não estão preparados para atender um número alto e imediato de casos mais graves. Ações e campanhas de esclarecimento também têm que ser amplamente divulgadas. “Nossos serviços de saúde estão direcionados. As pessoas que apresentarem sintomas como falta de ar têm que ter internação imediata”. Por isso, aquelas que apresentarem sintomas leves, devem ficar em casa e só procurarem os sistemas de atendimento aos primeiros sinais de febre e desconforto respiratório.
Os números da quantidade de pessoas infectadas no Brasil não serão exatos num primeiro momento. Filomena informou que não serão colhidos materiais para exame de todos os que apresentarem sintomas leves. “Isso só será feito em situações em que for necessário o controle. E as ocorrências mostram que 5% das pessoas infectadas vão evoluir para situação que precisa de ventilação. Então temos que investir nisso: salvar vidas”.
Para ela, diante ainda dos inúmeros outros problemas sociais e de saúde que o Brasil enfrenta, é essencial “investir pesado na informação”. “Temos que fazer o máximo para termos a menor quantidade possível de pessoas nas ruas e locais públicos”.
PENSAR A COMUNIDADE
“Uma epidemia é sempre um momento em que pensamos a comunidade, a sociedade e o direito à vida. É um momento para refletirmos como a sociedade está preparada para defender a vida”, afirmou o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
Gustavo relatou que os países com sistemas de saúde estruturados são sempre os que estão mais preparados para enfrentar situações difíceis, como as epidemias. “Só que o nosso sistema público de saúde, só no ano passado, teve um corte de nove bilhões de reais. Isso representa um impacto muito forte num sistema já frágil”, afirmou. Esse corte no orçamento e as atuais políticas para a saúde pública reduziram, disse Gustavo, a “capacidade do SUS (Sistema Único de Saúde) de defender a vida”. Isso acarretou no corte significativo no número de vacinas, consultas e atendimentos, já com reflexos claros como o aumento da mortalidade infantil e de algumas doenças.
Apesar de estar com a capacidade diminuída, na análise do professor, “o nosso sistema de saúde vai conseguir trabalhar neste momento” no enfrentamento da pandemia. “Mas é uma oportunidade de pensarmos e revermos o que representa para a sociedade esse desmonte dos serviços públicos de saúde”.
A desigualdade social é outro fator que precisa ser rigorosamente levado em conta nas políticas públicas de combate à pandemia, apontou ele. “A saúde depende de um conjunto de condições sociais. A mortalidade é maior entre os pobres, que são acometidos por doenças mais graves e recorrentes. Então, quando a gente fala, por exemplo, em fechar escolas públicas, temos que saber o que ocorrerá com aquelas crianças que dependem da merenda para ter a alimentação diária”.
E a mesma questão tem que ser vista com trabalhadores que dependem de sair para o trabalho diário para poder se sustentar, entre eles os uberizados. “Fome também mata”, apontou. “Por isso temos que ter uma política que de fato também proteja essas pessoas mais pobres”.
AMPLIAR A INFORMAÇÃO
“A informação sobre essas questões que discutimos aqui devem ampliadas com urgência, pois ainda temos muita gente desinformada sobre a verdadeira extensão da pandemia e também autoridades que não tem dado o exemplo”, afirmou o presidente da ADunicamp e mediador do debate, professor Wagner Romão, do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da universidade.
Wagner lembrou que o Brasil vive hoje um conflito, “forte neste momento”, que coloca a ciência em confronto com análises e opiniões do senso-comum. “Há quem questione se é a ciência ou Deus que vai definir se a doença vai chegar ou não”.
Para ampliar os debates e informações, Wagner anunciou que a ADunicamp vai continuar produzindo, ao longo dos próximos dias e semanas, debates sobre o tema, inclusive com professores e estudiosos de outras áreas que também serão afetadas pela pandemia.
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