Esse é um manifesto das três entidades que representam os setores que construíram a USP e cujo trabalho acadêmico embasou sua boa reputação. Certamente, o HU representa, e melhor do que várias outras Unidades da USP, o tripé universitário de ensino-pesquisa-extensão. Os sólidos argumentos apresentados pelo Coletivo Butantã na Luta (CBL), constituído por moradores da região, e a persistência deste e também das entidades representativas dos três setores, trabalhadores e estudantes da USP, sensibilizaram os deputados durante a votação do Orçamento do Estado, na Assembleia Legislativa. A luta foi vitoriosa e resultou na aprovação de uma Emenda de R$ 48 milhões adicionais à USP, a serem aplicados no HU em 2018. Esses recursos deverão ser usados para que o HU volte a contratar profissionais de Saúde diretamente pela USP, o que garante a escolha de profissionais que atuem como preceptores do Hospital-Escola, além de prestarem, indiretamente, atendimento ao paciente. Assim seriam reabertos os Pronto Socorros Infantil e Adulto, reativados os mais de 30 Leitos, atualmente ociosos, e recolocados, em pleno funcionamento, os Centros de Cirurgia e de Partos que deixaram, aos poucos, de funcionar nos últimos 2 (dois) anos.

Dessa forma os moradores da região e os milhares de estudantes e pós-graduandos da área da Saúde voltariam a encher as salas do HU!

É inaceitável que um hospital que atendia da ordem de 700 pessoas por dia em seu Pronto-Atendimento, esteja, nesse começo de 2018, com a sala de espera de pacientes no estado mostrado na foto.

É preciso esclarecer as causas iniciais do desmonte do HU, planejado pelo ex-reitor Zago quando não logrou êxito em sua tentativa de desvinculação desse hospital. Foram os Planos de Demissão Voluntária (PDV), executados pela Reitoria da USP, que levaram o HU a ter 406 funcionários de Saúde a menos do que tinha em 2013 e, como consequência de sua não-reposição, à brutal queda no atendimento hospitalar!

Nessa conjuntura é assustador verificar o que o novo reitor da USP, Vahan Agopian – que tomou posse em 29 de janeiro último, afirmou em entrevista ao portal UOL, de 01/02, sobre a responsabilidade da USP com o HU:

“A crise é da saúde pública. O HU é uma solução. A USP, de novo, saindo das suas funções de ensino e pesquisa, está tentando minimizar o sofrimento da população da região oeste da Grande São Paulo.” (…)

“O HU não tem condições físicas, humanas, de conseguir, sozinho, suprir essa deficiência. Quer dizer, ou os responsáveis pela saúde assumem essa responsabilidade ou não vamos resolver o problema.” (…)

“Mas o meu ponto de vista é esse: nós estamos fazendo uma coisa que não é nossa função. (…) Lendo os destaques acima, o reitor da USP parece desconhecer o Regimento do HU que, no seu artigo 1º, afirma que “O Hospital Universitário (HU), órgão previsto no Título II, artigo 8º do Estatuto da Universidade de São Paulo, (…) tem por finalidade promover o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços à comunidade.” Ele parece desconhecer também Constituição Federal que, no seu artigo 207, afirma: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”

Afirmamos ao reitor da USP que, ao lado do Coletivo Butantã na Luta, estaremos firmes na batalha pela aplicação adequada dos recursos extras no HU, de conformidade à Emenda votada pelos Deputados na Alesp que estabelece claramente o seguinte: “É fundamental que a Reitoria da USP amplie a destinação de dotações durante a execução orçamentária para o HU, derivada da Ação Assistência Médica, Hospitalar e Ambulatorial, fornecendo assim as condições para reposição dos funcionários do HU através de contratações via quadro de carreiras da USP. Do montante da compensação financeira da exploração de petróleo para a USP o total de R$ 48 milhões fica destinado para o Hospital Universitário da USP – Campus Butantã.”

Em consonância com o teor da emenda rechaçamos qualquer proposta ou tentativa de contratação pela via de Fundações ou OSS!

É preciso voltar ao padrão de atendimento de excelência do HU, que está registrado na memória da população do Butantã, desde seu início, na década de 1980. Os depoimentos e as mais de 50 mil assinaturas, colhidas no Butantã, servem de cabal testemunho!

O “nosso” HU deve voltar a receber pacientes, prestar atendimento com a qualidade tradicional, servindo, ao mesmo tempo, de campo de estágio privilegiado a milhares de estudantes em 7 áreas da Saúde!

Reitor: reveja seus conceitos – atendimento à Saúde é uma maneira excelente de praticar a extensão à população, demandada pela Constituição!

Grande Ato em Defesa do HU 2 de março,
sexta-feira, Concentração às 10h no Portão 3 da USP
(Av. Corifeu de Azevedo Marques)
 

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