Entidades prestam homenagens ao professor Arsênio Oswaldo Sevá

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Movimentos sociais, principalmente ligados à questão ambiental e causas indígenas, entre outras, seguem prestando homenagens ao professor Arsênio Oswaldo Sevá Filho, falecido no sábado passado (28), em Campinas. Sevá, associado da ADunicamp, era professor aposentado da Faculdade de Engenharia Mecânica e também, desde 2007, professor dos cursos de pós-graduação em Antropologia Social e Ciências Sociais no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.
Ao longo de sua vida, Sevá teve uma atuação de destaque em defesa do meio ambiente. Fez o mapeamento de riscos ambientais em várias regiões brasileiras, a mais recente na área da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Foi um pesquisador de destaque no cenário nacional e internacional em questões relacionadas ao meio ambiente e trabalhou junto a diversas entidades ligadas à causa ambiental. Foi assessor e defensor das causas do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens).
Durante seus estudos sobre energia, elaborados principalmente no período que coordenou a disciplina “Energia, Sociedade e Meio Ambiente”, na pós-graduação em Energia da Unicamp, uma das teses refutadas por Sevá é a da “energia renovável”. Para o pesquisador, em entrevista recente ao G1, “a ideia que a hidroeletricidade se renova, sem dissipação ou desperdício, é uma aberração. Mesmo que uma forma se converta em outra, sempre há perda”.
Na mesma entrevista, Sevá criticou o discurso da energia barata gerada através das hidrelétricas. “Se não trabalharmos com os problemas, não haverá solução. Esse tipo de energia é barata porque expulsa os moradores e não paga essas pessoas”, afirmou.
Para além de um estudioso, Sevá se engajou na luta contra a destruição da natureza e violações de direitos causados pela construção de hidrelétricas no Brasil. Recentemente, levantou diversos questionamentos sobre a viabilidade da Usina Hidrelétrica Belo Monte.
A ÚLTIMA MENSAGEM
Veja, abaixo, a última mensagem postada por ele em sua página eletrônica na internet: (http://www.ifch.unicamp.br/profseva/):
“Tudo está ligado: a crise alimentar, a crise ambiental, a crise energética,a especulação financeira sobre as commodities e recursos naturais, a grilagem e a concentração de terra, a expansão desordenada da fronteira agrícola, a voracidade da exploração dos recursos naturais, a escassez de água potável e a privatização da água, a violência no campo, a expulsão de populações das suas terras ancestrais para abrir caminho a grandes infraestruturas e megaprojectos, as doenças induzidas pelo meio ambiente degradado dramaticamente evidentes na incidência de cancro mais elevada em certas zonas rurais do que em zonas urbanas,os organismos geneticamente modificados, os consumos de agrotóxicos, etc.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável realizada em Junho de 2012, Rio + 20, foi um fracasso rotundo devido à cumplicidade mal disfarcada entre as elites do Norte global e as dos países emergentes para dar prioridade aos lucros das suas empresas à custa do futuro da humanidade.”
 
A CARREIRA
O professor Arsênio Oswaldo Sevá Filho formou-se na graduação em 1971 na Engenharia Mecânica da Politécnica da USP, e obteve o Mestrado na mesma especialidade na COPPE/UFRJ em 1974, tendo sido inicialmente professor de Engenharia na UFRJ e na UFPB em João Pessoa. Em 1975 e parte de 1976, trabalhou comissionado no Ministério de Educação e Cultura, no então Departamento de Assuntos Universitários.
Obteve em 1982 o título “Doctorat ès-Lettres et Sciences Humaines” na Universidade de Paris-I Panthéon-Sorbonne, com pesquisa sobre os aspectos políticos e geográficos dos investimentos internacionais em eletricidade, mineração e metalurgia, feita no Laboratoire de Géographie Humaine et Organisation du Territoire. Em 1988, obteve por concurso o titulo de Livre-Docente na área de “Mudança Tecnológica e Transformações Sociais”, do Instituto de Geociências da Unicamp. Recentemente foi credenciado como docente participante nos cursos de pós-graduação no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, (2007) na Antropologia Social – na área de concentração “Processos Sociais e Territorialidades” – e em Ciências Sociais (2008) – na área “Processos Sociais, Identidades e Representações no Mundo Rural”. Foi professor associado MS-5 no Departamento de Energia da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, onde , de 1991 a 2007, integrou o corpo docente pleno na área de pós-graduação em Planejamento Energético, tendo criado a disciplina “Energia, Sociedade e Meio Ambiente” e a linha de pesquisa correspondente, na qual orientou várias teses de Doutorado e dissertações de Mestrado. Nas últimas décadas fez extensão universitária colaborando com entidades ambientalistas, indígenas, de populações atingidas por barragens e por outras instalações energéticas, com sindicatos de trabalhadores e com o Ministério Público.
 

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