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NOVEMBRO

23

2009

Serra escolhe o segundo colocado para Reitor da USP

Desde 1981 a escolha do reitor da USP, feita pelo governador, respeitava o resultado das eleições internas, mas com Serra...


No último dia 12 de novembro, o governador de São Paulo, José Serra, nomeou o segundo colocado nas eleições da USP, João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito, para o cargo de Reitor, contrariando a votação do segundo turno, que havia escolhido o diretor do Instituto de Física, Glaucius Oliva.

Na primeira etapa das eleições, ocorrida em 20 de outubro, na qual votam o Conselho Universitário (Co), os Conselhos Centrais e as Congregações das Unidades, foi elaborada a lista com oito nomes indicados ao segundo turno.

No dia 10 de novembro, após três escrutínios, membros do Co e dos Conselhos Centrais, órgãos que compõem o colégio eleitoral do segundo turno das eleições, encaminharam ao governador a lista com os três nomes mais votados. Gláucius obteve a maioria dos votos (161 dos 274), Rodas foi o segundo (104) e Armando Corbani ficou em terceiro (9). Os dois últimos tiveram o apoio não oficial de Suely Vilela, atual reitora da USP e persona non grata do governador.

A escolha do Governador de São Paulo evidencia, mais uma vez, sua forma autoritária de administrar, já conhecida das universidades públicas paulistas desde seu primeiro dia de mandato, quando José Serra publicou os famigerados decretos atacando a autonomia destas instituições.

Ao escolher Rodas como Reitor, sob o argumento de excelente administrador, Serra passa por cima das instituições acadêmicas da USP, tornando, cada vez mais, notório o fato de Rodas ter grande influência dentro do alto escalão do PSDB, o que caracteriza a escolha como um jogo de interesses.

O novo reitor da Universidade de São Paulo é conhecido por sua atuação, em 2007, durante protesto de alunos contra os Decretos do governador de São Paulo. Atuação que levou à entrada da polícia no campus Butatã, deixando claro sua posição quanto à mobilização daqueles que lutavam em favor da universidade.

A eleição para a reitoria da USP já havia sido marcada por protestos e pedidos de maior democracia na escolha deste que é o representante máximo da comunidade acadêmica.

Em tempo
A última vez que o mais votado não foi nomeado reitor ocorreu em 1981, quando Maluf, então governador de São Paulo, nomeou , quarto nome da lista sêxtupla. Na época o Brasil vivia sob a égide da Ditadura Militar.

Democrática
A Adusp, sindicato dos docentes da USP, realizou nos dias 14 e 15 de outubro uma eleição democrática da qual pude fazer parte toda a comunidade acadêmica. Por esta votação, Francisco Miraglia, ex-diretor da Adusp, obteve a maioria dos votos. Gláucius Oliva ficou em segundo lugar e, sintomaticamente, Rodas figura apenas o quarto lugar nesta escolha.
Veja aqui o resultado completo da eleição democrática (http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/295/inf29503.html)

Conheça o Processo eleitoral da USP
Fonte: Jornal do Campus

Os eleitores do primeiro turno são membros do Conselho Universitário (Co), dos Conselhos Centrais e das Congregações das Unidades. As Congregações são compostas por representantes do corpo docente, discente e dos funcionários da USP. Cada eleitor tem direito a um voto secreto, contendo, no máximo, três nomes de professores titulares em atividade na Universidade.

Ao final dessa primeira fase, a Comissão Eleitoral divulga os oito nomes mais votados. Caso haja empate, prevalece o nome do professor com maior tempo de serviço docente na USP. As Normas para as eleições para reitor(a) na USP estão descritas no Título VIII, Artigos 210 a 241 do Regimento Geral da Universidade.

Segundo turno
No segundo turno, o Colégio Eleitoral é formado apenas por membros do Co e dos Conselhos Centrais, sendo que, os eleitores que forem membros dos dois conselhos, votam apenas como membros do Co. Nesta fase são eleitos os nomes que irão compor a lista tríplice, que será encaminhada ao governador do Estado para que ele defina o(a) novo(a) reitor(a) da Universidade.

Durante a votação, que é realizada no prédio da Reitoria, quatro mesas recebem os votos. Cada uma delas é presidida por um docente designado pelo(a) reitor(a). O presidente da mesa tem ainda o auxílio de dois mesários docentes ou servidores. É possível acontecer até três escrutínios, com duração de, no máximo, 45 minutos cada um. As apurações, em cada um deles, têm início logo após o término da votação nas quatro mesas. O início daqueles que seguem o primeiro se dá dez minutos depois da proclamação do resultado do escrutínio anterior.

Os votos dados a professores já eleitos em anteriormente não são considerados. O número de elegíveis no segundo e terceiro escrutínio corresponde, no máximo, ao número de vagas existentes para completar a lista tríplice.

 






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