Manifestações, paralisações protestos estão marcados para ocorrer em cidades do mundo inteiro, nesta quarta-feira, 8, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres. Neste ano, pela primeira vez, o Dia das Mulheres será marcado também por uma Greve Internacional de Mulheres, que tem sido convocada por organizações feministas de diversos países.

A proposta da Greve Internacional começou a ser gestada em 2016 e partiu do forte movimento de combate à violência de gênero deflagrado na Argentina, no Chile e no Uruguai, em 2015, e que rapidamente tomou as ruas de quase todos os países da América Latina, incluindo o Brasil, sob o nome “Ni Una a Menos” (“Nem uma a Menos”, em português).

Em 2016, depois do estupro coletivo e assassinato de uma adolescente de 16 anos, na Argentina, o #NiUnaMenos organizou marchas de protesto que rapidamente receberam a solidariedade e se alastraram por centenas de cidades em todo o Continente. A marcha realizada em Buenos Aires, em maio, teve a participação de mais de 300.000 pessoas e lançou a ideia da Greve Internacional de Mulheres.

Marchas gigantescas também ocorreram em outras cidades da Argentina, do Chile, do Peru, do Uruguai e da Guatemala, assim como inúmeras mobilizações de diferentes dimensões em cidades do Brasil e de outros países latino-americanos.

Já no início de 2017, logo após a grande Marcha de Mulheres que ocorreu nos EUA, em 21 de janeiro, em protesto contra o recém-empossado presidente Trump, a ideia da Greve Internacional ganhou mais força. Um manifesto lançado por ativistas como Angela Davis, Nancy Fraser e outras intelectuais norte-americanas, reiterou a proposta das argentinas e pediu que mulheres do mundo todo fortalecessem o movimento. Centenas de organizações feministas e da sociedade civil, em inúmeros países, já aderiram à convocatória.

DIREITOS AMEAÇADOS

 No Brasil, as mobilizações do Dia Internacional vão focar também os ataques a direitos sociais em curso no Congresso Nacional, especialmente, as contrarreformas da Previdência e Trabalhista. “A data 8 de março é uma data historicamente da mulher trabalhadora, e o movimento de Greve Internacional de Mulheres está fazendo um debate necessário e importante sobre a condição da mulher no século XXI. Desde 2015 –  com os ataques de Eduardo Cunha [então presidente da Câmara dos Deputados]–, nós acompanhamos dentro do parlamento brasileiro vários projetos de lei que têm como objetivo o controle dos nossos corpos e a retirada dos nossos direitos. E, diante de todos esses ataques, nós começamos a reagir. A greve é uma resposta ao avanço do conservadorismo e é um momento importante para lutarmos por projetos que nos representem”, avalia Caroline de Araújo Lima, 1ª vice-presidente da Regional Nordeste III e da coordenação do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN.

A contrarreforma da Previdência, que tramita como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, pretende igualar o tempo de contribuição de homens e mulheres, ignorando o fato de que mulheres realizam dupla e até tripla jornada de trabalho. Caroline lembra que eles e elas só poderão se aposentar com, no mínimo, 65 anos de idade e 25 de contribuição.

Já a contrarreforma Trabalhista, Projeto de Lei (PL) 6.787/16, que prevê regras de contratos temporários de trabalho e prioriza o negociado sobre o legislado em relação a alguns direitos (inclusive os contidos na Consolidação das Leis do Trabalho), terá graves consequências para as mulheres, uma vez que permite a jornada de trabalho por até 220 horas mensais, abrindo a possibilidade de turnos de 12 horas por dia.

VIOLÊNCIA

 Segundo o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil.

O país é o 5º que mais mata mulheres no mundo, perdendo somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.