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Fale com a ADunicamp sobre riscos à saúde após o retorno gradual das atividades

Tendo em vista o plano de retorno gradual das atividades presenciais na Unicamp, a ADunicamp toma a iniciativa de acompanhar com atenção esse plano a fim de que sejam preservados todos os cuidados de segurança e de proteção à saúde e à vida no contexto da pandemia de COVID-19.

Com esse objetivo, a ADunicamp disponibiliza a todos(as) os (as) docentes um formulário prático e não exaustivo para que possam apontar possíveis riscos à saúde após o retorno gradual das atividades presenciais em suas Unidades.

Os dados pessoais enviados através deste formulário não serão divulgados; a ADunicamp manterá sigilo em relação aos docentes e tomará, sempre que necessário, medidas cabíveis para a preservação das normas de segurança e de proteção imprescindíveis no atual momento.




ADunicamp retorna atendimento presencial, de modo parcial, a partir de 02 de agosto

No próximo dia 02 de agosto, segunda-feira, a ADunicamp retomará, de forma parcial, suas atividades presenciais. Neste primeiro momento, os atendimentos da entidade ocorrerão de segunda a sexta-feira, das 11h30 até as 17 horas.

O acesso dos associados(as) nas dependências da ADunicamp – os prédios, incluindo o auditório e as salas multiuso, será limitado para garantir maior proteção dos frequentadores e dos(as) nossos(as) funcionários(as), que seguirão os rigorosos e necessários protocolos de segurança.

Importante lembrar que os atendimentos via telefone, e-mail e video-chamadas (acesse: https://meet.google.com/uuv-tfdg-ozt) seguirão normalmente, das 09h às 17h (ver contatos abaixo)

ATENDIMENTO JURÍDICO
Neste primeiro momento, de retorno parcial das atividades presenciais, o atendimento jurídico da ADunicamp, realizado pelo escritório LBS Advogados, não será realizado de modo presencial. Será mantido a forma atual, que prioriza o atendimento via telefone – (19) 3233 7799 – e via e-mail, a ser solicitado durante o atendimento telefônico ou virtual com a secretaria da ADunicamp.

RESTAURANTE

O restaurante Espaço ADunicamp está aberto ao público na hora do almoço, com capacidade reduzida e com todos os protocolos de seguranças, conforme decretos em vigor. A noite, o restaurante está com o projeto “PizzaADu”, com grande variedade de sabores de pizzas para delivery. As encomendas devem ser feitas pelo ifood (basta procurar por pizza ADu) e/ou pelo telefone 19 994040634.

CONTATOS ADUNICAMP

Secretaria / Convênios

– (19) 3521 2470

– (19) 3521 2471

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Comunicação / Imprensa

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Diretoria

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Cruesp mantém posição irredutível sobre reajuste em 2021 e não atende reivindicações do Fórum das Seis

Na segunda negociação da Data-Base 2021 entre Fórum das Seis e Cruesp, realizada nesta quinta-feira, 15 de julho, os reitores se mantiveram irredutíveis sobre a negociação, neste ano, de qualquer plano de recuperação de perdas salariais, valorização dos níveis iniciais ou progressão do plano de carreira. 

Além destes três pontos, a pauta do Fórum das Seis reivindica um plano concreto de retorno às aulas presenciais, construído em conjunto com as entidades e de forma democrática. E também sobre esse tema a negociação não avançou.

Pela primeira vez, e a pedido do Fórum das Seis, a rodada de negociação, realizada de forma virtual, foi aberta a toda a comunidade acadêmica. Em momentos de pico, a reunião chegou a ser acompanhada ao vivo por mais de 900 pessoas. A reunião foi transmitida por diversos canais, inclusive o da ADunicamp, no Youtube (acesse aqui e assista à reunião).

ARROCHO

O Cruesp justificou a manutenção do arrocho com base em interpretação jurídica das procuradorias gerais das universidades sobre as limitações impostas pela LC (Lei Complementar) 173/2020. De acordo com a interpretação dessas procuradorias, a LC173 impediria qualquer recomposição de salários também nas universidades, além de todos os demais órgãos públicos. 

Mas essa interpretação, como defende o Fórum das Seis, já tem diversos pareceres contrários, inclusive do TJ (Tribunal de Justiça) apontando que a autonomia das universidades permite sim reajustes, dentro dos limites legais, uma vez que elas têm orçamento próprio, definido na quota-parte do ICMS estadual (ICMS-QPE), e portanto não representaria ônus adicional aos cofres públicos paulistas.

O coordenador do Fórum das Seis e vice-presidente da ADunicamp, Paulo César Centoducatte (IC), mostrou no início da negociação que as universidades nunca estiveram tão bem do ponto de vista financeiro, inclusive com a folha de pagamentos representando pouco mais de 70% do repasse da ICMS-QPE às universidades, o que nunca ocorreu desde a autonomia.

Diante da irredutibilidade dos reitores, representantes do Fórum das Seis propuseram que as negociações avançassem com propostas objetivas que pudessem ser colocadas em prática a partir de janeiro de 2022, quando a LC 173 deixa de vigorar. Mas na interpretação do Cruesp até isso estaria impedido pela lei.

Ao final, depois dos duros questionamentos do Fórum, os reitores acataram a proposta de dar continuidade ao GT (Grupo de Trabalho) já constituído para tratar dos temas nos próximos seis meses.

AULAS PRESENCIAIS

O Fórum das Seis questionou a falta de transparência e de informações seguras do Cruesp sobre um plano de retorno às aulas presenciais nas universidades, inclusive diante da decisão do governo paulista de determinar o retorno de até 100% nas escolas estaduais. Mas a única resposta dos reitores foi de que as universidades não seguirão as determinações do governo pois, para isso, têm autonomia nas decisões. E que elas têm agido assim desde o início da pandemia.

Representantes do Fórum questionaram as atuais decisões do governo, num momento ainda crítico da pandemia, e defenderam que as aulas presenciais só devem voltar após a vacinação de 75% a 80% da população tiver garantido a imunidade coletiva.

E, diante da diversidade de realidades nas universidades, o Fórum reivindica a criação de um GT que construa em conjunto com as entidades e as reitorias um plano objetivo de retorno, inclusive prevendo o apoio a estudantes que têm tido problemas nas aulas remotas.

PROTELAÇÃO

Pela manhã, a ADunicamp realizou reunião virtual com docentes, com o objetivo de mostrar os pontos que levaria, logo em seguida, à reunião com o Cruesp, e acatar sugestões de novas propostas.

A presidente da ADunicamp, professora Sílvia Gatti (IB), questionou na reunião a maneira protelatória como o Cruesp vinha conduzindo a Data-Base 2021, o que se confirmou mais uma vez na negociação. Sílvia lembrou que, em 2020, o Fórum das Seis abriu mão das reivindicações na Data-Base, diante do contexto e das incertezas causadas pela pandemia naquele momento. Mas, segundo ela, as reivindicações deste ano foram muito bem discutidas. “O que queremos do Cruesp é uma discussão que se baseie nas pautas apresentadas, na recuperação salarial e na valorização dos níveis iniciais de carreira. Pontos essenciais para tornar as nossas universidades como bons lugares para se trabalhar e produzir. A verdade é que estamos vivendo sob uma lei que justifica quase tudo. Só que nossas universidades têm saldo, têm capacidade para nos dar aquilo que é nosso direito”, avaliou.

Para Sílvia, “nada justifica o prolongamento” das negociações. “Não dá para entender porque isso acontece. Parece que há um biombo entre nós e nossos dirigentes”.

AVALIAÇÕES

No início da tarde, após a negociação com os reitores, a ADunicamp voltou a se reunir com docentes para discutir propostas de ações e encaminhamentos que deverão ser conduzidos diante da decisão dos reitores de, na prática, encerrar a Data-Base.

Na opinião de Sílvia Gatti, os reitores “mostraram pouca firmeza em suas falas” sobre os pareceres jurídicos apresentados. “Mas para eles é vantajoso porque com isso fazem caixa. E mostram que não se preocupam com a qualidade do nosso trabalho”.

A professora relatou alguns termos que foram escritos por docentes no chat da sala virtual da reunião com os reitores. “Indignação, vergonha pela posição dos nossos reitores, não compromisso de nossos reitores conosco, não incluem nas discussões a saúde física, a saúde mental e as condições de trabalho. Foram diversas falas muito contundentes vindas de docentes que acompanharam a reunião”, relatou.

Para o professor Paulo César Centoducatte, a LC 173 tem sido utilizada pelos reitores como “um escudo”. “Até em pareceres usados por eles para justificar a posição das universidades, consta que progressões podem ocorrer. Mas quando questionamos sobre isso, simplesmente se calam”.

Na avaliação de diretores da ADunicamp, só haverá uma mudança na posição irredutível dos reitores com a mobilização de docentes e técnico-administrativos, mesmo diante das dificuldades impostas pela pandemia. “Para mudar o tom com o Cruesp é indispensável que haja mobilização e participação da comunidade. Temos que achar formas criativas de nos mobilizarmos na pandemia”, defendeu ele. 

Docentes que participaram do encontro apontaram também a importância de ações e mobilizações fora dos limites acadêmicos, junto à população em geral, com o objetivo de apresentar a importância das universidades públicas para o país e reagir aos fortes ataques que têm sido desfechados contra o funcionalismo público.

Ao final, com sugestões de docentes, foram apresentadas algumas propostas de ações que serão debatidas junto às demais entidades no Fórum das Seis e apresentadas em assembleias que deverão ser marcadas para os próximos dias.




Negação da ciência e ações de Bolsonaro são responsáveis pelo descontrole da pandemia no Brasil

A negação de medidas científicas para o combate à Covid-19, propagada por altas autoridades da República, incluindo o próprio presidente Jair Bolsonaro, é uma das principais responsáveis pela perda de controle da pandemia, que já causou mais de 500 mil mortes no Brasil. Esses ataques à ciência, claramente caracterizados de forma ideológica e política, são alimentados diariamente por uma enxurrada de fake news disseminadas pelas redes sociais e que confundem grande parte da população com menos acesso à informação.

Além disso, o conflito entre economia e medidas restritivas, colocado no Brasil pelo governo e por esses grupos, mostrou ser um equívoco, uma vez que a experiência de muitos países que seguiram as medidas mostra a retomada ampla da atividade econômica, e com controle da pandemia, em tempo muito mais curto.

Essas são algumas conclusões apresentadas pela professora Raquel Stucchi (FCM), especialista em infectologia, e pelo cientista político e professor Wagner Romão (IFCH), durante a live “O combate à Covid-19: da medicina à política”, realizada pela ADunicamp nesta quarta-feira, 23 de junho. O encontro foi mediado pelo professor Gustavo Tenório Cunha (FCM), 2° vice-presidente da ADunicamp, e o vídeo está disponibilizado na íntegra no canal da entidade no Youtube (e no player ao lado).

A professora Raquel mostrou, com gráficos e números, que a pandemia no Brasil caminha na direção contrária do resto do mundo. “O mundo apresenta uma curva em queda e a nossa, na contramão, chega a essa marca trágica de mais de 500 mil mortes. E estamos crescendo. A pandemia está totalmente fora de controle no país”, relatou.

Os gráficos apresentados por ela mostram que o Brasil vive, desde o início da pandemia, uma curva em permanente crescimento, com curtos momentos de queda, mas nunca abaixo dos números iniciais.

“Tenho dificuldade de falar em primeira, segunda e terceira ondas. Muita gente interpreta como se estivéssemos iniciando uma nova onda, mas os gráficos mostram que estamos sempre crescendo”, avaliou. Há exatamente um ano, o Brasil registrava 50 mil mortes, um número já preocupante na época. “E estaria ao nosso alcance controlar para não chegarmos a essas mais de 500 mil atuais”.

DOIS PILARES

O coronavírus é estudado a fundo pela ciência nas últimas décadas, após o surgimento de pandemias mundiais como a do H1N1, gripe suína e gripe aviária. E, com base nesses conhecimentos, a professora Raquel aponta que há dois pilares já amplamente investigados para garantir o controle da pandemia, além da vacina.

O primeiro é a testagem em massa, que o Brasil ignorou. Hoje, o país é o oitavo da América Latina em testagem. O Chile, que está entre os países que mais controlam a pandemia no continente, testa quatro vezes mais que o Brasil. “Testar é importante porque na hora que faço o diagnóstico, com ou sem sintomas, eu consigo isolar os contatos. E os países que mais testaram e fizeram o rastreamento de contatos foram os que mais controlaram o crescimento da pandemia”, apontou.

Países exemplares no controle, como Israel, continuam fazendo testagem rigorosa, mesmo depois da vacinação em massa. Recentemente, a testagem em todos os passageiros, na chegada de um avião vindo de outro país, detectou o coronavírus em três deles. “Imediatamente todos foram isolados, impedindo a disseminação”.

Uma das dificuldades apontadas para a testagem em massa no país é o alto custo dos testes mais rigorosos como o RT-PCR. Mas, segundo a professora, testes baratos como os de antígenos cumprem perfeitamente o papel de diagnóstico para fins de controle. “Perde um pouco da exatidão em casos assintomáticos, mas é barato e o resultado sai em minutos”.

O outro pilar básico para o controle da disseminação é a barreira. E a primeira barreira, lembrou a professora, é a máscara. Estudos realizados no mundo inteiro comprovam que a principal forma de transmissão do coronavírus é de pessoa para pessoa, por meio das gotículas de saliva.

“Hoje conhecemos bem o comportamento dessas partículas. Temos as mais pesadas e os aerossóis que fazem nuvenzinhas. O contágio por aerossol é particularmente importante em ambientes fechados, onde o risco é quase 20 vezes superior do que em ambientes abertos. Daí a importância total da ventilação e das máscaras”, afirmou. E esse cuidado tem que ser amplamente respeitado em ambientes de trabalho, no transporte e assim por diante. “É a máscara e a higienização das mãos que cortam a transmissão de pessoa para pessoa. O uso de máscaras, especialmente a PFF2, mais indicada para ambientes fechados, ajuda a conter em até 80% a transmissão”.

Esses dois pilares, segundo a professora, são essenciais no momento, mas o controle real da pandemia só começará a ocorrer após a vacinação em massa. E, mesmo após a vacina, cuidados ainda terão que ser adotados, dependendo dos desdobramentos da pandemia e de novas variantes do coronavírus.

“Não temos nenhuma proposta de exterminar o vírus no momento, mas sim reduzir mortes, casos graves e internações. Países que iniciaram a vacinação mais cedo, mesmo sem ter vacinado toda a população, tiveram queda muito expressiva de mortes e internações. E a vacinação protege toda a população, não só as pessoas vacinadas. Temos que vacinar em massa”. Países que conseguiram vacinar duas doses em mais de 50% da população já estão retomando a vida econômica e social, inclusive em alguns lugares já sem uso de máscara.

O Brasil têm um problema adicional no enfrentamento da Covid-19, que é a profunda desigualdade social, acentuada pela pandemia. A desigualdade, segundo a professora, é revelada também na vacinação em curso.

“Pagamos um preço alto por não vacinar trabalhadores. Todos aqueles que garantiram nossa sobrevivência nestes tempos morreram muito mais, aumentando a desigualdade. Não foram priorizados, como deveriam, na vacinação”.

QUESTÃO POLÍTICA

Para o professor Wagner Romão, a questão política é central para se analisar o descontrole da pandemia no Brasil hoje e avaliar as perspectivas futuras de controle. “Boa parte do desastre, das 500 mil vidas perdidas, se deve diretamente a quem está no comando da política, hoje o presidente Jair Bolsonaro. Tivemos a má sorte de ter um presidente negacionista e autocentrado, que acreditava, desde o início, que ele pessoalmente se livrando da Covid-19 traria felicidade para o povo brasileiro”.

E a orientação, repetida pelos especialistas, de que as vacinas por si só não darão conta do combate à pandemia; e que máscaras, distanciamento e medidas de contenção terão que ser mantidas por um bom tempo, complicam ainda mais o quadro. “Continuamos numa situação muito difícil, porque o presidente da República é contrário e critica o uso de máscaras e o isolamento. Importante sabermos isso em qualquer avaliação sobre como a política pode ajudar a ciência e a saúde no enfrentamento à Covid-19”.

No Brasil, os governantes sempre seguiram as orientações da ciência e de profissionais da saúde no enfrentamento de problemas sanitários e epidemias. “Depois, com as crises debeladas, até se aproveitavam politicamente pra colher os louros”. Mas, neste momento, a pandemia foi politizada ao extremo, como se quem usasse máscara fosse de uma corrente política e quem não usasse fosse da outra.

Assim, na avaliação do professor, só uma mudança no atual quadro político pode alterar o comportamento de parte importante da população e mudar a condução da política sanitária nacional. “Por isso, é importante que façamos uma análise de conjuntura para ver se há alguma possibilidade de que isso ocorra”, argumentou. Ele relatou que havia preparado alguns pontos sobre a atual conjuntura política no país, para apresentar no encontro. “Mas hoje, exatamente no dia desta nossa live, tivemos quatro notícias muito significativas. E que apontam para prováveis mudanças de conjuntura”.

A primeira delas, foi o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) que acatou a tese de suspeição do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, depois de sucessivos adiamentos. “Isso é importante por dois motivos principais. Reflete o decaimento da figura Moro e de tudo que se articulou em torno da lava-jato e que proporcionou uma situação singular no país, quando o candidato que estava à frente das pesquisas não pode participar das eleições. E também deixa claro que poderá ocorrer eleições com Bolsonaro e Lula”, avaliou. Para ele, esse é mais um capítulo importante que dissocia a figura de Moro de Bolsonaro, associação que foi fundamental nas eleições de 2018.

A segunda notícia, apontada por Wagner Romão, foi a queda do ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na avaliação dele, num momento em que ainda não se tinha o nome do novo ministro, a queda teve um significado importante, mesmo que o que viesse depois fosse “mais do mesmo, ou seja, uma pessoa à imagem e semelhança do Salles”. Para o professor, o fato de Salles ter caído por uma investigação da Polícia Federal por contrabando de madeira, mostra que o atual governo não tem o controle total da polícia, como Bolsonaro reafirma a todo momento.

A terceira notícia foi a explosão da denúncia de superfaturamento na compra da vacina indiana Covaxin, com indícios de envolvimento direto do próprio presidente. “Essa investigação abre brechas nas negociações dentro do governo, nas negociações com o centrão. É algo que está pegando forte e temos que esperar, pois é muito difícil que uma negociação deste quilate, com valores bilionários, não seja investigada. E pode levar a um desgaste ainda mais forte da figura de Bolsonaro”.

A quarta notícia apontada pelo professor foi a violência contra os indígenas e o fechamento do Congresso para impedir o acesso. Os indígenas protestavam contra o Projeto de Lei 490, em votação na Câmara Federal, que praticamente impossibilita novas demarcações de terras e abre caminho para o extrativismo mineral e madeireiro nas atuais reservas indígenas. O projeto foi acatado pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Câmara, por 40 votos favoráveis e 21 contrários. “Mostra que Bolsonaro ainda é forte na Câmara, mas as ações revelam que há uma situação de conflagração muito intensa neste momento no país”, reforçada pela retomada das manifestações de rua por opositores ao presidente.

O professor disse não acreditar que Bolsonaro, mesmo sob pressão, mude seu comportamento sobre uso de máscaras e distanciamento social. “Ele trabalha com a hipótese de que os 20 ou 25 por cento de seguidores radicais o levem para o segundo turno”, mas os fatos acima podem ter “importantes desdobramentos na conjuntura política atual”.




ADunicamp registra luto pelas 500 mil mortes e questiona política anticientífica de governantes

As mais de 500 mil mortes pela Covid-19 que acabam de ser registradas no Brasil vão além de uma marca tragicamente simbólica. Os números revelam, acima de tudo, os profundos equívocos na condução da política sanitária de enfrentamento à pandemia no país.

Com apenas 2,7% da população mundial, o Brasil responde hoje por cerca de 30% das mortes registradas no mundo a cada semana e estamos atrás apenas dos EUA no número total de óbitos. Mas, nos EUA, com a vacinação em massa e a adoção de medidas sanitárias rigorosas a partir de janeiro, os números despencam a cada semana. E aqui continuam em alta alarmante.

O Brasil é hoje o 10° país em mortes por milhão de habitantes e essa colocação expõe ainda mais a face da nossa tragédia. Excluindo o Peru, que tem uma população de 33 milhões de habitantes, os demais que estão à nossa frente são países com populações minúsculas e muito mais idosas do que a nossa, como Bulgária (6,8 milhões de habitantes) ou Montenegro (628 mil).

O Brasil tem um dos melhores sistemas de saúde pública e vacinação do mundo. Mas deixou de tomar decisões estratégicas que poderiam ter nos colocado na vanguarda mundial do combate à pandemia. Mais do que isso, com o apoio expresso de algumas das principais autoridades da República, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, parte do país caminhou na contramão de todos os alertas da ciência, investindo em medicamentos comprovadamente ineficazes, descuidando da compra de vacinas e da adoção de medidas sanitárias corretas.

Uma morte, por si, é um triste evento. Quando essa morte é decorrente da falta de assistência, de prevenção e irresponsabilidade, suscita, além da tristeza, revolta e indignação.

Como aceitar essas 500 mil mortes, quando sabemos que grande parte delas poderia ter sido evitada, com a adoção de medidas sanitárias e as providências adequadas e urgentes na aquisição de vacinas? A falta de um auxílio emergencial decente também impede que as populações pobres e desempregadas possam manter o necessário, sempre que possível, distanciamento social.

#VivaoSUS
#Vivaaciência
#Vacinasparatodos




Rede de Afeto da ADunicamp – Participe!

Nos próximos dias, a Diretoria da ADunicamp irá lançar uma REDE DE AFETO, com a qual pretende-se realizar encontros virtuais para proporcionar interação, momentos de descontração e entretenimento para todas/os as/os docentes, pesquisadores/as e servidores/as da Unicamp, durante este período de pandemia. 

A primeira ação será o ENCONTRO EM LÍNGUAS. A proposta é promover discussões e aprendizados em cultura, artes, culinária, turismo e outros assuntos em francês, inglês, espanhol etc. Para isso, contamos com a participação daquelas/es que fizeram viagens para outros países e gostariam de compartilhar suas experiências com as/os demais colegas. 

Gostaríamos de saber quais idiomas despertam a curiosidade das/os que queiram fazer parte dessa REDE DE AFETO da ADunicamp. Essa informação é essencial para que possamos estruturar o evento. Acesse o formulário e participe desta ação: https://forms.gle/pEA8NyQkJuaApAH39

A Diretoria da ADunicamp




A pandemia e os governantes: a tragédia e a farsa

Por Gustavo Tenório Cunha
(FCM/Unicamp e ADunicamp)

A conversão do Brasil em terra arrasada, meticulosa e dedicadamente construída pelo governo Bolsonaro, traz uma situação relativamente confortável para alguns governantes locais: basta não habitar o extremo péssimo para sair-se como gestor razoável. Para muitos prefeitos e governadores parece confortável a convivência com um governo federal que é aliado do vírus desde a primeira hora. Mas o fato é que a condução do enfrentamento da pandemia pelos governos estadual e municipal, deixa muito a desejar. Todos os dias (e cada vez mais) desfilam notícias sobre o aumento de vítimas da  COVID-19. Familiares de amigos, conhecidos, trabalhadores de serviços de saúde… a cada relato de pessoas sem tratamento adequado, de pessoas que morreram na fila, de pessoas que morreram mesmo com tratamento, me pergunto: quantas destas mortes e danos poderiam ter sido evitadas se as decisões locais tivessem sido outras? Se tivéssemos aprendido alguma coisa neste ano de pandemia?

No momento em que escrevo o HC-Unicamp cancela todas as cirurgias eletivas para tentar acolher mais casos de  COVID-19. O Pronto Socorro está com uma ocupação de 350%. Os números não podem expressar o significado real desta situação, para doentes, familiares e trabalhadores da saúde. Além das mortes causadas pela  COVID-19, vão se somar, silenciosamente, as mortes por desassistência, daqueles que precisam de atendimento e não tem (terão). A despeito do sofrimento e das mortes evitáveis de tantos seres humanos, Campinas entrou na fase vermelha apenas na primeira semana de março, e o fez demasiadamente tarde. Assim como o Estado de São Paulo.

É preciso dizer que a chamada “fase vermelha” está longe de ser o lockdown que seria necessário para interromper a circulação do vírus e diminuir a gravidade do colapso em que o sistema de saúde já está. Por este motivo, podemos esperar que a terceira semana de março seja bastante pior que a segunda semana. No entanto, em  15 de fevereiro já se sabia que a prevalência da variante P1 (originada em Manaus) predominava em 67% das amostras no Brasil¹. Neste momento, já seria tarde para fazer um lockdown de verdade. Não foi feito e o governo do Estado de São Paulo, assim como a prefeitura de Campinas (juntamente com outros grandes municípios), não podem alegar ignorância. Desde janeiro se sabia que a variante P1 se espalharia. Assim como se sabia que a sabotagem do governo federal à vacina (tanto à credibilidade quanto às compras no momento oportuno) impediria que ela chegasse antes da nova variante. Desde janeiro o Estado de São Paulo e os municípios podiam ter atuado de forma responsável.

Gráfico: média diária da prevalência da variante P1 no Brasil

Fonte: www.outbreak.info.

Em vez disso, o que vimos foi um desfile de barbaridades: repetiu-se a estratégia de utilizar o número de leitos hospitalares ocupados como único parâmetro para tomar decisões de enfrentamento da pandemia. Embora seja de conhecimento público que o simples aumento do número de leitos não detém a pandemia e, portanto, não evitaria a tragédia que visivelmente  se aproximava, durante várias semanas de aumento de internações, a proposta dos governos estadual e municipal se resumiu a aumentar leitos (ou declarar que aumentaria, ou cobrar outro governante pela falta de leitos). Além disso, as medidas de restrição de mobilidade, quando bem feitas, levam pelo menos 15 dias para ter impacto sobre as internações. Ou seja, mesmo que se utilizasse apenas este parâmetro, a demora em tomar atitudes concretas foi enorme.

Em paralelo a essa paralisia e a este monitoramento equivocado, que ignorava propositalmente o avanço da variante P1 para quase todo o território nacional, pudemos ver, com frequência,  os governantes tentarem transferir a responsabilidade do controle da transmissão do vírus para a população, como se fosse possível enfrentar a pandemia com voluntarismo individual e abstenção dos governos.  Como se não bastasse, a prefeitura de Campinas insultou a inteligência de todos com medidas de suposta restrição da “mobilidade noturna” (das 21h às 5hs), desperdiçando um tempo precioso e confundindo a população. Para efeitos de comparação, a Inglaterra (cujo governo também cometeu erros graves no início da pandemia), assim que detectou uma variante potencialmente perigosa no início deste ano, decretou lockdown imediatamente (em 4 de janeiro). Lockdown de fato! Sendo que  a Inglaterra já figurava entre os primeiros países a vacinar sua população.  Para completar, tivemos que assistir o governo estadual insistir na abertura de escolas até ser derrotado na justiça pelo sindicato dos professores (APEOESP). Isto em plena ascensão da pandemia!!

Mas talvez a maior perversidade dos gestores locais (e nisto se igualaram ao governo federal) foi contrapor por diversas vezes as medidas necessárias para o enfrentamento da  COVID-19 à sobrevivência econômica das pessoas, principalmente aquelas em situação mais vulnerável. Fizeram isso enquanto sabemos que a pandemia aumentou significativamente a fortuna dos bilionários brasileiros. E todos os gestores sabem que, assim como acontece com a maior parte das doenças mais prevalentes, a  COVID-19 faz mais vítimas entre os economicamente mais vulneráveis. 

Os números da  COVID-19 não diferem de  indicadores de saúde do Brasil, que refletem a imensa desigualdade econômica e revelam que tem menos direito à vida aqueles cujo o fruto do trabalho é expropriado por condições de  trabalho cada vez piores e pelo desemprego/trabalho precário. Neste sentido, o discurso que opõe dois direitos fundamentais no enfrentamento da pandemia revela e acentua o nosso cenário de políticas públicas voltadas para o interesse de poucos, para o aumento da miséria, da exploração e da concentração da riqueza. 

Em outras palavras, em uma sociedade minimamente democrática, não seria possível pensar em proteger a população da  COVID-19 sem reforçar/criar políticas de proteção social e econômica, até porque isto não é possível. É pura  falácia, perversidade e necropolítica. E este é um fato tão estudado e consolidado que está na Constituição no seu artigo 196: “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença”.  E toda esta campanha dos gestores contra a vida e na defesa dos interesses menores de aliados, resultou justamente nas decisões políticas que assistimos desde  o início da pandemia: a fase vermelha começa tardiamente no Estado de São Paulo e em Campinas e praticamente sem proteção social. Novamente alguns governantes se escoraram no governo federal, que cortou o auxílio emergencial, como se coubesse apenas ao governo federal executar este tipo de política. A falácia da “falta de recursos” é facilmente desmontada quando olhamos a distribuição desigual da riqueza no país. Ou quando olhamos para outros governos estaduais, como por exemplo  o Governo da Bahia, que implantou políticas de proteção social, como a isenção em contas públicas, a distribuição de vale refeição para estudantes, a distribuição de cestas básicas, as medidas de proteção às pequenas empresas, entre outras muitas. A cidade de Belém, para citar um exemplo municipal, criou seu próprio auxílio emergencial… Como explicar o abandono dos nossos governos estadual e municipal das populações mais vulneráveis ao vírus e à fome? O que se pode dizer? Talvez atualizar o poeta Gregório de Mattos: “Triste São Paulo, ó quão dessemelhante, (…) a ti tocou-te a máquina mercante, (…) tanto negócio, tanto negociante”.

Existe mais um aspecto que também é muito importante e foi sistematicamente negligenciado no Brasil: o rastreamento e a testagem. Um importante dirigente cubano, perguntado sobre as múltiplas ações do país no enfrentamento da pandemia, explicou que o êxito do pequeno país se devia à somatória de duas forças: a vontade política e a “robustez” do sistema de saúde com 60 anos de compromisso. 

No caso do Brasil, também podemos atribuir o trágico resultado das nossas políticas de enfrentamento da pandemia à sinergia negativa destas duas forças. O SUS, além de perder a instância nacional de coordenação (não temos nem ministro nem ministério da saúde),  está sendo afetado por um conjunto de ataques sistemáticos, desde a PEC 96, que congelou todos os gastos sociais. Por um lado, a vontade política soterrada pela estreiteza e mesquinhez, e por outro, o SUS, desfinanciado, tomado pela pauta hospitalar, desprezando sua rede assistencial (principalmente atenção básica) e seu sistema de vigilância em saúde. 

É interessante observar que não foram poucos os países com sistemas públicos de saúde tradicionais que tropeçaram no início da pandemia. Mas se recompuseram ou estão se recompondo. Na literatura científica a importância do rastreamento é inquestionável²³ e sempre foi uma recomendação da OMS. Na prática se traduz no treinamento de pessoas para encontrar contactantes dos casos positivos, orientar isolamento, testar, bloquear locais que foram frequentados pelos positivos ou suspeitos. A Inglaterra tem sido um bom exemplo: o país divulga o desempenho do NHS no rastreamento mês a mês. Ao contrário, em Campinas (e no Estado), não sabemos a porcentagem dos contactantes de casos positivos que são encontrados/orientados/testados e quanto tempo se leva em média para alcançar os contactantes. Não sabemos a porcentagem de positivos entre os contactantes. Não sabemos se houve treinamento de pessoas. Não ouvimos falar de aplicativos direcionados. E sabemos que, em Campinas,  a testagem, até poucas semanas atrás era restrita e o resultado levava até semanas para chegar. 

A vigilância de doenças contagiosas não é uma atividade desconhecida do SUS. Ela é antiga e realizada rotineiramente para várias doenças contagiosas. A vacinação na atenção básica é anterior ao SUS, e até isto foi desmontado. Em vez de adaptarmos a sabedoria tradicional para as peculiaridades da pandemia, abrimos mão das ações de vigilância e das potencialidades da atenção básica. Estas ações poderiam inclusive direcionar e localizar medidas de restrição de mobilidade, antecipar a retirada destas medidas e sustentar o controle da pandemia quando o número de casos diminuir. Perdemos potencialmente muitas vidas (e recursos) por não ter construído ações de vigilância no tempo correto, mas elas ainda são muito necessárias e factíveis, ainda que apenas localmente; A epidemia está longe de acabar ou prescindir de cuidados e começar a rastrear e testar é urgente.

Estamos em meio a uma catástrofe sanitária e política sem precedentes, mas é exatamente por respeito às vítimas diretas e indiretas e pelo compromisso com um futuro diferente, e que ninguém deseja que repita o presente, que precisamos apontar os limites das políticas públicas que nos trouxeram até aqui. É o momento de começar a reconstrução do país e das políticas públicas sociais que sustentam a solidariedade social e tornam possível a democracia.

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1 – Gráfico disponível em www.outbreak.info.

2 – WHO 2020 “How do countries structure contact tracing operations and what is the role of apps?” disponível no endereço https://analysis. COVID-1919healthsystem.org/index.php/2020/06/18/how-do-countries-structure-contact-tracing-operations-and-what-is-the-role-of-apps/

3 – “Efficacy of contact tracing for the containment of the 2019 novel coronavirus ( COVID-19-19)” disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7307459/

4 – Relatório  COVID-19-19 RESPONSE − SPRING 2021 do governo britãnico, página 91, disponível em https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/963497/ COVID-19-19_Response_-_Spring_2021__Large_print_.pdf

 

Publicado originalmente em 11 de março de 2021




Reitoráveis debatem rumos da Unicamp durante e após a pandemia

Os três candidatos ao cargo de reitor da Unicamp apresentaram e discutiram suas propostas e questões ligadas à Universidade, à educação e ao atual quadro social do país, durante debate realizado de forma virtual pela ADunicamp em parceria com STU, DCE e APG, na noite desta segunda feira, 22 de fevereiro. Os candidatos são os professores doutores Tom Zé (FEA), Mário Saad (FCM) e Sérgio Salles (IG) e a consulta será realizada nos dias 10 e 11 de março (primeiro turno).

O debate foi transmitido ao vivo, chegou a ser acompanhado por mais de 700 pessoas e pode ser visto na íntegra em https://www.youtube.com/ADunicamp. Ele foi dividido em quatro blocos, seguindo roteiro programado pelas entidades organizadoras e previamente discutido com os candidatos. 

O primeiro bloco foi voltado para a apresentação dos reitoráveis e apresentação de suas propostas a partir de um texto norteador do debate, elaborado em conjunto pelas entidades e previamente apresentado aos candidatos no dia anterior ao encontro. 

O texto norteador foi lido pela professora Silvia Gatti (IB), presidente da ADunicamp e mediadora do debate. Diz ele: “Mais recentemente, as Universidades Públicas Brasileiras têm sido sistematicamente atacadas. Há cortes nas receitas das universidades federais, há tentativas de sequestros financeiros nas UP Paulistas e também na FAPESP, a principal financiadora de C&T do nosso estado. Os investimentos em C&T e na educação são sistematicamente atacados e há nitidamente um projeto de desmonte da educação superior. Como consequência, a formação de recursos humanos, o desenvolvimento científico, cultural e tecnológico e a liberdade de pensamento estão sob ameaça. Na sua visão, a que se deve esse momento? Se eleito, que ações efetivas serão implementadas para agir contra estes ataques e o desmonte das Universidades Públicas”?

No segundo bloco, cada entidade formulou uma mesma pergunta para ser respondida pelos três candidatos (leia, no final do texto, a integra das perguntas formuladas pelas entidades). 

A ADunicamp questionou os reitoráveis sobre os desafios impostos pela pandemia da Covid-19, sobre as restrições da Lei Complementar 173/2020 e a recuperação salarial dos professores e técnico-administrativos, além do ensino remoto e da degradação do trabalho de docentes.

O STU focou nas propostas de cada candidato para a carreira Paep, que se encontra estagnada há anos, e indagou também como eles pretendem enfrentar as restrições impostas pela LC 173.

A APG questionou os reitores sobre as propostas de ampliação das políticas afirmativas e de inclusão social, étnica e de gênero na Universidade.

O DCE apontou os baixos recursos destinados pela Universidade para as políticas de permanência e indagou sobre as propostas dos reitoráveis para recuperação e manutenção da moradia, bem como aumento das bolsas SAE para estudantes mais vulneráveis e fragilizados no âmbito da pandemia.  

PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO

O terceiro bloco foi destinado às perguntas formuladas pelo público. A participação do público, em decorrência das limitações impostas pela pandemia, foi garantida a partir de um sorteio prévio que selecionou perguntas de três integrantes de cada uma das categorias ligadas às entidades organizadoras. 

Cada pergunta, das três sorteadas pelas entidades, foi feita a um dos candidatos também definido por sorteio prévio. O sorteio das perguntas formuladas pelo público foi realizado na manhã do dia do debate. As pessoas interessadas em formular as perguntas fizeram o encaminhamento delas também de forma virtual, por meio de formulário disponibilizado nas redes sociais das entidades.

 Os reitoráveis responderam às mesmas perguntas formuladas por cada uma das categorias. Elas abordaram uma grande variedade de temas, desde o plano de carreira para os servidores, as parcerias da Unicamp com a iniciativa privada, cotas, bolsas, os novos critérios de avaliação da Capes, a retirada da homenagem ao general Jarbas

Passarinho concedida pela Unicamp durante a ditadura militar, até as questões atuais ligadas à pandemia e às dificuldades de manutenção e acompanhamento dos estudantes no ensino remoto, entre outras.

NOVO DEBATE

Nesta quarta-feira, 24 de fevereiro, a entidades promovem um novo debate com os vice-reitoráveis professoras doutoras Luiza (FCM) e Eliana Amaral (FCM) e professor doutor Zezi (IQ), respectivamente candidatos/as à vices de Tom Zé, Sérgio Salles e Mário Saad. O debate também será virtual e transmitido ao vivo a partir das 19h.

A consulta à comunidade da Unicamp para a sucessão do reitor terá o seu primeiro turno nos dias 10 e 11 de março e, caso seja necessário um segundo turno, ocorrerá nos dias 24 e 25 do mesmo mês.

A ÍNTEGRA DAS PERGUNTAS FORMULADAS PELAS ENTIDADES

ADunicamp:

“A pandemia da Covid-19 impôs às Universidades Públicas desafios nas áreas administrativas, de infraestrutura e da formação de recursos humanos. Caso eleito Reitor, como pretende atuar frente a estes desafios, em particular: a) como tratar com as restrições dispostas na LC 173/2020 e seus danos para a recuperação salarial, progressões etc.) VERSUS a autonomia universitária; b) o futuro do ensino na Unicamp (retorno das aulas presenciais tendo em vista que as condições de infraestrutura de salas de aula na UNICAMP não permitem o distanciamento social) VERSUS a manutenção do ensino remoto emergencial; c) e a degradação das condições de trabalho dos docentes que têm comprometido sua saúde física e mental?”

STU:

“A carreira Paepe, está estagnada há anos e sempre foi pautada nos processos de sucessão de reitor. Não há uma continuidade no processo e os trabalhadores não conseguem se ver na atual estrutura que a carreira apresenta, repleta de distorções, sem projeto presente e perspectiva de futuro. Ainda, em plena pandemia, a Unicamp tem alegado a necessidade de cumprir a Lei Complementar 173/2020, em outras palavras, tem utilizado ela para tudo: congelar salários, auxílio-alimentação, progressão na carreira que, embora estivesse no orçamento de 2020, foi contingenciada, concursos públicos suspensos, o mesmo ocorre a contagem de tempo de quinquênio, sexta parte e licença prêmio. O Tribunal de Justiça de São Paulo já manifestou o entendimento de que a Lei Complementar 173/2020 se aplica apenas aos entes políticos. A Universidade por gozar de autonomia administrativa está autorizada por conveniência e oportunidade a decidir se segue ou não aplicando essa lei que atinge em cheio os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores. O que o candidato tem a dizer sobre a carreira Paepe e sobre a aplicabilidade da da LC 173/2020 na Unicamp?

APG:

“Desde os anos 2000, vivenciamos no Brasil o avanço de políticas públicas como reconhecimento do racismo estrutural na sociedade, tendo o movimento negro como protagonista de várias conquistas, como por exemplo os avanços através da Lei de Cotas para cargos públicos e acesso ao ensino superior, considerando como estratégico a educação para superação da discriminação e exclusão social. Na Unicamp, houve um avanço tímido com a bonificação para estudantes PPI no vestibular, porém não suficiente. Por isso, de 2012 a 2016 inicia outro movimento que questiona esse formato de inclusão e, através de uma greve e ocupação da Reitoria, conquista as cotas pra o vestibular. Em 2015 inicia o debate no IFCH, sendo o primeiro instituto que implementa cotas na pós-graduação e depois desponta na FE, IE, IEL e IA, tendo ativamente de novo o protagonismo do movimento negro e estudantil para mais um avanço na democratização e inclusão no ensino superior. Recentemente tivemos a implementação de cotas trans em um programa no IFCH e outro no IA, sendo uma pauta que precisa ser mais amplamente discutida e incentivada. Em 2020 a APG cria o GT de Cotas na Pós que faz um estudo sobre estas e faz uma análise nos programas que têm cotas e de avanços necessários. Esse diagnóstico é apresentado como proposta na CCPG. Além disso, na própria avaliação institucional da Unicamp, no parecer da comissão externa é apontada a necessidade de ampliação e diversificação na pós-graduação e nos corpos docentes da Unicamp. Tendo em vista este contexto, a) Qual importância a Reitoria dará para ação afirmativa na Unicamp como política estrutural em todos setores da universidade? b) Como apliará o dialogo através da PRPG para os demais programas de pós-graduação, que ainda não tem ação afirmativa, para o acesso por via de cotas a estudantes negros, indígenas, com deficiência, pessoas trans e diversidade de gênero?

DCE:

“Acredito que seja do conhecimento de todos a parcela ínfima que é direcionada do orçamento da Universidade às políticas de permanência. Algo em torno de 3% dos gastos da Universidade hoje estão direcionados às políticas de permanência. Dada a situação atual, num momento de intensa fragilidade econômica, social e sanitária e as suas repercussões no ambiente universitário, gostaríamos de ouvir dos reitoráveis como irão atuar, caso eleitos, para aumentar essa parcela do orçamento direcionada à permanência, para que ocorra a devida manutenção da moradia que hoje está passando por um momento degradante e que as bolsas SAE sejam ampliadas para que os alunos mais vulneráveis e com menor poder aquisitivo possam permanecer na Universidade”.




ADunicamp se solidariza aos docentes no protesto contra a volta às aulas presenciais

A Associação dos docentes da Unicamp (ADunicamp) se solidariza com os colegas professores e professoras das redes pública e privada de São Paulo e com suas organizações de classe em protesto contra as intransigentes determinações de retorno das atividades escolares presenciais no Estado.

Diante do trágico e amplamente noticiado aumento dos casos de Covid-19, tanto no estado de São Paulo quanto no país, e do inaceitável, deliberado e mesmo criminoso retardo no programa de imunizações, é absolutamente temerária a decisão pela retomada das rotinas escolares presenciais, ainda que mediante protocolos sanitários.

As recentes notícias de surgimento de numerosas infecções por Covid-19 em escolas de Campinas somam-se aos muitos relatos que recebemos de colegas sobre constrangimentos de mantenedores e dirigentes da educação no sentido de, escandalosamente, acobertar a gravidade da situação aos olhos da imprensa e da opinião pública.

Entendemos que as prioridades dos gestores da educação paulista devam se concentrar, sem concessões subalternas a populismos, na preservação das condições de saúde das comunidades escolares e na ampliação e agilização da vacinação.

Enfatizamos que apoiaremos todas as decisões das entidades do magistério que objetivarem defender a qualidade de saúde daqueles que efetivamente se dedicam, a despeito de todos os desmandos dos dirigentes e governos, à elevação da qualidade da educação básica.

Maria Sílvia V. Gatti, presidenta da ADunicamp, virologista, Instituto de Biologia (Unicamp)
Gustavo T. Cunha, diretor da ADunicamp, médico, Faculdade de Ciências Médicas (Unicamp)
Diama B. A. Peixoto do Vale, diretora da ADunicamp, médica, Faculdade de Ciências Médicas (Unicamp)

Diretoria da ADunicamp

 

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