ADunicamp, 39 anos de história

 

Criada em 1977, em meio a uma ditadura militar que completava 13 anos de instalação e de forte repressão a tudo e todos que se opunham a ela (incluídos nesta conta a imprensa em geral, sindicatos, partidos), a ADunicamp trazia consigo tarefas que pareciam quase impossíveis de serem cumpridas: “atuar como um sindicato, lutando pelos direitos trabalhistas dos professores, e também como uma associação de trabalhadores preocupada com a democracia, empenhada em unir-se a outras entidades semelhantes, apoiando-as. Ao mesmo tempo, deveria dar sua contribuição à Universidade pública brasileira – com o propósito de identificar qual o lugar dessa instituição em um país com as particularidades do Brasil – e à própria Unicamp, que carecia de mecanismos de decisão transparentes e abertos”.

A jovem Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) havia sido criada há apenas 10 anos e enfrentava problemas com a administração de seu fundador que, se por um lado havia moldado-a com sua visão de universidade e seu prestígio junto ao poder público e político da época, por outro atuava de forma autoritária e paternalista deixando de lado uma institucionalização que transferisse poder de decisão para a maioria dos docentes que compunha a universidade.

A falta de uma carreira e de uma política definida claramente para as questões internar deixava clara a necessidade de organização dos docentes em uma associação que pudesse influir no destino da universidade.

O prédio do Ciclo Básico foi o palco do primeiro momento, mas também de muitos outros posteriores, da ADunicamp. Lá fora realizada a assembleia que contou com 370 participantes (40% do total de professores na época) e que criou a Associação de Docentes da Unicamp, a ADunicamp. A seu primeiro presidente, José Vitório Zago, coube a tarefa de criar a infraestrutura necessária para que a associação pudesse funcionar.

Desde seu início a ADunicamp deparou-se com dificuldades e o cerceamento das universidades foi um dos mais emblemáticos. O apoio à reunião da SBPC e ao 3º Encontro Nacional de Estudantes, que sofreram forte repressão do governo militar aconteceu meses após sua criação.

“… em 1979, na vigência do mandato de sua primeira diretoria eleita, a ADunicamp já participava do amplo movimento do funcionalismo paulista. No ano anterior, os docentes da Unicamp haviam feito sua primeira greve a partir da qual houve a renúncia de seu primeiro presidente eleito, Rubem Alves. Este, alegando não concordar com a participação de docentes universitários, por ele considerados privilegiados, em um movimento grevista, demitiu-se por carta. Um ano depois, e tendo à frente o vice-presidente José Vitório Zago, que assumiu o lugar de Rubem Alves, a ADunicamp se preparava para participar do maior enfrentamento entre funcionalismo e governo desde o golpe de 1964”.

Contar a história desta instituição não é e nunca foi tarefa fácil. Muitos foram os momentos importantes, assim como muitas foram as questões que teve que enfrentar, interferir e responder, não apenas a seus associados, mas à comunidade acadêmica e à sociedade como um todo. Sua união com “entidades-irmãs” como a ADUSP e a Adunesp e sua participação no movimento docente nacional se tornaram importantes balizadores de sua atuação.

Com uma concepção de universidade voltada às grandes questões nacionais, como ponto de encontro de pensadores e responsáveis pela elaboração de tecnologias, mas, principalmente, de políticas públicas voltadas para o atendimento das necessidades básicas da sociedade e não apenas de grupos econômicos, sua atuação não poderia ser diferente.

Desde sua criação a ADunicamp cresceu e muito. Do prédio do Ciclo Básico, sua primeira morada, à sede própria, em 1996, não foi apenas a infraestrutura que aumentou. A criação do Fórum das Seis (entidade que inicialmente congregava as associações de docentes e de técnicos-administrativos das três universidades públicas paulistas e que hoje congrega ainda os DCEs da Unicamp e Usp e o sindicato dos trabalhadores do Centro Paula Souza) como uma unidade de reivindicação junto ao Conselho de Reitores (Cruesp) após a concessão da Autonomia Universitária em 1989 fez com que a associação ganhasse uma importância cada vez maior.

A passagem de associação para seção sindical do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, ANDES-SN, foi um processo longo de esclarecimento da comunidade. As alterações do Código Civil, em 2002, fizeram com que empresas, sociedades, associações e entidades em geral, tivessem que se adequar à nova Legislação. Em 2005 a aprovação da lei nº11.127/05, através do artigo 2031 do Código Civil estabeleceu o dia 11 de janeiro de 2007 como prazo final para adequação estatutária. Em uma campanha que durou 4 meses (de agosto a dezembro de 2006) a ADunicamp tratou de discutir e esclarecer seus associados sobre a importância transformar a associação em seção sindical e apresentou proposta de alteração do estatuto baseada em documento de entidades semelhantes. Neste momento Adusp e Adunesp já haviam feito a mudança e a ADunicamp era a única entidade do Fórum das Seis que não era sindicato, o que acarretava em dificuldades na conquista de direitos a toda comunidade docente da universidade e não apenas a seus associados. Em 15 de dezembro de 2006 o resultado da consulta foi favorável à sindicalização. Dos 2060 associados na época 1111 votaram. 73 foram contrários, 23 votaram em branco e 7 anularam seus votos. A maioria, 1008, aprovou a mudança.

Atualmente dos 2.692 docentes da Unicamp 2.092 são filiados à ADunicamp (incluindo os aposentados em ambos os casos).

A casa dos professores

A ADunicamp começou suas atividades em uma assembleia histórica, em 1977, mas logo depois deparou-se com a necessidade de um espaço físico próprio. A solução provisória surgiu com a cessão, pelo IMECC, de uma pequena sala do seu anexo, atrás do IFCH. Em meados da década de 1980, a sede passou a funcionar no subsolo do edifício do Ciclo Básico. Algumas carteiras escolares, escrivaninha, uma máquina de escrever e a Associação tinha o mínimo para funcionar, porém a sala ainda carecia de infraestrutura para reuniões. Em uma loja de mobília usada, nas cercanias da Unicamp, no bairro de Barão Geraldo, foi comprado um conjunto de sala de jantar com cadeiras estofadas. Não era bem o que se esperava de uma sala de reuniões, mas era o que o dinheiro podia pagar.

Daí para diante, a ADunicamp mudaria ainda uma vez de endereço, mas permaneceria ocupando um pequeno espaço, no subsolo do Ciclo Básico. Em 1990 viria o acordo pelo qual a Unicamp cederia em comodato um terreno no campus, no qual a ADunicamp poderia construir sua sede. Seis anos depois, inaugurou-se a nova sede: não mais um acanhado escritório, mas um conjunto de pequenos edifícios que abrigam administração, auditório, sala multiuso, cantina [que posteriormente foi reformada para dar lugar a um restaurante] e biblioteca. Para que isso fosse possível, a mensalidade cobrada dos associados fora temporariamente aumentada de 0,3% para 1% do salário do docente. Após a construção, ela foi reduzida para 0,7%, nível mantido até hoje .

Para aqueles que querem conhecer mais a fundo a história desta instituição que faz parte não a penas da história da Unicamp, mas também do Brasil, todo o acervo de livros e demais publicações da ADunicamp está sendo disponibilizado neste portal. O banco de dados, ainda em formação, inicialmente conta apenas com os anos de 2008 e 2009, mas deverá conter todos os números de seus jornais, revistas, cadernos e fotos.