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CARTA ABERTA DA ADUNICAMP À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA COM QUESTIONAMENTOS À REITORIA E ÀS PRÓ-REITORIAS DE GRADUAÇÃO E DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UNICAMP

1 – A pandemia do coronavírus e o isolamento social
A extrema gravidade da pandemia do coronavírus não está perto de ser conhecida por nós. Há indícios contundentes de subnotificação de casos que devem chegar às dezenas de milhares em poucos dias. O que estamos assistindo com o avanço da doença na Itália infelizmente pode se repetir e se agigantar no Brasil.
Embora tenhamos um sistema de saúde pública estruturado nacionalmente, com profissionais de grande valor, a dimensão do contágio e a insuficiência de leitos de UTI e de aparelhos de respiração mecânica certamente vai gerar uma situação de caos social e econômico. Não conseguimos prever as consequências desta tragédia.
O isolamento social é a única forma de diminuir a disseminação do vírus e de resguardar minimamente nosso sistema de saúde. As medidas de suspensão de atividades precisam ser consideradas equanimemente para docentes, funcionários, estudantes e trabalhadores/as terceirizados/as.
2 – A postura da reitoria da Unicamp e a determinação pela adaptação de disciplinas para “atividades de educação mediada por tecnologia”
A Reitoria da Unicamp tomou uma atitude correta ao suspender as atividades acadêmicas presenciais e eventos públicos ainda no dia 12 de março, por meio da GR 24/2020 (posteriormente modificada em 16 de março).
No dia 16 de março, por meio da GR 25/2020, a Reitoria mostrou que pretendia normalizar o seguimento do calendário escolar por meio da criação de um “programa emergencial para os cursos e disciplinas de Graduação e Pós-Graduação” com “a migração para atividades de educação mediada por tecnologia”, concedendo a consideração “(d)as especificidades de cada currículo e suas disciplinas”. A GR 27/2020 determinou o mesmo para os colégios.
A GR diz ainda, em seu artigo 3º, que “os docentes responsáveis… devem propor adaptações aos programas das disciplinas e a seus planos de atividades educacionais validadas”, de maneira que fica evidente, ao menos naquele momento, a obrigatoriedade da tarefa demandada pela reitoria.
Tal Resolução gerou diversos sentimentos na comunidade docente e também entre os discentes.
Parte das/os docentes compreende que esta é uma medida acertada. A universidade precisaria, neste momento de crise, manter-se funcionando e não deveria arriscar-se a “perder o semestre”. Evasão de alunos/as pelo desligamento, compromisso com pais e mães, risco de uma visão negativa da opinião pública, solidariedade em um momento de isolamento, engajamento cívico: estes são alguns dos fatores que impulsionaram dirigentes de unidades e docentes a correrem para reverem seus programas de disciplina, tentarem contactar estudantes e fazerem cursos intensivos de plataformas virtuais.
Outra parte dos docentes considera a medida um equívoco grave. Melhor seria considerar o que fazer com o semestre apenas quando da finalização do período de isolamento social recomendado pelas autoridades sanitárias. Fundamental neste momento a preocupação em salvar vidas, mais do que “manter o semestre” a qualquer custo, considerando-se também os prejuízos pedagógicos e acadêmicos de uma “adaptação” forçada de conteúdos. Esta posição não se mostrou contrária a se estabelecer contato com as/os estudantes por meio digital, mas este deveria se dar de maneira voluntária, não obrigatória. Pesam nesta postura as próprias circunstâncias que o isolamento social gera nos próprios docentes e nos estudantes: necessidade de se dedicar às famílias, desigualdades de acesso às plataformas digitais, aspectos psicológicos da quarentena e o medo da doença, entre outras situações pessoais.
Ontem à noite foi divulgado um “Informe PRG/PRPG à comunidade Unicamp”. Nele se reafirmam os pontos centrais da GR 25 e 27/2020 mas, ao que nos parece, é insuficiente para o esclarecimento da comunidade universitária acerca do tema.
A Diretoria da ADunicamp tem percebido esta divisão e, nesta carta aberta, apresenta questionamentos e preocupações à Reitoria da Unicamp, à Pró-Reitoria de Graduação e à Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
3 – Questionamentos e preocupações da Diretoria da ADunicamp
a) A Reitoria e as Pró-Reitorias consideraram que estão produzindo resoluções que podem contrariar o próprio Estatuto da Unicamp, especialmente no que diz respeito ao ordenamento dos processos decisórios na universidade e à equanimidade de condições ?
b) Quais são os “protocolos de aprendizagem não presencial adotados nacional e internacionalmente” que embasaram a decisão da Unicamp, conforme anunciado no Informe PRG/PRPG? Tais “protocolos” são coerentes com a extrema celeridade com que esta “adaptação” está sendo feita e com o questionável padrão de qualidade em Ensino à Distância que fatalmente caracterizarão boa parte das propostas?
c) A Reitoria considerou que docentes podem se sentir constrangidos pela própria Reitoria, Pró-Reitorias, Diretorias, Coordenações de Graduação e Pós-Graduação e até por colegas, a realizar tarefas para as quais não estão preparadas/os e/ou pedagogicamente não concordam, o que ataca a liberdade de cátedra e direitos trabalhistas?
d) A Reitoria considerou a possibilidade de adoecimento de docentes e discentes ao longo da pandemia? A Reitoria considerou que docentes e discentes poderão se ver obrigados a socorrer a si próprios, aos seus familiares, vizinhos e amigas/os, ou até pessoas desconhecidas, ao longo da pandemia?
e) A Reitoria considerou que parte do corpo docente, especialmente profissionais da saúde, podem vir a ser convocados a ajudar no combate direto à pandemia, em hospitais, pronto-socorros e unidades de saúde, e tenham que se ausentar de suas atividades docentes?
f) Considerando que “as disciplinas que exigirem atividades presenciais poderão ser realizadas ou complementadas após o término do período de isolamento social” e que “os docentes poderão aderir ou não ao formato híbrido, em acordo com a coordenação de ensino nos casos de curso de Graduação” (Informe PRG/PRPG), a Reitoria e as Pró-Reitorias consideraram as dificuldades relativas ao estabelecimento de um calendário escolar unificado para a Unicamp, bem como às questões relativas aos sistemas da DAC, integralização de créditos, cumprimento de pré-requisitos e outros itens estabelecidos atualmente para a integralização curricular?
g) Sobretudo neste momento de isolamento social, a Reitoria, PRG e PRPG consideraram que no afã de “minimizar o prejuízo aos estudantes” (Informe PRG/PRPG), desequilíbrios de acesso a internet podem gerar situações em que estudantes que têm acesso fácil a internet sejam privilegiados em relação àqueles que têm acesso difícil ou não têm acesso? Consideraram que fatalmente ocorrerão defasagens de aproveitamento de alunas/os de mesma turma e que isso não ocorrerá por conta de estudantes ou docentes? Consideraram que isso fere os direitos das/os alunas/os estabelecidos no ato da matrícula e presente no compromisso da Universidade nos Catálogos dos Cursos de Graduação e nos regimentos que, uma vez não cumpridos, poderão ser motivo de uma quantidade muito grande de recursos e ações judiciais contra a universidade, sobretudo quanto a geração de tratamento desigual ao alunado?
h) Considerando o art. 6º da GR 24 em que se define que “durante o período de vigência desta resolução (13 de março a 12 de abril), será considerada frequência integral de todos os alunos de graduação, pós-graduação, extensão e dos colégios” e a indicação de que “a atribuição de frequência integral aos alunos ao longo do período em que vigorar a suspensão das atividades presenciais” (Informe PRG/PRPG); considerando, portanto, o relaxamento da frequência escolar, a reitoria e as pró-reitorias consideraram os riscos pedagógicos e os riscos frente ao compromisso com as/os estudantes e a sociedade no sentido do oferecimento de educação de qualidade em nível superior com estas decisões?
i) A Reitoria considerou a possibilidade de estimular a criação de cursos de extensão gratuitos online à comunidade externa à Unicamp? Esta seria uma estratégia interessante de mostrar à sociedade que a universidade permanece viva e comprometida socialmente.
j) Quando a Reitoria convocará um Conselho Universitário Extraordinário e com transmissão simultânea para deliberar sobre um possível cancelamento do semestre?
Aguardamos um posicionamento da Reitoria e das Pró-Reitorias a estas questões para que possamos nos posicionar frente a elas e também informar à comunidade universitária.
Aguardamos um posicionamento a respeito da Carta enviada ao reitor por docentes membros do Conselho Universitário no dia 18 de março com considerações e questionamentos.
Também aguardamos um posicionamento a respeito da Carta enviada ao reitor por 12 centros acadêmicos e pela representação discente no Consu e CCG.
4 – Abertura de canal de manifestações de docentes e da comunidade universitária
A ADunicamp está sempre aberta a manifestações de docentes e da comunidade da Unicamp. Abrimos o email coronavirus@adunicamp.org.br para que possamos recebê-las neste momento de crise aguda. As manifestações são livres, mas esperamos receber sobretudo dúvidas, relatos pessoais e questões para organizar nossa atuação neste período e também para que possamos encaminha-las à reitoria, pró-reitorias e demais autoridades.
 
A Diretoria da ADunicamp
21 de março de 2020




ADunicamp apoia pedido de proibição de bloqueios na internet durante a pandemia

A ADunicamp vai apoiar e colocar seu Departamento Jurídico à disposição do coletivo de comunicação Intervozes, organização autora do pedido de proibição de bloqueios na internet dos clientes, por parte das operadoras, ao fim das franquias de dados. O pedido, que já está sob análise da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), propõe a suspensão dos cortes por um período de 90 dias e tem o objetivo de evitar danos às pessoas durante o período de isolamento sugerido pela OMS (Organização Mundial de Saúde), para conter a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
O pedido de liminar foi encaminhado nesta quinta-feira, 19, à agência, à Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça, e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil.
“Neste momento em que todos precisam ficar recolhidos, a universidade e demais instituições de ensino tem o dever de apoiar seus alunos e toda a comunidade acadêmica para que continuem fortalecendo laços em busca de produção de conhecimento, de acesso à informação de qualidade e à cultura. A internet terá um papel essencial nesse processo, mas a desigualdade de acesso que existe no Brasil pode aprofundar ainda mais as desigualdades em momento tão crítico. Por isso apoiamos o pedido de proibição de bloqueio, para que toda a comunidade universitária e não apenas aqueles que têm mais recursos possam fruir livremente do direito à educação, à informação e à cultura”, disse o professor André Pasti (COTUCA), membro do Conselho de Representantes da ADunicamp e integrante do Intervozes.
O coletivo Intervozes integra o Comitê de Defesa dos Usuários dos Serviços de Telecomunicações, órgão da Anatel que autoriza seus participantes a pode acompanhar ações da agência em relação ao consumidor e sugerir medidas para aprimorar a prestação de serviço.
No pedido encaminhado, o Intervozes argumenta que a limitação do acesso à internet, no momento em que as pessoas devem ficar isoladas em casa, pode atrapalhar o trabalho remoto e as aulas online, já que muitas dessas atividades serão desempenhadas dessa forma nos próximos dias.
A organização lembra que a maior parte da população conectada acessa a rede pelo celular e usando pacotes pré-pagos, que têm franquias limitadas de dados.




Debate na ADunicamp aponta que ‘crise do coronavírus’ vai afetar economia e sociedade brasileira por longo tempo

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O Brasil ainda não tomou as medidas sanitárias e econômicas necessárias para enfrentar a situação atual e aquela prevista para futuros próximos e distantes em decorrência da “crise do novo coronavírus”. E a crise já exige medidas urgentes e profundas. Esse quadro foi apresentado nesta quinta-feira, 19, durante a segunda rodada dos debates promovidos pela ADunicamp sobre a pandemia causadora da chamada Covid-19.
Participaram do debate a professora doutora Mônica Corso, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialidade em pneumologia; o professor doutor Guilherme Santos Mello, do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do instituto; e o médico sanitarista Pedro Tourinho, em segundo mandato como vereador em Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O debate foi coordenado pelo presidente da ADunicamp, professor doutor Wagner Romão, do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp.
O professor Guilherme afirmou que a crise da Covid-19, do ponto de vista econômico e social, é uma crise como jamais foi vista na história, “pelo menos pelas novas gerações”. E os efeitos dela se prolongarão ainda por muito tempo e exigirão uma intervenção pesada do Estado para recuperar a economia, coisa que alguns países, como o próprio Estados Unidos já perceberam, mas que parece longe das decisões do governo brasileiro.
“Alguns, como o próprio presidente da França, Emmanuel Macron, costumam dizer que ‘estamos numa situação’ de guerra. Mas a questão é que numa economia de guerra está todo mundo produzindo. Produzindo para a guerra, mas com pleno emprego. Hoje é justamente o contrário. A crise econômica acontece pela falta de produção, pela falta de trabalho e de consumo”, afirmou. Outros analistas, apontou Guilherme, também tentam comparar de forma a atual crise com a de 2008. “Mas a crise de 2008 foi uma crise de crédito, que se expandiu para o mercado financeiro”. Foi o excesso de crédito que garantiu a aceleração da economia. “Mas veja como essa crise é diferente. Temos a paralisação na economia real, que está chegando numa crise de crédito e pode quebrar todo o sistema financeiro”.
Guilherme lembrou que o governo dos Estado Unidos está jogando trilhões de dólares na tentativa de manter o mercado de crédito ativo. “Mas podemos jogar quanto dinheiro for, que não adianta. Não dá para produzir. Está todo mundo em casa”.
Para Guilherme, assim que a pandemia acabar, a crise na economia ainda se arrastará por muito tempo e a intervenção dos Estados, tanto na recuperação do sistema financeiro, como em investimentos na produção, será o único fator capaz de acelerar novamente a economia. “As empresas estarão quebradas, o desemprego será enorme”.
Neste momento, como já perceberam alguns governos, como o norte-americano, os tesouros nacionais terão que gastar “o que tiver que gastar” para conter a pandemia e impedir a quebradeira de empresas e o desemprego em massa. “Mas não vemos nenhum posicionamento neste sentido por parte do governo brasileiro”. Ele lembrou que passamos anos criminalizando as intervenções do Estado na economia e que agora essa intervenção será indispensável.
JAMAIS SABEREMOS
A verdadeira dimensão da pandemia no Brasil jamais será conhecida. Isso porque, como informaram e analisaram a professora Mônica e o vereador Tourinho, o Brasil não conseguirá realizar testes em larga escala, modelo apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para controlar a pandemia.
Esse novo coronavírus apresenta uma ampla variedade de respostas clínicas, mostrou Mônica com base nos resultados obtidos em todos os países que vivem a pandemia.




CARTA ABERTA DO FÓRUM DAS SEIS A RESPEITO DA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS E DAS MEDIDAS QUE DEVEM SER ADOTADAS PELAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS PAULISTAS E PELO CENTRO PAULA SOUZA

A EXTREMA GRAVIDADE DA PANDEMIA
Estamos diante de uma pandemia causada pelo novo coronavírus. Os casos no Brasil, nas próximas duas semanas, podem chegar a dezenas de milhares. As consequências desta crise ainda não estão claras. Não sabemos ao certo suas dimensões e sequer quando conseguiremos retomar a regularidade da vida.
As instituições brasileiras, onde se incluem as três Universidades Públicas Paulistas e o Centro Paula Souza, deverão atuar diariamente com medidas contundentes e responsáveis no sentido de informar e proteger as suas comunidades e, consequentemente, toda a sociedade dos seus entornos. Como instâncias da produção de conhecimento, devem se colocar a favor de ações que permitam o distanciamento social de seus trabalhadores e trabalhadoras, pois essa é, sem dúvida, a principal forma de evitar que um grande número de pessoas não só se contaminem, como também venham a levar os sistemas de saúde do nosso estado a uma situação de saturação e inoperância.
A VIDA DAS PESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR: AS UNIVERSIDADES DEVEM ZELAR PELA SAÚDE PLENA DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA
O Fórum das Seis reconhece as ações realizadas pelas administrações universitárias até o momento para a contenção do coronavírus e afirma que é fundamental que todas as vidas sejam preservadas. Este deve ser o centro das ações das Universidades e da comunidade universitária.
É necessário que as ações em defesa da vida tenham a amplitude necessária e sejam realmente implantadas pelos setores da administração das Universidades, pelos hospitais universitários e pelas unidades de ensino – creches, escolas, centros de saúde, faculdades, institutos e colégios.
É essencial que haja coerência nos procedimentos a serem adotados, tanto internamente às Universidades como entre elas. Isto não ocorreu na determinação do isolamento social, medida que não foi adotada em conjunto pelas Universidades e Centro Paula Souza. Até o momento, não se efetivou um grupo de trabalho do Cruesp a respeito da crise.
Entre outras ações, é preciso que o Cruesp, em conjunto com o governo do estado, promova a liberação de todos os trabalhadores e trabalhadoras que realizem atividades não essenciais nas Universidades e no Centro Paula Souza. Medidas de proteção devem ser adotadas por todas as unidades de trabalho consideradas essenciais, sem exceções, considerando os grupos de risco e o rodízio de profissionais, inclusive com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados e em número suficiente a todas as pessoas.
Essas medidas, obrigatoriamente, devem incluir as/os trabalhadoras/es terceirizadas/os. As reitorias não podem se esconder ou se omitir no cuidado da vida destes trabalhadores e trabalhadoras, sob o manto da terceirização. Ao contrário, elas devem garantir a preservação das vidas de servidores duplamente penalizadas/os.
Os hospitais universitários e demais unidades de saúde passam por dificuldades e seus/suas profissionais estão vivendo sob intensa pressão. Esta situação vai piorar muito nos próximos dias. É urgente que sejam feitas contratações emergenciais para os hospitais universitários, a partir de recursos das próprias Universidades e/ou dos governos municipais, estaduais e federal.
O MOMENTO É DE CUIDAR DE VIDAS. RETOMAREMOS AS AULAS QUANDO A PANDEMIA PASSAR. NÃO À SUBSTITUIÇÃO DE AULAS PRESENCIAIS POR AULAS ONLINE!
As reitorias estão incentivando a realização de atividades didáticas online com vistas a substituir as aulas presenciais. Isto ocorre na Unicamp, na USP, na Unesp e no Centro Paula Souza. Somos contrários a esta medida!
A reitoria da USP fez uma declaração irresponsável neste momento de crise. “A USP não vai parar!” Não, reitores! Temos que parar! Parar para cuidar de nós mesmos, das pessoas que dependem de nós e da sociedade brasileira! Parar para cuidar de nossa sanidade física e mental e para que possamos, quando tudo isso tiver passado, exercer nossas funções da melhor maneira possível.
O momento exige de nós profunda capacidade de nos anteciparmos àquilo que poderá nos atingir nos próximos dias. Muitos de nós adoecerão ou terão que cuidar de pessoas adoentadas. As escolas de nossos filhos e filhas estão fechadas, levando a que tenhamos que nos desdobrar para cuidar deles/as em nossas casas. Muitas pessoas da comunidade são responsáveis pelos cuidados de mães, pais, tias, tios, avós e avôs, pessoas idosas que, comprovadamente, compõem o grupo mais vulnerável e com maior risco de perderem suas vidas.
A nossa força não pode estar concentrada em “salvar o semestre” a qualquer custo! O papel da Universidade Pública, nas distintas especialidades que compomos, é o de contribuir com a sociedade para que esta crise seja a menos duradoura possível, com os menores impactos sociais e econômicos, considerando, em especial, as pessoas e setores mais fragilizados da sociedade brasileira.
Há muita desinformação na sociedade sobre o coronavírus e a Covid-19! Muita gente está subestimando o tamanho da calamidade que está prestes a ocorrer. Temos que atuar fortemente na disseminação de informação científica e de qualidade! É um momento extremamente propício para fortalecermos os valores científicos no debate público!
Não há dúvidas sobre a importância das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e da sua capacidade de permitir o diálogo entre nós e entre a universidade e a sociedade. As TICs ajudaram nos últimos anos a nos aproximarmos mais, a aproximar professores e estudantes e consideramos isso muito positivo.
É, portanto, fundamental que, neste momento de “quarentena”, possamos manter contatos entre estudantes, docentes e funcionárias/os, como uma forma de nos fortalecermos e nos apoiarmos neste período difícil.
No entanto, a utilização destas tecnologias para a transformação de cursos e disciplinas presenciais, da noite para o dia, em cursos e disciplinas à distância, é algo absolutamente descabido frente à realidade que tem se agigantado e que fatalmente se imporá entre nós nas próximas semanas.
Além disso, sobre a ideia em si da transformação súbita de disciplinas presenciais em disciplinas à distância, devem ser levadas em conta situações específicas, decorrentes das desigualdades de acesso existentes entre docentes e estudantes.
A primeira questão diz respeito à impossibilidade de que haja o mínimo de uniformidade na utilização das plataformas. Nem todas as/os professoras/es dominam as tecnologias digitais, nem contam com infraestrutura adequada para trabalharem desde suas residências. A maioria esmagadora dos/as docentes atuou e atua em sala de aula e tem nesta relação presencial o principal elemento de sua profissão.
De forma amadora, uma boa parte deles/as está conectada às mídias sociais. Mas é no mínimo irresponsável e desrespeitoso que as Universidades e Unidades de ensino possam vir a constranger seus quadros a esta forma de relação professora/or-aluna/o. Ainda mais em um momento de dúvida e medo.
A segunda questão diz respeito àqueles e àquelas que seriam os “receptores” da mensagem. É preciso garantir que os estudantes tenham condições equânimes de acesso aos conteúdos. Isto é possível? Mesmo com as Universidades fechadas? Parece-nos incabível que as reitorias e as/os docentes que aceitarem esta incumbência inesperada imponham isso a estudantes, sobretudo em um momento em que as Universidades têm recebido um expressivo contingente de estudantes de mais baixa renda.
Para além disso, não podemos aceitar que, em um momento de crise, se instaure uma espécie de “estado de exceção” nos processos deliberativos em nossas Universidades.
Questionamos a forma como as decisões vêm sendo tomadas. Não há dúvida de que medidas emergenciais – e centralizadas – podem e devem ser tomadas quando se trata de cuidar da vida das pessoas de nossa comunidade e da comunidade externa. Assim, consideramos acertada a medida de suspensão de atividades, incluindo aulas, nas Universidades – com especial destaque para o acerto e a coragem do reitor da Unicamp, que disparou este processo em São Paulo e no país, medida que não foi adotada pelas outras reitorias, expondo milhares de pessoas a situações de risco de contágio.
Porém, é necessário que órgãos colegiados e entidades representativas das Universidades sejam fortalecidos. Especialmente, que Conselhos Universitários e Congregações sejam protagonistas da resolução dos problemas que aparecerão ao longo da crise, ainda que para isso seja necessário o uso de ambientes virtuais para a tomada de decisão. Para a construção de planos de contingência, é necessário que todos os setores sejam partícipes. É preciso garantir espaço para o contraditório – com a participação de representantes de docentes, técnico-administrativos e estudantes que foram eleitos e eleitas para se posicionarem sobre estes assuntos.
Consideramos, assim, que não é com reunião dos diretores e, eventualmente, dos coordenadores de graduação e pós-graduação que estas decisões devem ser tomadas. Pelo menos, não apenas com eles. É preciso ouvir os estudantes e é preciso ouvir as representações sindicais. Nós estamos atentos e lutaremos contra abusos e constrangimentos!
Vale dizer, finalmente, que parte daqueles que ocupam as reitorias e pró-reitorias infelizmente comungam da mesma visão oportunista do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que hoje editou uma portaria que flexibiliza as regras do ensino à distância para as universidades federais e privadas. É isso que queremos? Vamos abrir nossa guarda à precarização da educação superior neste momento de crise? Neste momento de cortes? Neste momento de ataques ao serviço público e à previdência social?
Assim, o Fórum das Seis se coloca contrário às determinações das reitorias sobre a utilização de plataformas virtuais em substituição às disciplinas presenciais neste semestre, no contexto desta grave e complexa crise. E alerta a comunidade universitária para os riscos e prejuízos desta prática.
O Fórum das Seis, por meio de suas entidades, abrirá canais de comunicação com estudantes, docentes e funcionárias/os que se sintam constrangidas/os a efetuar esta mudança e cobrará do Cruesp um posicionamento responsável a respeito do cumprimento da carga didática do presente semestre, mas no momento correto: quando a pandemia tiver passado e possamos retornar a nossas atividades normais.
A URGÊNCIA DE UMA REUNIÃO ENTRE FÓRUM DAS SEIS E CRUESP
É urgente que o Cruesp se reúna com o Fórum das Seis para a discussão e deliberação de medidas de contenção da pandemia e de diminuição dos impactos da crise junto à comunidade universitária.
Temas como a antecipação do pagamento de parcela do 13o salário – adotada por alguns governos, inclusive o governo federal –; a elevação do percentual de insalubridade para os trabalhadores e trabalhadoras da saúde que manterão contato direto com pessoas potencialmente infectadas; a utilização de recursos adicionais para fortalecer os hospitais universitários; a proteção à vida de seus trabalhadores e estudantes; e a definição de uma política articulada das três Universidades Públicas Paulistas para o enfrentamento da pandemia do coronavírus, bem como a preservação de nossas instituições são alguns dos assuntos que devem ser tratados pelos sindicatos e pelos reitores.
FÓRUM DAS SEIS – ADUNICAMP, ADUSP, ADUNESP, STU, SINTUSP, SINTUNESP, SINTEPS




ADUNICAMP SUSPENDE TEMPORARIAMENTE ATENDIMENTOS E ATIVIDADES PRESENCIAIS

Prezadas/as associados/as,
Em conformidade com as orientações contingenciais referentes ao Coronavírus (Covid-19), a ADunicamp comunica que a sede da seção sindical estará temporariamente fechada para atendimentos presenciais a partir 19 de março de 2020. Informa ainda, que todas as atividades culturais, sindicais etc., seguirão canceladas.
Todos os atendimentos, inclusive aqueles relativos aos convênios serão realizados entre as 9h00 e as 16h00, pelos seguintes canais:
Secretaria / Convênios
– (19) 3521 2470
– (19) 3521 2471
– (19) 3521 24 72
secretaria@adunicamp.org.br
convenios@adunicamp.org.br
Comunicação / Imprensa
– (19) 3521 2479
imprensa@adunicap.org.br
Diretoria
– (19) 3521 2476
diretoria@adunicamp.org.br
Os/As docentes que necessitarem de atendimento jurídico emergencial deverão entrar em contato com a LBS Advogados, através do telefone (19) 3399 7700. Os atendimentos não serão realizados de forma presencial, porém todos/as advogados/as da LBS estarão disponiveis para atendimento via telefone.
Realizaremos divulgações sistemáticas para informar quaisquer mudanças em relação à a reabertura da sede da ADunicamp ou possível prolongamento deste sistema de atendimento virtual/telefone. Para isso, pedimos que estejam atentos aos e-mails que serão enviados e aos nossos canais de comunicação:
– www.adunicamp.org.br
– www.facebook.com/ADunicamp
– www.twitter.com/ADunicamp
Agradecemos a compreensão e colaboração de todas e todos.
Diretoria da ADunicamp




DEBATE (19/03) | Coronavírus: Efeitos na Saúde Pública e na Economia

A ADunicamp promove novo debate a respeito da crise do Coronavírus (Covid-19). Desta vez, a temática será os impactos da pandemia na saúde pública e na economia brasileira.
O debate ocorrerá nesta quinta-feira, dia 19/03, a partir das 19h30. Assim como o debate anterior (ver aqui), este também será via streaming através a página da ADunicamp no Facebook.
DEBATEDORES/AS
PROFA. DRA. MÔNICA CORSO
Docente na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP,1987), fez residência médica em Clínica Médica e Pneumologia (1990). Defendeu mestrado (1997) e doutorado (2003) em Clínica Médica, área de concentração PNEUMOLOGIA.
PROF. DR. GUILHERME SANTOS MELLO
Docente do Instituto de Economia da UNICAMP e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura do IE/UNICAMP. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2008), graduação em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006), mestrado em Programa de Pós-Graduação em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009) e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (2013). Atualmente é tesoureiro da ADunicamp.
PEDRO TOURINHO
Vereador na cidade de Campinas/SP, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) – está em seu segundo mandato. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006). Médico Sanitarista, fez Residência em Medicina Preventiva e Social na UNICAMP, concluída em 2012. Na pós-graduação foi eleito membro do Conselho Nacional de Saúde pela Associação Nacional dos Pós-Graduandos.
COORDENAÇÃO
PROF. DR. WAGNER ROMÃO
Docente do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp. Doutor em Sociologia e graduado em Ciências Sociais pela USP. É coordenador do Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva (Nepac/Unicamp). Atualmente é presidente da ADunicamp.




Debate sobre coronavírus realizado na ADunicamp aponta para a necessidade imediata de medidas rigorosas no Brasil

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O quadro da pandemia do coronavírus (Covid-19) tem se alterado rapidamente no Brasil e países vizinhos, o que aponta a América Latina como o próximo epicentro, depois da Europa, de expansão das contaminações. Por isso, são necessárias medidas urgentes de para a contenção das infecções no Brasil e a adoção imediata de políticas de defesa das populações mais vulneráveis e suscetíveis a apresentarem quadros graves de saúde, caso contraiam Covid-19.
Essas foram algumas das informações apresentadas no debate sobre a crise do Covid-19 realizado nesta segunda-feira, 16, pela ADunicamp e que reuniu especialistas na área de saúde e microbiologia. Ao longo do debate, foram apresentadas não só as medidas que devem ser tomadas individualmente, mas também as ações coletivas e governamentais – em todos os níveis – que precisam ser adotadas com urgência.
Os debatedores informaram também que o pico da pandemia no Brasil deverá demorar cerca de 40 dias para ocorrer e que isso poderá permitir uma forte contenção da pandemia, caso sejam tomadas imediatamente medidas rigorosas em escala nacional.
ORIGEM E PREVENÇÃO
Especialista em estudos sobre vírus, a professora doutora Silvia Gatti, do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), reafirmou a necessidade de conter ao máximo a circulação das pessoas.
Silvia relatou que os países que conseguiram realizar o isolamento social do maior número de pessoas, desde o início da pandemia, foram os únicos que conseguiram limitar uma expansão rápida e devastadora do coronavírus.
Em caso de necessidade de deslocamentos, ela reafirmou a importância de sistematização dos métodos já amplamente divulgados de prevenção, como a lavagem das mãos e do rosto e arejamento das casas, entre outros. “Álcool gel só deve ser utilizado quando não for possível lavar as mãos, pois ele não remove a sujeira. O método mais eficaz é a lavagem das mãos com sabão ou sabonete com esfregação por quarenta segundos”, disse.
A professora fez também um relato das mutações que permitiram que o novo coronavírus saltasse de outra espécie para a espécie humana. “Ele é novo para nós porque veio de outra espécie animal. Há apontamentos que veio do morcego, mas ainda há controvérsias sobre isso”. O vírus infecta todas as células do sistema respiratório e já aparecem indícios de que pode afetar também as células intestinais, informou Sílvia.
NOVA FASE DA INFECÇÃO
A professora doutora Maria Filomena Vilela, da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva, alertou que já “estamos no Brasil em uma nova fase da infecção”.
A transmissão já ocorre dentro do Brasil, sem que as pessoas infectadas tenham tido contato com quem veio de fora do país, portanto é urgente iniciar a “adoção de medidas restritivas e também cuidar das pessoas e grupos mais suscetíveis”.
Filomena também alertou para os fortes indícios de que o novo epicentro da pandemia, que já está em 180 países, será a América Latina. “O cenário no Brasil está mudando rapidamente, mas o país ainda tem condições de impedir o crescimento muito rápido de infecções”.
Mas, para isso, medidas restritivas e sanitárias têm que ser tomadas em escala nacional, uma vez que os serviços de saúde não estão preparados para atender um número alto e imediato de casos mais graves. Ações e campanhas de esclarecimento também têm que ser amplamente divulgadas. “Nossos serviços de saúde estão direcionados. As pessoas que apresentarem sintomas como falta de ar têm que ter internação imediata”. Por isso, aquelas que apresentarem sintomas leves, devem ficar em casa e só procurarem os sistemas de atendimento aos primeiros sinais de febre e desconforto respiratório.
Os números da quantidade de pessoas infectadas no Brasil não serão exatos num primeiro momento. Filomena informou que não serão colhidos materiais para exame de todos os que apresentarem sintomas leves. “Isso só será feito em situações em que for necessário o controle. E as ocorrências mostram que 5% das pessoas infectadas vão evoluir para situação que precisa de ventilação. Então temos que investir nisso: salvar vidas”.
Para ela, diante ainda dos inúmeros outros problemas sociais e de saúde que o Brasil enfrenta, é essencial “investir pesado na informação”. “Temos que fazer o máximo para termos a menor quantidade possível de pessoas nas ruas e locais públicos”.
PENSAR A COMUNIDADE
“Uma epidemia é sempre um momento em que pensamos a comunidade, a sociedade e o direito à vida. É um momento para refletirmos como a sociedade está preparada para defender a vida”, afirmou o professor Gustavo Cunha, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e doutor em Saúde Coletiva.
Gustavo relatou que os países com sistemas de saúde estruturados são sempre os que estão mais preparados para enfrentar situações difíceis, como as epidemias. “Só que o nosso sistema público de saúde, só no ano passado, teve um corte de nove bilhões de reais. Isso representa um impacto muito forte num sistema já frágil”, afirmou. Esse corte no orçamento e as atuais políticas para a saúde pública reduziram, disse Gustavo, a “capacidade do SUS (Sistema Único de Saúde) de defender a vida”. Isso acarretou no corte significativo no número de vacinas, consultas e atendimentos, já com reflexos claros como o aumento da mortalidade infantil e de algumas doenças.
Apesar de estar com a capacidade diminuída, na análise do professor, “o nosso sistema de saúde vai conseguir trabalhar neste momento” no enfrentamento da pandemia. “Mas é uma oportunidade de pensarmos e revermos o que representa para a sociedade esse desmonte dos serviços públicos de saúde”.
A desigualdade social é outro fator que precisa ser rigorosamente levado em conta nas políticas públicas de combate à pandemia, apontou ele. “A saúde depende de um conjunto de condições sociais. A mortalidade é maior entre os pobres, que são acometidos por doenças mais graves e recorrentes. Então, quando a gente fala, por exemplo, em fechar escolas públicas, temos que saber o que ocorrerá com aquelas crianças que dependem da merenda para ter a alimentação diária”.
E a mesma questão tem que ser vista com trabalhadores que dependem de sair para o trabalho diário para poder se sustentar, entre eles os uberizados. “Fome também mata”, apontou. “Por isso temos que ter uma política que de fato também proteja essas pessoas mais pobres”.
AMPLIAR A INFORMAÇÃO
“A informação sobre essas questões que discutimos aqui devem ampliadas com urgência, pois ainda temos muita gente desinformada sobre a verdadeira extensão da pandemia e também autoridades que não tem dado o exemplo”, afirmou o presidente da ADunicamp e mediador do debate, professor Wagner Romão, do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da universidade.
Wagner lembrou que o Brasil vive hoje um conflito, “forte neste momento”, que coloca a ciência em confronto com análises e opiniões do senso-comum. “Há quem questione se é a ciência ou Deus que vai definir se a doença vai chegar ou não”.
Para ampliar os debates e informações, Wagner anunciou que a ADunicamp vai continuar produzindo, ao longo dos próximos dias e semanas, debates sobre o tema, inclusive com professores e estudiosos de outras áreas que também serão afetadas pela pandemia.
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Debate (16/03) | O Coronavírus (Covid-19): o que tem sido feito até agora e como prevenir

A ADunicamp promove debate entre docentes da Unicamp a respeito da crise do Coronavírus (Covid-19), discutindo as medidas tomadas pelas autoridades e as melhores formas de se prevenir da doença.
O debate ocorrerá na segunda-feira, dia 16/03, a partir das 10 horas e será via streaming através do canal da ADunicamp no youtube e na página da entidade no facebook.
Debatedoras/es
Profa. Dra. Silvia Gatti
Docente do Instituto de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Unicamp. Doutora em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, graduada em Ciências Biológicas – Modalidade Médica pela Faculdade de Ciëncias e Letras Barão de Mauá (1976), Atua em Microbiologia, com ênfase em Virologia. Atualmente é vice-presidente da ADunicamp.
Profa. Dra. Maria Filomena Vilela
Docente da Faculdade de Enfermagem da Unicamp e do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva: políticas e Gestão em Saúde da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp, graduada em Enfermagem pela USP. Exerceu a função de diretora da Coordenadoria de Vigilância em Saúde de Campinas. Atualmente é representante dos docentes da Faculdade de Enfermagem junto à ADunicamp.
Prof. Dr. Gustavo Cunha
Docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Doutor em Saúde Coletiva e graduado em Medicina pela Unicamp. É preceptor da Residência Médica em Medicina Preventiva e Social e da Residência de Medicina de Família e Comunidade. Atualmente é tesoureiro da ADunicamp.
Coordenação
Prof. Dr. Wagner Romão
Docente do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp. Doutor em Sociologia e graduado em Ciências Sociais pela USP. É coordenador do Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva (Nepac/Unicamp). Atualmente é presidente da ADunicamp.
 
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Informe da ADunicamp em decorrência à decisão da Reitoria da Unicamp, de suspender as aulas entre os dias 13 e 29 de março 




EM DECORRÊNCIA À DECISÃO DA REITORIA DA UNICAMP, DE SUSPENDER AS ATIVIDADES ENTRE OS DIAS 13 E 29 DE MARÇO, A ADUNICAMP INFORMA QUE:

– OS DEPARTAMENTOS ADMINISTRATIVO E DE CONVÊNIOS funcionarão em esquema de plantão, das 9h às 16 horas.
– O ATENDIMENTO AO PÚBLICO será, preferencialmente, realizado por telefone e e-mail. Atendimentos presenciais serão realizados nos horários indicados acima.
– O ATENDIMENTO DA ADUNICAMP EM LIMEIRA, programado para o próximo dia 18 de março está suspenso. Docentes da FCA, FT e do COTIL, que precisarem de atendimento, poderão fazer via telefone e/ou e-mail.
– CONSULTAS AO DEPARTAMENTO JURÍDICO poderão ser realizadas por telefone, via LBS Advogados. Para isso, basta entrar em contato através do telefone (19) 3399-7700, que os/as advogados/as irão atendê-los/as
– TODAS AS ATIVIDADES CULTURAIS DA ADUNICAMP – cineclube, teatro e concertos musicais – estão suspensas durante o período indicado pela reitoria da Unicamp.
– TODAS AS ATIVIDADES SINDICAIS – assembleias, debates, atos públicos etc. – também estão suspensas. A assembleia convocada para o dia 25 de março, a qual tem como pauta a mudança estatutária da ADunicamp que indicará a inclusão ou não da carreira de pesquisadores/as ao quadro de associados/as da entidade, será realizada em nova data, a ser divulgada em breve.
Em reunião realizada entre as entidades representativas dos quatro segmentos da Unicamp – docentes, estudantes de pós-graduação, estudantes de graduação e funcionários/as técnico-administrativos – decidiu-se pelo adiamento das atividades programadas para a SEMANA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, incluindo o ato na Unicamp, que seria realizado no dia 17 de março. Decidiu-se, também, pela não participação do ato público, que será realizado no dia 18 de março, na região central de Campinas/SP.
Reiteramos que a ADunicamp se mantém mobilizada em defesa da educação, do serviço público e da democracia e, assim que haja plena segurança para a participação de todos e todas, sem riscos à saúde coletiva, retomaremos nossas ações internas à Unicamp e nas ruas de Campinas/SP.
– A ADUNICAMP, em conjunto com a APG, o DCE e o STU, considerando as diversas demandas e dúvidas referente à decisão da Reitoria da Unicamp de suspender as atividades nos campi, enviou um ofício solicitando uma reunião de emergência com o comitê de crise criado pela Reitoria.
CONTATOS ADUNICAMP
Fone: (19) 3521 2470 / 3521 2471
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