Reunidos em assembleia nesta quarta-feira, 6, os professores da Unicamp decidiram entrar em “estado de greve”, com mobilização permanente nas unidades e paralisações diárias nos dias de negociação entre o Fórum das Seis e o Cruesp, para acompanhamento das reuniões.

A primeira paralisação está programada para esta quinta-feira, 7, quando haverá uma nova rodada de negociações da data-base 2018, entre o Fórum e os reitores das universidades paulistas, em São Paulo. A ADunicamp vai disponibilizar transporte para os professores que queiram participar do ato público que ocorrerá em frente ao prédio do Cruesp, durante a reunião. (Interessados devem entrar com a funcionária Rose, (19) 3521 2476, para agendar vaga no transporte que sairá da sede da ADunicamp às 11h).

Os professores decidiram também reiterar a posição, já tomada em assembleia anterior, de recusar o reajuste salarial de 1,5% proposto pelo Cruesp. O Fórum das Seis propõe um reajuste de 12,5%, que corresponde a perdas salariais registradas nas universidades públicas paulistas nos últimos três anos.

De acordo com a diretoria da ADunicamp, que conduziu a assembleia, o “estado de greve” aprofunda o “estado de mobilização”, que havia sido decidido na assembleia realizada em 24 de maio. Em nota divulgada ao final da assembleia (leia abaixo), a diretoria da ADunicamp aponta que “estado de greve” é um fato “essencialmente político” e que tem o objetivo de assinalar que a categoria pode deflagrar greve a qualquer momento, dependendo das mobilizações e negociações em curso.

O “estado de greve” implica que a categoria se mantém e assembleia permanente. Com isso, uma nova assembleia para decidir pela greve pode ser convocada a qualquer momento.

REIVINDICAÇÕES

A assembleia desta quarta-feira decidiu pela realização de uma série de ações e mobilizações que reúnem reivindicações a serem disparadas em duas frentes: junto ao Cruesp e junto à Reitoria da Unicamp.

Para atuar junto ao Cruesp, será proposta a criação de um Grupo de Trabalho (GT) de Acompanhamento da Evolução Financeira das Universidades, com reuniões e análises mensais. Também será reivindicado que o Cruesp assuma o compromisso de que a eventual ampliação da arrecadação do ICMS, já nos próximos meses, seja revertida imediatamente para a recomposição salarial. E, por fim, a Adunicamp vai reivindicar o reajuste no Vale Alimentação, dos R$ 850,00 para R$1.100,00.

Já junto à Reitoria da Unicamp, será reivindicado o destravamento das progressões nas carreiras e das contratações para reposição de vagas com as aposentadorias, com atenção especial ao COTUCA e ao COTIL e aos docentes dos níveis iniciais da carreira. Também será proposta a criação um GT de Acompanhamento da Evolução Financeira da Unicamp, com participação de representantes da Reitoria e das entidades representativas da universidade: ADunicamp, STU e DCE.

O COMUNICADO

Abaixo, a integra do comunicado divulgado pela Diretoria da ADunicamp, após a assembleia:

A ADunicamp realizou uma Assembleia hoje com a presença de 178 docentes. Tivemos a apresentação de informes e manifestações de 13 Unidades.

A primeira votação reafirmou a insuficiência da proposta do CRUESP de 1,5% de reajuste e reclamou ao CRUESP o reconhecimento das perdas que totalizam 12,56% nos últimos três anos. A votação se deu por ampla maioria, com apenas 4 votos contrários e 2 abstenções.

A segunda votação foi sobre a entrada imediata em greve e a não entrada imediata em greve. A maioria de 81 docentes decidiu pela não entrada em greve, com 46 votos favoráveis à greve e 6 abstenções.

A terceira votação decidiu pela entrada em ESTADO DE GREVE por 100 votos favoráveis, 12 votos contrários e 10 abstenções.

O Estado de Greve”, que aprofunda o anterior “Estado de mobilização”, é um fato essencialmente político por meio do qual se assinala, no ambiente das entidades sindicais, que uma determinada categoria de trabalhadores pode deflagrar greve a qualquer momento e a depender das mobilizações e negociações em curso.  O sentido que destacamos do Estado de Greve” é, pois, da mobilização marcada pela possibilidade ou iminência do exercício do direito social garantido pela Constituição Federal, a greve.

Em seguida, por ampla maioria, definiu-se a seguinte pauta de reivindicações e ações.

Junto ao CRUESP:

Criação de um GT de Acompanhamento da Evolução Financeira das Universidades, com reuniões e análises mensais.

Comprometimento do CRUESP de que a eventual ampliação da arrecadação do ICMS nos próximos meses seja revertido imediatamente para a recomposição salarial.

Reajuste no Vale Alimentação, passando ao valor da USP, de R$1.100,00.

Junto à Reitoria da Unicamp

destravamento das progressões nas carreiras e das contratações para reposição de vagas com as aposentadorias. Neste item, deve-se ter atenção especial ao COTUCA e ao COTIL e aos docentes dos níveis iniciais da carreira.

Criação de um GT de Acompanhamento da Evolução Financeira da Unicamp; deste GT deverão participar representantes da Reitoria e das entidades representativas – ADUnicamp, STU e DCE.

Os docentes da Unicamp, doravante em ESTADO DE GREVE, encontram-se em assembleia permanente – isto é, assembleias que possam decidir pela greve podem ser convocadas a qualquer momento.

Além disso, nos dias de reunião entre o CRUESP e o Fórum das 6, fica indicada a paralisação das atividades docentes, para acompanhamento das reuniões.

A partir das deliberações da Assembleia de hoje, intensificaremos as ações dos Representantes nas Unidades, com a apresentação e discussão do subfinanciamento das Universidades Públicas Paulistas, e com a presença da Diretoria da Associação nas Unidades, inclusive nas Congregações. Teremos também ações a serem propostas pela Comissão de Mobilização.

DIRETORIA DA ADUNICAMP